segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A ópera dos camundongos

Camundongo pode cantar, afirma estudo. Os camundongos machos se põem a vocalizar quando as fêmeas estão presentes. Emitem melodias relativamente complexas, que parecem variar de indivíduo para indivíduo. Folha Ciência, 1º de novembro de 2005
Tão logo constatou-se a surpreendente habilidade dos roedores, foi organizada - mediante a colaboração de cientistas e músicos - uma espécie de companhia lírica, formada só de ratos de laboratório. E o espetáculo que apresentam tem feito sucesso no mundo inteiro. O mesmo sucesso que faziam Mickey e Minnie nos velhos tempos.
Trata-se de uma ópera em três atos. Depois da abertura, surge no pequeno palco o personagem principal, o jovem Pancrácio, vivido por um elegante camundongo branco. Pancrácio entoa a bela ária "Por um Pedaço de Queijo". O título, aliás, é um pouco enganador; pensamos que o jovem está atrás do alimento classicamente preferido pela rataria, mas o que em verdade ele nos diz é que "...Não há queijo, por maior que seja seu calórico valor/ que possa ser comparado/ às delícias do amor". Pancrácio está apaixonado por Lucinda, uma linda e meiga ratinha. Que corresponde por inteiro à sua paixão: do balcão do palácio, ela responde com a canção "O Focinho do Meu Amado É a Imagem da Beleza".
Este romance, porém, encontra um obstáculo. Dom Ratone, o tirânico pai de Lucinda, não gosta de Pancrácio, que é de origem humilde. Quer que a filha case com alguém da mais alta estirpe murina; para isto, contudo, é preciso acabar com a paixão dos jovens. Dom Ratone chama seus asseclas e determina-lhes que espalhem ratoeiras ao redor do palácio, para assim capturar aquele que considera como intruso. O feitiço vira contra o feiticeiro. Inadvertidamente o próprio Dom Ratone cai em uma das armadilhas. Ali corre risco de vida, porque os camponeses da região estão determinados a exterminá-lo: Dom Ratone é um conhecido assaltante de celeiros. Um homem o avista e corre em direção à ratoeira para liquidar o bicho -mas no último momento Pancrácio aparece e consegue salvar o pai de sua amada. Arrependido, Dom Ratone concede-lhe a mão (ou a pata, melhor dizendo) de sua filha e a ópera termina com o belo coral "Como É Belo o Amor dos Camundongos".
Como foi dito, o espetáculo tem atraído enorme público. Mas há um problema: cada vez que aparece um gato na platéia a companhia lírica inteira desaparece do palco. E aí o jeito é devolver os ingressos para o público.
Folha de São Paulo (São Paulo) 07/11/2005

Um comentário:

Jorge Ramiro disse...

Eu amo a ópera é algo que eu gosto desde que eu era criança. Ontem eu queria ir, mas eu não posso, porque eu tenho um cachorro que está doente e estamos tomando se banha com Matacura.