segunda-feira, 24 de setembro de 2007

O seqüestro das galinhas

Grupo armado rouba galinhas em Ituverava. Seis homens encapuzados, armados com um revólver, roubaram todas as 50 galinhas do sítio Serra Azul.
Folha Cotidiano, 4 de fevereiro de 2006
No passado, a expressão "ladrão de galinhas" designava um transgressor humilde, freqüentemente esfaimado, que invadia galinheiros roubando aves para comer. Não mais. O progresso chegou também a esta área, e hoje o roubo de galinhas é uma operação em larga escala, levada a cabo por grupos organizados e armados, que não temem sequer a gripe aviária.A pergunta que cabe é: por que tanto esforço para roubar galinhas, mesmo em número elevado? A galinha não é exatamente uma raridade culinária, como o caviar ou as trufas. É verdade que pobre só come galinha quando está doente, segundo o antigo ditado, mas à exceção daqueles que estão colocados muito em baixo na pirâmide social, a maioria da população consegue saborear uma coxinha de vez em quando.
Talvez se trate de outra coisa. Talvez se trate de seqüestros. Galinhas muito prezadas por seus donos, por serem de estimação ou de rara qualidade, seriam alvo tentador para seqüestradores. E aí começariam os bilhetes. Um deles, viria acompanhado de um ovo: "Por enquanto suas galinhas ainda estão vivas e botando ovos. Mas se vocês querem evitar que elas se transformem em fricassê, mandem de imediato a quantia pedida, etc.etc."
Como evitar os seqüestros de galinhas? A medida mais óbvia é reforçar a segurança nos galinheiros. Mas isto talvez não seja suficiente. No sítio em questão, o caseiro foi até feito refém pelos assaltantes. Não, a solução melhor, mais eficaz, será treinar as galinhas para a auto-defesas. Tão logo o galinheiro seja invadido, elas correrão para suas posições, e ao comando do galo de plantão, precipitar-se-ão sobre os invasores, agredindo-os a bicadas. Talvez os seqüestradores reajam; talvez uma ou outra heróica ave, mártir da resistência, seja baleada; mas por fim os fora-da-lei terão de bater em retirada. E o galinheiro será o que sempre foi, o reduto em que aves há milênios domesticadas, esperam a hora para, felizes, nutrirem a humanidade.
Folha de São Paulo (São Paulo) 13/2/2006

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