segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Em defesa da barba

Alemanha realiza encontro internacional de barbudos. Barbudos com visual exótico se reuniram em Berlim, na Alemanha, para participar do Campeonato Mundial de Barbas e Bigodes. Os pêlos faciais são bastante apreciados por alemães, tanto que o país tem a Federação Nacional dos Clubes de Barba, que reúne diversos grupos deste tipo. Em 1996, por exemplo, foi criado o Clube da Barba de Berlim, que tem como lema a frase "deixe a barba crescer". Este grupo tem 22 membros que se encontram uma vez por mês para discutir as melhores formas de cuidar de suas barbas e de organizar eventos. Folha Online, 1º de outubro de 2005.
Eles eram considerados por todos o casal ideal. Nunca brigavam, viviam na maior harmonia, estavam sempre rindo um para o outro e trocando carícias. Mas aí tudo mudou.De repente, ele resolveu deixar crescer a barba. Por que tomou essa decisão não estava bem claro. Parece que tinha encontrado o retrato de um bisavô, muito parecido com ele, e que usava uma bela barba negra. O exemplo o encorajou, e lá pelas tantas ele estava virando barbudo também. Não se tratava de um discreto cavanhaque, ou de uma bem cultivada barba. Não, era uma barba de patriarca, de eremita, uma barba longuíssima, que lhe chegava ao peito.
Muita gente estranhou. Os amigos, naturalmente, e também o diretor da loja de departamentos onde era chefe de seção: aquilo espantava os fregueses. Mas ninguém reclamou mais do que a esposa. Para começar, ela não gostava de homens barbudos; depois, queixava-se, era uma coisa desagradável, que lhe irritava a pele do rosto. Chegou a ameaçá-lo com uma greve de sexo se o marido não fosse ao barbeiro raspar a face.
Escusado dizer que nem as críticas nem as ameaças o convenceram. Estava simplesmente encantado com a barba, cuidava dela, penteava-a cuidadosamente; porque, segundo dizia, agora sim, tinha descoberto a sua verdadeira personalidade. E foi então que leu no jornal sobre o Campeonato Mundial de Barbas e Bigodes, a se realizar na Alemanha. De imediato, decidiu participar. Não tinha dúvidas de que sua barba seria a vencedora e que ele traria para o Brasil um grande título. Já sabia até que tipo de penteado faria, dando aos pêlos o formato de lanças guerreiras. Coisa para entusiasmar o júri.
Quando a esposa soube desse plano, ficou por conta. Já não bastava o vexame que ele dava na cidade, precisava ir para o exterior? Discutiram longamente, mas ele não quis nem saber: iria e pronto; já estava até com a passagem comprada.
Vendo que não conseguiria convencê-lo, ela partiu para a ação. Na noite antes da partida colocou um comprimido para dormir na comida dele, e enquanto o marido estava ferrado no sono, cortou-lhe a barba.
Mas ele foi assim mesmo. Com uma barba postiça, que era uma cópia exata de sua barba verdadeira. Não ganhou prêmio algum, mas voltou contente: pelo menos tinha reafirmado, perante o mundo e a mulher, o direito à barba.
Folha de São Paulo (São Paulo) 10/10/2005

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