<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686</id><updated>2012-01-08T11:14:50.922-08:00</updated><title type='text'>Moacyr Scliar - textos</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>76</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-1447923250078541644</id><published>2011-01-09T19:47:00.000-08:00</published><updated>2011-01-09T19:47:57.978-08:00</updated><title type='text'>MOACYR SCLIAR - A síndrome do ninho vazio</title><content type='html'>MOACYR SCLIAR - A síndrome do ninho vazio – ou a glória dos múltiplos ninhos?&lt;br /&gt;Convenhamos, a independência dos filhos é, ao fim e ao cabo, um triunfo para os pais &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano-Novo, vida nova, é um dito clássico. Que, contudo, raramente se traduz em mudança real. Na maioria das vezes, continuamos levando nossas vidas, mantendo nossas rotinas, postergando nossos projetos revolucionários. Mas toda regra tem exceção, e o Beto Scliar é disso um exemplo: ele começou 2011 no seu próprio apartamento, por ele muito bem instalado e decorado. Mais do que isso, e ao menos para seus orgulhosos pais e para a Ana, está se revelando um grande dono de casa. Ou seja, é um marco em sua bela trajetória pessoal e profissional. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em algum momento os filhos têm de sair do reduto paterno-materno. A época para isso varia de acordo com as culturas, com as famílias. Nos Estados Unidos, a independência tradicionalmente ocorre no momento em que o jovem vai para o college, que mais ou menos equivale à nossa universidade. A regra é que isso se faça com mudança de cidade (quanto mais distante melhor), e a partir daí o rapaz ou a moça terão de tomar conta de si mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na classe média brasileira, a coisa sempre foi mais flexível, e essa flexibilidade aumentou na medida em que cresceu a expectativa de vida e na medida em que a independência, cada vez mais dependente do diploma, do mestrado, do doutorado, foi sendo adiada. Uma adolescência prolongada, portanto, mas não infinita (ou, parafraseando Vinicius, infinita enquanto dura). De qualquer modo, a ideia da família extensa, que até era um costume no período colonial (entre os ricos ao menos) foi ficando coisa do passado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, é uma mudança, e toda a mudança tem suas implicações. Amigos nos perguntaram, e com razão, se já estamos com a síndrome do ninho vazio. A expressão, provavelmente de origem americana (“empty nest syndrome”) é muito conhecida; remete a quase 200 mil referências no Google, a dezenas de artigos que analisam esta situação. Os autores apontam algumas vantagens (o refrigerador não é mais saqueado pelo filho e pelos amigos, a mãe não tem mais que arrumar quartos que parecem um cenário de guerra, a casa fica mais silenciosa), mas reconhecem que esta ordem, esta limpeza, este silêncio podem ter o seu lado melancólico. E aí sucedem-se os conselhos tipo autoajuda, que incluem até indicações de terapia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que é para tanto? Convenhamos, a independência dos filhos é, ao fim e ao cabo, um triunfo para os pais. O ninho poderá ficar um tanto vazio, mas a verdade é que outro ninho surge, não raro vários deles. São casas que acolhem os pais, são lugares que lhe proporcionam surpresas. É a nossa superfície de contato com o mundo que se expande, e isso sempre é consolador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é de admirar, pois, que repetidos estudos realizados a respeito (nos Estados Unidos, obviamente; onde mais?) mostrem que o índice de felicidade conjugal, avaliado através de indicadores, melhora quando os ninhos ficam múltiplos, e quando o casal pode, de certa forma, se redescobrir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voar É com os Pássaros era o título de um antigo e clássico filme. Não, voar não é só com os pássaros. Nós também voamos, seja nos aviões (quando os voos não são cancelados), seja através de nossa imaginação. Cada ninho, onde quer que esteja, é uma base para os sonhos. Entre eles, claro, o sonho de nossa própria casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-1447923250078541644?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/1447923250078541644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=1447923250078541644' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1447923250078541644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1447923250078541644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2011/01/moacyr-scliar-sindrome-do-ninho-vazio.html' title='MOACYR SCLIAR - A síndrome do ninho vazio'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-515623292809195077</id><published>2010-11-10T14:20:00.001-08:00</published><updated>2010-11-10T14:20:54.483-08:00</updated><title type='text'>Clube da Cultura - Melissa Berny</title><content type='html'>&lt;div style="background-color: transparent; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;div id="internal-source-marker_0.3160217257682234" style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;De olhos ávidos e sonhadores Airan Milititsky Aguiar, vice-presidente do Clube de Cultura, numa conversa informal discorre sobre esse clube que muitos nem sabem da existência.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Eu como professora e tentando preservar e repassar uma história bonita penso ser uma injustiça para com os fundadores a sociedade gaucha ainda não conhecer este lugar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Devemos conhecer sua história, pois além de ser um dos poucos lugares a cultuar as artes foi palco de diversos acontecimentos e manteve-se forte diante dos percalços.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;O Clube de Cultura é interessantíssimo, é bem localizado e oferece uma ótima programação para pessoas que buscam cultura. &amp;nbsp;Infelizmente passa por dificuldades para manter-se ativo, principalmente por necessitar de divulgação e com isso trazer mais freqüentadores. A diretoria está buscando uma inserção na mídia e como o clube não tem uma equipe especializada nisto e só conta com ajuda de voluntários o trabalho fica complicado algumas vezes. E quem faz quase toda parte de divulgação é o próprio presidente &lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: italic; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;Hans Baumann,&lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; membro do clube há mais de 55 anos, praticamente desde o inicio. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;E esse inicio aconteceu em 30 de maio de 1950, a data de fundação do clube, que tinha por finalidade ser um espaço incentivador da literatura, das danças, das humanidades e um lugar onde houvesse uma integração da comunidade judaica com a sociedade gaúcha. Tanto que a iniciativa foi de ativistas político-culturais, judeus não sionistas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Na Rua Ramiro Barcelos foi alugada uma casa onde aconteceram algumas atividades. Logo depois resolveram comprar o terreno e transformá-lo numa nova sede onde teriam auditórios e salas para diversos usos, por questões financeiras transformaram-na em condomínio sendo uma parte dele a sede atual do Clube de Cultura.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;As atividades eram basicamente o teatro e atividades sociais como encontros, circulo de leitura, palestras e exposições. No auditório do novo clube foi realizado apresentações em Iídiche de marca popular. O clube em 1961 comemorou seu aniversário com Elis Regina.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;O clube tinha um coral próprio, regido inicialmente por Esther Scliar e depois por Helena Wainberg, que se apresentou em inúmeros festivais pelo estado com suas músicas eruditas, populares e iídiches. Entre essas, se destacava o &lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: italic; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;Hino Partisans&lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;, cantado no ato comemorativo do &lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: italic; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;Levante de Varsóvia&lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;A identidade do Clube de Cultura vai sendo reformulada com o passar dos anos. Na década de 60 o clube abre as portas a todos, formando um novo grupo de teatro, esse encenou a &lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: italic; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;“Prostituta Respeitosa” &lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;de&lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: italic; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; Sartre.&lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;E ainda funcionou a Frente Gaúcha de Música Popular que lançou vários nomes, entre eles Raul Ellwanger junto com Cezar Dorfman&lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: italic; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;Em 64 aconteciam os espetáculos de bossa e nesse ano começou a se tornar perigoso frequentar o clube, depois do golpe militar todas as entidades sofrem uma forte repressão, o clube fechou suas portas por dias e diversos sócios deixaram de frequentar e alguns nem queriam seus nomes vinculados a ele. Depois disso o clube passa a ter outra dinâmica, a juventude e os grupos alternativos passam a usá-lo como sede, e o clube ficou marcado como o lugar onde a esquerda de Porto Alegre se reunia.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;Logo após o golpe, a diretoria manifestou interesse em dar vida à obra de Qorpo Santo, o espetáculo foi apresentado em 1966 com direção de Antonio Carlos Sena. Já nos anos 70 foi organizadas oficinas de cinema com Gerbase e Furtado. Os anos 80 ficaram marcados pela Coompor, que era uma cooperativa de músicos, com o projeto Lupicínio canta Lupi e também foram influídos por Caio Fernando Abreu e Luciano Albarse, que montavam os textos do Caio no auditório Henrique Scliar. Henrique Scliar é bastante citado nas crônicas do Moacyr Scliar e foi homenageado em vida com seu nome dado ao auditório que ajudou a construir. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;Depoimento do Moacyr Scliar sobre o Clube: &lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: italic; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;O Clube de Cultura foi um marco importante na história da comunidade judaica de Porto Alegre, e na própria história da cidade e do Estado. Era uma entidade "progressista", quer dizer, seus membros eram simpatizantes do Partido Comunista, gente que via na arte e na cultura fatores de transformação social. Daí porque o Clube tinha um amplo programa de atividades: palestras, apresentações teatrais, exposições... No meu caso, a ligação tinha um componente afetivo muito forte: durante anos a figura chave no Clube foi meu tio, Henrique Scliar, pai do pintor Carlos Scliar e do fotógrafo Salomão Scliar. Tio Henrique era um homem de extraordinária cultura e dedicação: quando da construção do Clube muitas vezes ele trabalhou lado a lado com os operários. O fim do sonho comunista foi um golpe para a instituição. Mas o sonho que ela representava permanece vivo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;O Clube de Cultura sai do circuito cultural nos anos 90 e atualmente é frequentado por jovens de pré-vestibular em razão as palestras oferecidas. A presença Judaica no clube hoje é quase rara porque o clube foi afastando-se da comunidade e o vinculo que ele tinha se dava por uma cultura judaica que foi morrendo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;A democratização da cultura continua sendo aquele ideal iluminista “quanto mais o povo ter acesso a cultura menos ele será manipulado”. E a grande premissa não é ser um espaço de mero consumo, mas um espaço de produção cultural.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space: pre;"&gt; &lt;/span&gt;A cidade precisa investir em cultura de qualidade e em lugares deste tipo que a oferecem. O fortalecimento do Clube de Cultura é deveras importante.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0pt; margin-top: 0pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;Quer se associar? Simples, vá até o clube que fica na Rua Ramiro Barcelos 1853, e se torne sócio! A mensalidade fica em torno dos 20 reais e dá direito ao associado frequentar as atividades promovidas pelo clube livremente e tem descontos nas promovidas na sede por outras entidades&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;Quer saber mais? Dê uma olhada no blog &lt;/span&gt;&lt;a href="http://clubedecultura.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;clubedecultura.blogspot.com/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;Quer saber sobre atividades? Mande um email &lt;/span&gt;&lt;a href="mailto:clubedecultura@gmail.com"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;clubedecultura@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;O importante é frequentá-lo e manter viva essa história! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;Agradecimento ao Clube de Cultura por abrir suas portas e ao Airan por me conceder à entrevista.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: transparent; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif;"&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="white-space: pre-wrap;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: transparent; font-style: normal; font-weight: normal; text-decoration: none; vertical-align: baseline; white-space: pre-wrap;"&gt;Melissa Berny&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-515623292809195077?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/515623292809195077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=515623292809195077' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/515623292809195077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/515623292809195077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/11/clube-da-cultura-melissa-berny.html' title='Clube da Cultura - Melissa Berny'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-5699899100266346001</id><published>2010-11-05T21:15:00.001-07:00</published><updated>2010-11-05T21:15:21.874-07:00</updated><title type='text'>Do Bom Fim a Praga, Paris e de volta ao Bom Fim</title><content type='html'>Do Bom Fim a Praga, Paris e de volta ao Bom Fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por Moacyr Scliar -- Publicado em 05/11/2010 14:11&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do Bom Fim a Praga, a Paris de volta ao Bom Fim &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Escritor Moacyr Scliar, membro da Academia Brasileira de Letras, acaba de retornar de uma maratona literária internacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vocês não imaginam o que é disputado o mercado francês. São centenas de lançamentos semanais e pouco espaço nas livrarias para expor tudo. Só fica na vitrine o que é muito importante." Ivan Pinheiro Machado, L&amp;PM Editores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início de outubro último a Clínica Literária noticiou com exclusividade que o escritor estaria viajando para Praga, a convite da Embaixada do Brasil e da Universidade Carolina de Praga (a mais antiga da Europa Central, fundada em 1348) para a palestra "Kafka na Liteturatura Brasileira" (influência do escritor Tcheco Franz Kafka na literatura brasileira) a ser realizada em 11 de outubro de 2010. A palestra de Scliar foi parte da sequência de eventos comemorativos da Embaixada do Brasil em Praga por ocasião dos 188 anos da Independência do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A missão diplomática brasileira convidou professores e alunos dos cursos superiores de  língua portuguesa e espanhola na República Tcheca (além da própria Universidade Carolina, da Universidade Palacky, cidade Olomouc , da Universidade Hradec Králové, da cidade de mesmo nome, da Universidade Masaryk, da cidade de Brno, e da Universidade de Economia de Praga), como também diretores dos institutos Camões e Cervantes, além de integrantes do Corpo Diplomático Ibero-Americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Praga, Scliar viajou para Paris, para o lançamento de seu mais recente livro La Guerre de Bom Fim, e então para Lyon, como palestrante da jornada de literatura latino-americana tradicionalmente conhecida como "Belles Latinas". De volta ao Bom Fim, bairro tradicional de Porto Alegre, a tempo de prestigiar a maior Feira do Livro a céu aberto das Américas, Scliar atualiza a Clínica Literária com seu depoimento sobre, bem..., melhor entregar a pena ao próprio (publicado na Zero Hora em 19/10/2010):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta a Praga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moacyr Scliar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive em Praga pela primeira vez em 1978. Ia em busca da cidade de Franz Kafka, e cidade de Franz Kafka Praga era, sombria como a literatura do grande escritor. Era inverno; a temperatura era de dezessete graus negativos, o sol nunca aparecia. E era o auge do estalinismo; o clima emocional correspondia ao clima meteorológico: pessoas tristes, caladas, ruas escuras, mal-iluminadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas lojas, pouca coisa para comprar; as prateleiras estavam vazias. O que, contudo, correspondia a uma certa lógica, como me explicou um livreiro que parecia sincero em seu  comunismo. Numa economia planificada, argumentava,  destinada a atender exclusivamente às necessidades da população, não poderia haver artigos sobrando. De qualquer modo aquilo parecia, ao menos para quem estava acostumado à economia de mercado, ao neon da publicidade e às ofertas de produtos diversos, algo estranho, para dizer o mínimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Submarino.com.br&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta estranheza chegou ao auge quando, no embarque para a viagem de volta, o segurança do aeroporto deteve-me e revistou minuciosamente minha mala. Por que o fazia? Se eu estivesse entrando no país, poderia estar trazendo contrabando; mas eu estava saindo, o que importava ao homem minha bagagem? De repente, dei-me conta; ele estava em busca de material subversivo, aquilo que à época era conhecido pelo termo russo de “samizdat”, livros e folhetos contra o regime, que eu poderia estar contrabandeando para o mundo capitalista. Felizmente eu não tinha nenhum “samizdat”, o que teria representado um sério problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana passada voltei a Praga, a convite da Universidade Carolina, a mais antiga da Europa Oriental. Tratava-se de um evento promovido por nossa embaixadora na República Tcheca, a dinâmica Leda Lucia Camargo, aliás gaúcha de Porto Alegre. Dei uma palestra sobre Kafka, a América Latina e o Brasil, para um público formado de professores e alunos de literatura brasileira. Visitamos a cidade, minha mulher e eu. De novo foi uma surpresa, desta vez agradável. Para começar os dias eram amenos, ensolarados. E Praga é uma cidade vibrante, que preserva seu passado histórico e artístico, mas está voltada para o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quantidade de atrações culturais é incrível. No passado, Kafka era um escritor semi-marginalizado pelo regime; agora é uma presença constante – existe inclusive um Museu Kafka, que reconstitui a trajetória desse grande escritor, que morreu cedo, sem ter sua obra reconhecida. Um homem esmagado pelo conflito com o pai, um homem que jamais conseguiu manter uma relação estável com mulheres e que, ao perecer vitimado pela tuberculose, pediu ao amigo Max Brod que destruísse seus originais (coisa que Brod felizmente não fez). Se Kafka fosse nosso contemporâneo, talvez tivesse tido um destino diferente; no divã do psicanalista (em sua época Freud estava ainda no começo da carreira) poderia ter compreendido melhor os seus problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta, obviamente ociosa, é se não teria produzido então outro tipo de literatura, menos deprimente mas também menos genial. Uma literatura, digamos, mais 2010 e menos 1978. Não temos como responder a esta questão. A história das pessoas, como a história da humanidade, às vezes toma rumos inesperados. E isso, que pode ser não raro angustiante, representa o desafio do qual, no caso de Kafka, resultou uma grande literatura. Sombria, como é o clima psicológico sob o autoritarismo, mas mesmo assim grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um Scliar com sotaque francês&lt;br /&gt;quarta-feira, 27 outubro 2010, pulbicado por Ivan Pinheiro Machado, o PM da L&amp;PM Editores, uma das casas do autor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;No charmoso Boulevard Saint Germain ainda restam duas grandes livrarias tipo aquelas de antigamente; “La Hune” e, 20 metros depois, “L’Ecume des Pages”, ambas no próprio boulevard, quase esquina com rue Saint Benoit. Entre elas, fica o “Flore”, onde Sartre lia os jornais todos os dias pela manhã e à noite Picasso desfilava com suas incontáveis namoradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Estas livrarias resistem bravamente ao excesso de glamourização do bairro, tomado por Giorgio Armanis, Louis Vuittons, Ralph Laurens que foram comprando os pequenos negócios e transformando em grandes lojas fashions. É o caso da célebre livraria “Le Divan”, na esquina de Guillaume Apollinaire com Rue Bonaparte, a uma centena de metros do boulevard. Há poucos anos capitulou diante de uma oferta irrecusável de ninguém menos do que a Dior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estou escrevendo tudo isto para dizer que Moacyr Scliar teve seu livro “A Guerra do Bom Fim” (editado no Brasil pela L&amp;PM) publicado na França pela Éditions Folies d’Encre, traduzida por Philippe Poncet. Vocês não imaginam o que é disputado o mercado francês. São centenas de lançamentos semanais e pouco espaço nas livrarias para expor tudo. Só fica na vitrine o que é muito importante. Pois eu estive tanto na “La Hune” como na “L’Ecume des pages”. E “La Guerre de Bom Fim” estava orgulhosamente nas duas vitrines. Ambos merecem esta honraria; o livro, porque é maravilhoso, e o doutor Scliar porque, além de ser um grande escritor é um cara muito legal. (IPM)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-5699899100266346001?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/5699899100266346001/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=5699899100266346001' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/5699899100266346001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/5699899100266346001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/11/do-bom-fim-praga-paris-e-de-volta-ao.html' title='Do Bom Fim a Praga, Paris e de volta ao Bom Fim'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-1866615490304557849</id><published>2010-11-05T21:06:00.001-07:00</published><updated>2010-11-05T21:06:52.125-07:00</updated><title type='text'>A leitura como aventura e paixão</title><content type='html'>A leitura como aventura e paixãoCarta na Escola5 de novembro de 2010 às 16:36hO professor nunca deve proibir um livro. Mesmo que a obra seja ruim ou inadequada, a missão do educador é fazer o aluno entender os motivos dissoPor Moacyr ScliarO romance de Ray Brad-bury, Fahrenheit 451, publicado em 1953, fala-nos de  um futuro em que opiniões pessoais e o pensamento crítico são considerados coisas perigosas e no qual  todos os livros são proibidos e queimados: o número 451 do título refere-se à temperatura (em graus Fahrenheit) na qual o papel pega fogo. Trata-se, obviamente de ficção, mas houve momentos em que essa ficção expressou a realidade. A censura acompanhou como um sombrio espectro boa parte da história da humanidade. O próprio termo “censor”, que é latino, data do século quinto antes de Cristo, quando o Império Romano delegou a funcionários a tarefa de moldar o caráter das pessoas. Mas não só em Roma acontecia isso; na Grécia clássica, em 399 a.C., o filósofo Sócrates foi condenado à morte por difundir entre jovens ideias consideradas perigosas. Desde então, não foram poucos os regimes totalitários que prenderam ou mataram aqueles que ousavam contestá-los.A partir da invenção da imprensa, por Johannes Gutenberg, no século XV, o livro impresso passou a ser um alvo preferencial nesse processo. Já em 1559, a Igreja estabelecia o Index Librorum Prohibitorum, a lista de livros que os fiéis não podiam ler, e que teve mais de 20 edições, antes de ser definitivamente suprimida em 1966. As autoridades civis exerciam poder semelhante; em 1563, o rei Carlos IX, da França, baixou decreto estabelecendo que nenhuma obra podia ser impressa sem permissão do rei. Nos séculos que se seguiram, e sob várias formas e pretextos, livros foram proibidos e até queimados, como aconteceu na Alemanha nazista. Os motivos, ou pretextos, eram de várias ordens: morais, políticos, militares. Nos Estados Unidos, em vários lugares e por várias instituições, foram censurados livros como Chapeuzinho Vermelho (numa das versões a menina oferece vinho para a sua avó), Alice no País das Maravilhas (os animais falam com linguagem humana), a coleção Harry Potter (supostamente promove bruxaria). Numa época, direções de escolas no Rio Grande do Sul proibiram os livros de Erico Verissimo, porque achavam ser imorais.No Brasil, tivemos um período de censura severa, quando do regime autoritário (1964-1985). As razões apresentadas não raro beiravam o ridículo; numa exposição de “material subversivo” apreendido em Porto Alegre, havia um livro com a seguinte legenda: “Obra esquerdista em chinês”. Era uma Bíblia em hebraico. Mais recentemente, e nas escolas, surgiram problemas com livros que narravam cenas de sexo e de violência, às vezes selecionados por técnicos da área educacional. Por outro lado, sabemos que a disseminação da pornografia e da violência é cada vez mais frequente. E isso sem falar na questão do politicamente correto, que procura evitar palavras ou expressões potencialmente ofensivas a grupos étnicos ou religiosos, ou a opções sexuais.  Pergunta: o que devem fazer os pais e educadores diante dessa situação?Creio que uma expressão consagrada pela saúde pública aqui se aplica perfeitamente: é melhor prevenir do que remediar. E isso por uma simples razão: é tão grande o volume de informações atualmente disseminadas, não só por livros, mas também pela internet, por vídeos, pela própria tevê, que é impossível evitar o acesso de crianças e jovens a esse material. O melhor é prepará-los para que possam identificar os potenciais riscos que estão ocorrendo. Mas há um aspecto adicional. Esses riscos não são como os do fumo ou das drogas, substâncias sempre nocivas, e que, em qualquer dose, envenenam o organismo. O material veiculado pelos meios de comunicação pode se transformar numa fonte de aprendizado. É como vacinar uma pessoa: ela é inoculada com germes inativos e seu organismo preparará anticorpos que vão defender essa pessoa de doenças. Isso exige um estreitamento dos laços entre pais e professores, de um lado, e os jovens de outro. No caso da tevê, por exemplo, é muito bom que o pai ou a mãe sente ao lado da criança e converse com ela sobre o que aparece na tela. Também é muito bom que os pais leiam para os filhos quando esses ainda são pequenos. Isso, além de introduzir a criança ao mundo dos livros, representará um vínculo emocional que persistirá por toda a vida. O menino e a menina associarão o livro à imagem protetora do pai ou da mãe.Em relação à escola, vale o mesmo raciocínio. Quando um jovem me pergunta que livros deve ler, respondo: “Em primeiro lugar, aqueles que os professores indicam; eles conhecem o assunto, eles têm condições de fazer boas recomendações”. Mas nunca digo que o jovem não deve ler tal ou qual obra, tal ou qual autor. Meu aprendizado como leitor passou por livros que depois considerei tolos ou ruins. Mas isso foi útil para que eu pudesse aprender a formar o meu juízo crítico. Na leitura, a gente avança pelo método de tentativa e erro, de aproximações sucessivas.Em resumo, proibir ou censurar, não. Recomendar, debater, ensinar, sim. Vivemos num mundo cheio de imperfeições e perigos, e o que podemos fazer com nossos filhos e alunos é ensiná-los a navegar por esse mar turbulento, em navios cujas velas são as páginas da grande literatura. Ler é aventura, ler é paixão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-1866615490304557849?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/1866615490304557849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=1866615490304557849' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1866615490304557849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1866615490304557849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/11/leitura-como-aventura-e-paixao.html' title='A leitura como aventura e paixão'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-8998270967756392073</id><published>2010-10-24T10:42:00.001-07:00</published><updated>2010-10-24T10:42:17.491-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O nome da vaca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Moacyr Scliar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Ig Nobel, uma espécie de "Oscar" dos trabalhos científicos mais esdrúxulos do ano, foram premiados, na categoria de medicina veterinária, Catherine Douglas e Peter Rowlinson (Universidade de Newcastle, Reino Unido), por mostrarem que vacas que têm nome dão mais leite do que as que não têm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois eram irmãos, os dois viviam no campo, os dois tinham tambos de vacas leiteiras. Não com o mesmo êxito, porém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tambo do irmão mais velho, Arnulfo, era muito bem-sucedido; produzia cerca de quatro a cinco vezes mais leite que o tambo do irmão menor, Miguel. E isso deixava Miguel frustrado e irritado. Simplesmente não conseguia identificar a razão dessa diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As vacas de ambos os tambos eram da mesma raça, recebiam a mesma ração, os mesmos cuidados, eram assistidas pelo mesmo veterinário. Na hora da ordenha, contudo, as vacas de Miguel davam uma quantidade insignificante de leite. Em busca de uma solução, ele consultou outros criadores, numerosos veterinários e até adivinhos, sempre sem resultado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Miguel era um homem atento, informado. Estava sempre atrás de novidades no ramo leiteiro. Foi assim que leu, na internet, a notícia de um trabalho inglês mostrando um fato surpreendente: vacas que têm nome dão mais leite que vacas anônimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel ficou boquiaberto. Dava-se conta de uma diferença fundamental entre as vacas de seu irmão e as dele. As vacas de Arnulfo todas tinham nomes, e nomes carinhosos: Mimosa, Princesa, Brejeira, Boneca. Nomes ternos, engraçados, nomes que faziam Miguel debochar do mano: para mim você anda tendo casos com suas vaquinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, porém, percebia seu erro, subestimando a psicologia animal. Um erro que corrigiu em seguida: no mesmo dia batizou todas as vacas, usando nomes de antigas namoradas (várias, felizmente). O resultado foi fantástico. Tal como sugerira o trabalho, a produção de leite aumentou astronomicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das vacas revelou-se particularmente produtiva. Na verdade, dava tanto leite que sua fama não tardou a espalhar-se. Se você vendê-la, vai ganhar uma fortuna, sugeriu Arnulfo. E Miguel de fato começou a pensar na possibilidade. Um dia de manhã, contudo, aconteceu algo inesperado. Ele foi ao tambo, e, como de costume, saudou as vacas pelo nome: bom dia, Silvana; bom dia, Daisy...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quando chegou na campeã, constatou, perturbado, que esquecera o nome dela. E não houve jeito de lembrar, nem naquele dia, nem nos dias seguintes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resultado: a vaca não deu mais leite. Em vão, Miguel tentou usar outro nome; não, pelo jeito, ela queria mesmo o original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que ele não consegue lembrar. Lembra, sim, a moça de mesmo nome que havia namorado anos antes, em outra cidade, e que desde então perdera de vista. Namoro curto, porque a garota era muito chata; mas, quando ele anunciou o fim da ligação, ela fez uma ameaça que se revelou profética: um dia, disse, você vai pagar por ter me desprezado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora ele está pagando. Se pudesse, iria em busca da garota. Mas precisaria recordar-lhe o nome. O que está fora de seu alcance: o enigma do nome é o misterioso enigma da vida, que se manifesta em humanos e em vacas. Nos primeiros, pela capacidade de dar nomes; nas vacas, pela produção de leite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-8998270967756392073?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/8998270967756392073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=8998270967756392073' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/8998270967756392073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/8998270967756392073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/10/o-nome-da-vaca-moacyr-scliar-no-ig.html' title=''/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-1508358225254492646</id><published>2010-09-25T14:04:00.001-07:00</published><updated>2010-09-25T14:04:10.466-07:00</updated><title type='text'>Trinta anos sem Vinicius de Moraes</title><content type='html'>&lt;div class="bloco titulo" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #333333; font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 6px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 2px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;h1 style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #7897a9; font-family: Georgia; font-size: 30px; font-style: italic; font-weight: bold; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Moacyr Scliar: Trinta anos sem Vinicius de Moraes&lt;/h1&gt;&lt;h3 class="tipo-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 14px; font-weight: normal; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 4px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Como poeta, não teria meios de ganhar a vida, mas cedo descobriu que poderia colocar seu talento na música&lt;/h3&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="bloco" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #333333; font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 2px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;div class="largura-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; float: left; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline; width: 35.5em;"&gt;&lt;div class="bloco" id="principal" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; padding-right: 1.2em; padding-top: 4px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;big class="tipo-a" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #6faac0; display: block; font-size: 1.1em; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 16px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;MOACYR SCLIAR&lt;/big&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Esta sexta-feira, 9 de julho, assinala um melancólico aniversário: há 30 anos morria Vinicius de Moraes, uma das figuras mais marcantes da cultura brasileira, um talentoso poeta (ou poetinha, como, modestamente, se denominava) e compositor. Carioca, Vinicius teve uma vida movimentada e sob muitos aspectos pitoresca. Era, para começar, um boêmio inveterado, apreciador do uísque, e grande conquistador: casou-se nada menos que nove vezes e teve inúmeros casos. Viveu numa época de grande agitação política, mas sua atuação nessa área foi, às vezes, desconcertante: começou como integralista, a versão cabocla do fascismo europeu, que enganou a ele e a muitos outros: Dom Hélder Câmara, Santiago Dantas, Adonias Filho, José Lins do Rego. Depois tornou-se um esquerdista, mas moderado. De profissão, era diplomata, mas, de novo, não muito atuante; o porteiro de uma das embaixadas onde atuou resumia assim o seu expediente: De manhã não trabalha, de tarde não vem. Em vez de servir no Uruguai, para onde estava designado, ficou no Rio, apresentando-se em botecos, o que deu ensejo à ditadura para cassá-lo. Como poeta, Vinicius certamente não teria meios de ganhar a vida; mas cedo descobriu que poderia colocar seu talento na música, tornando-se parceiro de grande compositores: Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra e, sobretudo, Tom Jobim, com quem compôs Se Todos Fossem Iguais A Você, A Felicidade, Chega de Saudade, Eu Sei Que Vou Te Amar, Insensatez, e, claro, Garota de Ipanema.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Ninguém duvida de que esta canção é um símbolo do Brasil. A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos lista-a entre as 50 principais obras musicais de todos os tempos, e é conhecida em todo o mundo, inclusive pela famosa gravação com Frank Sinatra. Para isso concorreram vários fatores. Em primeiro lugar, o ano em que foi composta, 1962, marcou o auge da bossa nova, importante movimento musical. Depois, era Rio de Janeiro, cidade que deixara de ser capital, mas que continuava sendo o centro artístico e cultural do país. Aliás, Garota de Ipanema tem muitas afinidades com o vibrante Cidade Maravilhosa, da qual é o lado lírico, brejeiro. Porém, mais que Rio, era Ipanema, o bairro mais sofisticado do país, o equivalente brasileiro do Village em Nova York, da Rive Gauche em Paris, de Bloomsbury em Londres. E mais que Ipanema era a garota, a beleza brasileira celebrada de maneira eloquente. Foi inspirada em Helô Pinheiro, uma bela moça que, a caminho da praia, costumava passar pelo Bar Veloso (hoje Bar Garota de Ipanema), onde Vinicius e Tom Jobim faziam ponto.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;A letra inicial, logo abandonada, era um tanto depressiva e não muito brilhante: Vinha cansado de tudo/ De tantos caminhos/ Tão sem poesia/ Tão sem passarinhos/ Com medo da vida/ Com medo de amar... E aí, a grande ideia: em vez de queixumes, de lamentos, a vibrante celebração: Olha que coisa mais linda mais cheia de graça/ É ela a menina que vem e que passa/ Num doce balanço a caminho do mar/ Moça de corpo dourado do sol de Ipanema/ O seu balançado é mais que um poema/ É a coisa mais linda que eu já vi passar...&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Helô Pinheiro deixou de ser garota, e procurou outros caminhos, que não o do mar. Casou (mais de uma vez), tornou-se apresentadora de tevê, empresária e dona de uma cadeia de lojas chamada, claro, Garota de Ipanema - a expressão também figura em destaque em seu blog. Ah, sim, e continua uma bela mulher.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Sua história enseja uma curiosa questão: serão platônicas as grandes paixões? Será que nascem, não na cama, mas na mesa de um bar, brotando do coração de alguém a olhar uma menina que vem e que passa, num doce balanço, a caminho do mar? Uma indagação que o grande Vinicius deixou sem resposta.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;small class="tipo-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #ccb79d; display: block; font-family: Georgia; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 12px; text-align: left; text-transform: uppercase; vertical-align: baseline;"&gt;DONNA ZH&lt;/small&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="adsense-especiais" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="bookmark" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: white; background-image: url(http://www.clicrbs.com.br/especial/icon/book-corpo.gif); background-origin: initial; background-position: 50% 100%; background-repeat: repeat no-repeat; border-bottom-color: rgb(210, 210, 210); border-bottom-style: solid; border-bottom-width: 1px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-color: rgb(210, 210, 210); border-left-style: solid; border-left-width: 1px; border-right-color: rgb(210, 210, 210); border-right-style: solid; border-right-width: 1px; border-style: initial; border-top-color: rgb(210, 210, 210); border-top-style: solid; border-top-width: 1px; float: left; line-height: 12px; list-style-image: initial; list-style-position: initial; list-style-type: none; margin-bottom: 20px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 20px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; position: relative; text-align: left; vertical-align: baseline; width: 349px; z-index: 1 !important;"&gt;&lt;div class="bookmark-topo" style="background-attachment: initial; background-clip: initial; background-color: #eeeeee; background-image: url(http://www.clicrbs.com.br/especial/icon/book-topo.gif); background-origin: initial; background-position: 50% 100%; background-repeat: repeat no-repeat; border-bottom-color: rgb(210, 210, 210); border-bottom-style: solid; border-bottom-width: 1px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-size: 11px; height: 1.5em; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; position: relative; text-align: left; vertical-align: baseline; width: 349px;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-1508358225254492646?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/1508358225254492646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=1508358225254492646' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1508358225254492646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1508358225254492646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/09/trinta-anos-sem-vinicius-de-moraes.html' title='Trinta anos sem Vinicius de Moraes'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-4865815767500662850</id><published>2010-09-25T14:02:00.001-07:00</published><updated>2010-09-25T14:02:42.859-07:00</updated><title type='text'>A velhice maquiada</title><content type='html'>&lt;div class="bloco titulo" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #333333; font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 6px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 2px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;h1 style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #7897a9; font-family: Georgia; font-size: 30px; font-style: italic; font-weight: bold; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Moacyr Scliar: A velhice maquiada&lt;/h1&gt;&lt;h3 class="tipo-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 14px; font-weight: normal; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 4px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Livro lançado nos Estados Unidos ensina aos idosos como não parecer idosos&lt;/h3&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="bloco" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #333333; font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 2px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;div class="largura-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; float: left; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline; width: 35.5em;"&gt;&lt;div class="bloco" id="principal" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; padding-right: 1.2em; padding-top: 4px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;big class="tipo-a" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #6faac0; display: block; font-size: 1.1em; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 16px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;MOACYR SCLIAR&lt;/big&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;O chamado abismo entre gerações só fez se aprofundar nas últimas décadas, em primeiro lugar porque as pessoas estão vivendo mais, o que aumenta a proporção de idosos na população, e depois porque a tecnologia, que não para de avançar, substituiu aquela tradicional sabedoria que tornava os velhos pessoas respeitáveis. A velhice perdeu muito de seu prestígio; mostra-o um livro recentemente aparecido nos Estados Unidos que tem como objetivo exatamente isso: ensinar aos idosos como não parecer idosos.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Intitula-se&amp;nbsp;&lt;em style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;How Not to Act Old&lt;/em&gt;&amp;nbsp;(Como não Agir à Moda dos Velhos, em livre tradução). É obra da jornalista e escritora Pamela Redmond Satran (este sobrenome lembra Satan, e acho que não por acaso, como já veremos). Trata-se de uma ampliação do website hownottoactold.com, pelo jeito muito popular. E suas considerações não se restringem a roupas, dieta, botox e cirurgia plástica; envolvem o estilo de viver e a maneira de falar.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;São dezenas de conselhos, alguns primando pela obviedade. Cuidado com a gíria, diz Ms. Satran, e de fato todo mundo sabe que o uso de gíria antiga é sinal de velhice. Quem usa a expressão azar fresquinho? E saindo um pouco da gíria, quem chama táxi de carro de praça, senão os mais antigos? Se você for convidada para um casamento, não mande fazer vestido novo. Não chore na hora da cerimônia. Para os homens: não fique bêbado. Se vai viajar, não fique ansioso, não chegue no aeroporto três horas antes. Não prepare uma bagagem de quem está emigrando.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Mas Satran vai mais além. Ela também sugere os assuntos sobre os quais se deve e não se deve falar. Menopausa, por exemplo, é assunto tabu. Doença também é. Idosos estão proibidos de falar sobre suas mazelas (diabetes, pressão alta) e sobre a quantidade de medicamentos que estão tomando, um tema aliás, preferencial. Mais: devem evitar conselhos, tipo "vai chover, leve o guarda-chuva".&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Até aí ainda dá para aceitar. Mas há um outro assunto tabu: os netos. A dúvida inevitavelmente emerge: o que farão os avós corujas, que são praticamente todos os avós? Como conseguirão reprimir a vontade de contar a última do netinho ou da netinha, de mostrar as fotos, coisa que, aliás, ficou frequente, agora que todo o mundo têm cameras digitais?&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Mas o livro chega ao clímax quando Sartran formula o seu conselho maior: "Não morra". Logo em seguida, porém, dá-se conta do absurdo - nem os membros da Academia Brasileira de Letras acreditam na imortalidade&amp;nbsp;– e emenda: "Mas, se você morrer, escolha morrer como jovem, não como velho". Exemplo de morte jovem: perecer num desastre de moto. É uma coisa tristemente frequente, como a gente constata pelo noticiário, mas será que alguma pessoa, jovem ou idosa, deveria morrer assim?&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;O pior, porém, é o exemplo que a escritora dá de uma morte de velho: alguém que tem um enfarte fazendo sexo com uma mulher daquelas chamadas de "vida fácil" (espero que esta gíria ainda seja atual). Sartran vê isso como uma coisa vergonhosa e em muitos casos certamente é, mas, convenhamos, é algo que mostra um apego à existência, uma verdadeira celebração do instinto vital, que, sendo instinto, escapa à classificações moralistas.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Ao final do livro, a gente fica se perguntando: valem a pena todas essas precauções? Será que não é melhor assumir a idade que a gente tem, e que, apesar de tudo, traduz uma verdade? Será que os idosos terão de fingir para serem aceitos pelos mais jovens? Se a resposta for afirmativa, não podemos escapar à conclusão de que a autenticidade passou para um segundo plano. E isso não é uma boa. Que pessoas de idade aprendam a usar o computador, que façam esporte, que cuidem da aparência, que aprendam a andar de moto, tudo bem. Mas que renunciem à sua própria vida, à sua identidade, essa não. Os livros de autoajuda têm de arranjar um assunto melhor. Como diz a resenha do jornal Independent, a autora esqueceu só uma coisa: não existe nada mais velho do que ficar se preocupando em como evitar a aparência de velhice.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;small class="tipo-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #ccb79d; display: block; font-family: Georgia; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 12px; text-align: left; text-transform: uppercase; vertical-align: baseline;"&gt;DONNA ZH&lt;/small&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-4865815767500662850?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/4865815767500662850/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=4865815767500662850' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4865815767500662850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4865815767500662850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/09/velhice-maquiada.html' title='A velhice maquiada'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-8551870682831355502</id><published>2010-09-25T14:01:00.001-07:00</published><updated>2010-09-25T14:01:28.990-07:00</updated><title type='text'>Astúcia, inteligência, sabedoria</title><content type='html'>&lt;div class="bloco titulo" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #333333; font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 6px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 2px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;h1 style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #7897a9; font-family: Georgia; font-size: 30px; font-style: italic; font-weight: bold; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Moacyr Scliar: Astúcia, inteligência, sabedoria&lt;/h1&gt;&lt;h3 class="tipo-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 14px; font-weight: normal; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 4px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Quando se trata de salvar a pele, o melhor mesmo é a astúcia&lt;/h3&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="bloco" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #333333; font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 2px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;div class="largura-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; float: left; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline; width: 35.5em;"&gt;&lt;div class="bloco" id="principal" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; padding-right: 1.2em; padding-top: 4px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;No interessante&amp;nbsp;&lt;em style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Onde Encontrar a Sabedoria?&lt;/em&gt;&amp;nbsp;(Ed. Ponto de Leitura), o respeitado crítico norte-americano Harold Bloom observa que, ao longo do tempo, as pessoas sempre recorreram aos livros e aos autores famosos com o objetivo de se tornarem mais sábias. Leitura, esse era o raciocínio, pode ser uma coisa difícil, mas o esforço valeria a pena se, como resultado, a pessoa se tornasse mais sábia. Cabe, contudo, a pergunta: será que este é um sonho comum à humanidade? Será que todos nós queremos a sabedoria? Será que no Brasil, em particular, é este um ideal?&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Tenho minhas dúvidas. Sabedoria é uma condição que resulta de uma profunda compreensão do mundo e da condição humana. Nós não nascemos sábios, não nascemos com esta compreensão; temos de adquiri-la através da vida, e isso se faz mediante conhecimento (daí a necessidade da leitura) mas também graças ao "insight", o "conhece-te a ti mesmo", de Sócrates, mediante o qual aprendemos a não nos deixarmos iludir por nossa arrogância, a reconhecer nossas limitações e defeitos, a pensar e a agir de forma serena e desapaixonada. Agir, sim; sabedoria não é só pensar bem, não é só ter conhecimento e entender as coisas. Sabedoria é agir bem, resolvendo os problemas de forma eficaz, mas de forma ética, decente.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Um componente importante da sabedoria é a inteligência, a palavra que vem do latim e quer dizer entendimento. A pessoa inteligente entende, mediante o raciocínio e a experiência, as coisas, mesmo complexas. É uma habilidade que, diferente da sabedoria, pode ser avaliada, e até quantificada; daí os testes de inteligência, incluindo o famoso QI, quociente de inteligência, aliás objeto de controvérsia nos últimos anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Ser inteligente não é ser sábio: na sabedoria o furo está mais acima. A pessoa inteligente nem sempre age bem; a história da humanidade está cheia de vigaristas que aplicavam e aplicam golpes inteligentíssimos (os hackers, por exemplo). No fim essas pessoas se dão mal, exatamente porque lhes falta esse conhecimento maior que é a sabedoria.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Isso é ainda mais verdadeiro no caso da astúcia, que não é sabedoria nem inteligência. É uma coisa menos sofisticada, mais primitiva, daí porque, nas fábulas, é simbolizada por um animal, a raposa. A raposa não é sábia nem inteligente; a raposa é astuta. Astúcia é a habilidade de enganar; astúcia é manha, esperteza. Zélia Duncan diz isso na letra de uma música: Astúcia, astúcia/O que te faltou foi astúcia/Pra roubar meu coração faltou muito pouco/Era só ter procurado no outro bolso. Astucioso é o cara que procura no outro bolso; é o cara que sabe como roubar. Isso explica por que a astúcia é ainda tão valorizada no Brasil: porque representa uma maneira fácil de conquistar as coisas, de subir na vida. Se vocês perguntarem a alguém como se ganha eleições, se com sabedoria, com inteligência ou com astúcia, a pessoa certamente optará por esta última alternativa, atrás da qual estão séculos de safadeza e de corrupção. Mas é que as duras condições da vida em nosso país, a pobreza, a desigualdade, deixaram esta lição: para sobreviver é preciso ser astuto, esperto. É muito glamouroso ser inteligente, é digna de admiração a pessoa sábia; mas, quando se trata de salvar a pele, o melhor mesmo é a astúcia.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Compreensível. Mas não satisfatório. Nós só chegamos à verdadeira maturidade quando a astúcia reconhece a importância da inteligência e quando esta é um recurso para atingir a sabedoria. Um Brasil sábio deveria ser o nosso objetivo maior.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;small class="tipo-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #ccb79d; display: block; font-family: Georgia; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 12px; text-align: left; text-transform: uppercase; vertical-align: baseline;"&gt;DONNA ZH&lt;/small&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-8551870682831355502?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/8551870682831355502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=8551870682831355502' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/8551870682831355502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/8551870682831355502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/09/astucia-inteligencia-sabedoria.html' title='Astúcia, inteligência, sabedoria'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-3107149160017893795</id><published>2010-09-25T13:57:00.003-07:00</published><updated>2010-09-25T13:57:55.858-07:00</updated><title type='text'>Conflito e conciliação</title><content type='html'>&lt;div class="bloco titulo" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #333333; font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 6px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 2px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;h1 style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #7897a9; font-family: Georgia; font-size: 30px; font-style: italic; font-weight: bold; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Moacyr Scliar: Conflito e conciliação&lt;/h1&gt;&lt;h3 class="tipo-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 14px; font-weight: normal; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 4px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;O bom senso nem sempre está disponível em nossas cabeças&lt;/h3&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="bloco" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #333333; font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 2px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;div class="largura-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; float: left; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline; width: 35.5em;"&gt;&lt;div class="bloco" id="principal" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; padding-right: 1.2em; padding-top: 4px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;big class="tipo-a" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #6faac0; display: block; font-size: 1.1em; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 16px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;MOACYR SCLIAR&lt;/big&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Conciliação e conflito representam importante binômio em nossas vidas, correspondendo mais ou menos ao Eros e Tanatos de Freud, o instinto da vida e o instinto da morte; ou, na mitologia, a Venus e Marte, amor e agressividade. Em seu 37º ano, o Fantástico acertou em cheio ao introduzir, em abril desse ano, um quadro chamado exatamente assim, O Conciliador, apresentado por Max Gehringer. Que parte de uma necessidade bem real. Tramitam, na sobrecarregada justiça brasileira, cerca de 70 milhões de processos, 80% dos quais poderiam ser resolvidos mediante simples bom senso. Acontece que esse bom senso nem sempre está disponível em nossas cabeças. É preciso mobilizá-lo, e é isso que o Fantástico se propõe a fazer desde abril desse ano.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Que o consegue mostrou-o o programa do domingo, 8 de agosto. O caso era daqueles que, dependendo da maneira como é contado, deixa as pessoas revoltadas. Um rapaz atravessava uma movimentada avenida no centro de São Paulo, pela faixa de segurança, quando um carro atropelou-o. O jovem foi jogado à distância e teve uma fratura complicada de clávicula, o que levou a uma imobilização prolongadas. O motorista teria ido embora sem prestar ajuda à vítima.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Nossa reação, ao ouvir uma história assim, é de indignação: esse motorista é um bandido, deveria apodrecer na cadeia para aprender a respeitar os outros. Mas seria mesmo o homem esse bandido sanguinário?&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Ele foi trazido ao programa, junto com a mãe do jovem. Não parecia bandido nenhum. Ao contrário, a câmera mostrava um homem de meia idade, humilde, assustado. Um pintor, residente em Embu, cidadezinha conhecida como reduto de artistas em São Paulo. E a história que contou foi diferente. Não, não tinha furado o sinal, que estaria aberto para ele. E sim, teria se oferecido para ajudar o rapaz. Já a mãe deste, entrevistada antes da "audiência de conciliação", declarou que estava chocada pelo que considerou um descaso com a vida de seu filho.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Uma situação dessas poderia se transformar num bate-boca perpétuo. Mas o contexto era conciliador, e isso funcionou. Mais: transformou-se num processo de catarse que chegou ao clímax quando o homem começou a chorar. Já não era possível vê-lo como um tipo cruel, agressivo; não, quem estava ali era um homem angustiado, sofredor. Da mesma maneira mudou a mãe do adolescente. Ela não queria dinheiro, não queria indenização; queria justiça e propôs que o pintor prestasse serviço comunitário, o que ele aceitou. No final os dois se abraçaram: aquele final feliz que a gente só via nos antigos filmes de Hollywood e que em nosso mundo violento parece uma impossibilidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Como foi possível essa conciliação? Em primeiro lugar, por causa do contexto em que ocorreu. Era um estúdio da Globo, havia pessoas promovendo a conciliação diante de câmeras que representam a opinião pública e que funcionam como uma espécie de super-ego. Mais: se aquelas duas pessoas haviam aceitado comparecer ao programa, era porque previamente se dispunham a fazer as pazes. Talvez, na vida real, não seja tão fácil conciliar as pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Mas é uma possibilidade. E a simples possibilidade de conciliação é a coisa que deveríamos sempre ter presente em nossos corações e mentes, nem que seja sob a forma de uma pergunta: será que eu não poderia resolver esta pendência (seja uma questão de negócios, seja um problema familiar, seja uma discussão entre vizinhos) de outra maneira? Será que não poderíamos chegar a um acordo bom para todo o mundo?&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;A resposta certamente é positiva. E data de muito tempo; desde aquela época em que a expressão "Paz na terra às pessoas de boa vontade" foi incorporada à história da humanidade. É verdade que a frase começava com um "Glória a Deus". Mas isso está implícito: Deus certamente se sente glorificado quando as pessoas vivem em paz.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;em style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Registro, sobre vários temas que aqui tenho abordado, as mensagens de Ney Machado, Maria Augusta Xavier da Silveira, Jurema Josefa, Carlos Pinent, Julio Werne Xavier Abel, Dr. Luiz Carlos Capssa Lima, Dr.Jorge Omar, Aino Jacques, Ana Nunes, Moina M.Fairon Rech, Dr.Renato Anicet (grande jogador de basquete), Cristiane Moro dos Santos, Gustavo T.do Nascimento, Marisa Fresino, Cristiane Klamt Kuhn, Luiz Baú, Tarcisio R.Ruschel, Waldomiro Minella, Lotario Neschling, Leomar Veiga, Dr.Fernando Luiz Brauner, Felipe dos Santos Machado, Regis R.Baldino, Israel Rahal, Dr. Jorge Montardo, Wagner Carlos, Loila Matos, João Gregol. Gente inteligente e sensível.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;small class="tipo-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #ccb79d; display: block; font-family: Georgia; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 12px; text-align: left; text-transform: uppercase; vertical-align: baseline;"&gt;DONNA ZH&lt;/small&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-3107149160017893795?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/3107149160017893795/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=3107149160017893795' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3107149160017893795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3107149160017893795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/09/conflito-e-conciliacao.html' title='Conflito e conciliação'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-6985270639889484615</id><published>2010-09-25T13:57:00.001-07:00</published><updated>2010-09-25T13:57:17.993-07:00</updated><title type='text'>Enfrentando o General Inverno</title><content type='html'>&lt;div class="bloco titulo" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; clear: both; color: #484848; font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 6px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 2px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;h1 style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #347a72; font-family: Georgia, Verdana, Geneva, Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 28px; font-style: italic; font-weight: bold; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Moacyr Scliar: Enfrentando o General Inverno&lt;/h1&gt;&lt;h3 class="tipo-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #347a72; font-size: 1.3em; font-weight: normal; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 4px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;/h3&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="bloco" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; clear: both; color: #484848; font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 2px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;div class="largura-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; float: left; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline; width: 35.5em;"&gt;&lt;div class="bloco" id="principal" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; clear: both; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; padding-right: 1.2em; padding-top: 4px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-size: 1.1em; line-height: 1.3em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Segundo a música de Jorge Ben, moramos num país tropical, um país onde o calor deveria ser a regra. Mas, ao menos no Sul, não é. Ondas de frio podem baixar brutalmente a temperatura, como vimos nesta semana. Pessoas morreram, provavelmente por hipotermia, uma condição que ocorre quando a temperatura corporal fica abaixo de 35°C.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestas condições surgem tremores, arritmias cardíacas, cianose (coloração arroxeada da pele) e, muito perigoso, confusão mental; desorientada, a pessoa não sabe o que está fazendo, e muitas vezes tira a roupa, agravando sua situação. O metabolismo fica lento, e a morte pode ocorrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que causa a hipotermia? A exposição ao frio, claro, mas há fatores que agravam esse efeito: a idade (quanto mais idosa a pessoa, pior); o consumo do álcool, que dilata os vasos, faz com que a pessoa perca calor, mas dando a sensação de “aquecimento”; a proteção inadequada contra o frio, tanto nas casas (aqui no Rio Grande do Sul não acreditamos em calefação) quanto nas roupas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A hipotermia sempre foi muito comum entre os sem-teto, mas pode ocorrer em qualquer pessoa que faça, por exemplo, esportes ao ar livre. Portanto, atenção, caminhantes e corredores: abriguem-se. Roupas de lã e fibra sintética são preferíveis ao algodão, porque aquecem mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tratamento da hipotermia, o reaquecimento é básico: imersão em água quente (cerca de 45°C), bolsas de água quente, em geral colocadas nas axilas, hidratação, medicamentos. Curiosamente, a hipotermia é usada em medicina, exatamente porque retarda o metabolismo, e isto pode ser necessário em situações nas quais o funcionamento do organismo está agudamente prejudicado: por exemplo, em casos de parada cardíaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em animais, a hibernação, que tem o mesmo efeito, ocorre durante os meses frios, diminuindo as necessidades calóricas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No passado, a baixa temperatura devastava tropas que faziam campanha militar durante os meses frios. Aníbal, no segundo século a.C., perdeu metade de seus soldados na guerra contra Roma; e na Rússia Napoleão Bonaparte foi derrotado pelo “General Inverno”. Que pode ser impiedoso. Mas com bom senso a gente o vence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-size: 1em; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Coluna publicada no caderno Vida deste sábado&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;small class="tipo-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #999999; display: block; font-size: 1.1em; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 12px; text-align: left; text-transform: uppercase; vertical-align: baseline;"&gt;ZERO HORA - VIDA&lt;/small&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="bloco" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; clear: both; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; padding-right: 1.2em; padding-top: 4px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;div class="box-comentarios" style="background-color: #e8e8e8; border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; float: left; line-height: 1em; margin-bottom: 8px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 2px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 4px; text-align: left; vertical-align: baseline; width: 343px;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-6985270639889484615?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/6985270639889484615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=6985270639889484615' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/6985270639889484615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/6985270639889484615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/09/enfrentando-o-general-inverno.html' title='Enfrentando o General Inverno'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-1621259118631053604</id><published>2010-09-25T13:56:00.003-07:00</published><updated>2010-09-25T13:56:58.633-07:00</updated><title type='text'>O pai adolescente</title><content type='html'>&lt;div class="bloco titulo" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #333333; font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 6px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 2px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;h1 style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #7897a9; font-family: Georgia; font-size: 30px; font-style: italic; font-weight: bold; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Moacyr Scliar: O pai adolescente&lt;/h1&gt;&lt;h3 class="tipo-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 14px; font-weight: normal; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 4px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Somos pais de nossos filhos, mas somos também os irmãozinhos deles&lt;/h3&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="bloco" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #333333; font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 2px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;div class="largura-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; float: left; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline; width: 35.5em;"&gt;&lt;div class="bloco" id="principal" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; padding-right: 1.2em; padding-top: 4px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Esses dias apareceu na tevê uma reportagem sobre adolescentes, rapazes e meninas, que, de repente, se tornam pais e mães: uma tragédia psicológica e social resultante do descompasso entre a biologia e a maturidade emocional, um descompasso que se torna cada vez maior, na medida em que aumenta a expectativa de vida e expande-se aquele período que conhecemos como adolescência. Quando, por descuido, por imprevidência, ou até por uma questão de desafiadora auto-afirmação os jovens não adotam precauções para evitar a gravidez, veem-se de repente confrontados com uma realidade que faz parte da vida mas que, antecipada, adquire o caráter de problema, quando não de desastre.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Foi entrevistado no programa um rapaz de 16 anos, não identificado (seu rosto, como manda a legislação, aparecia desfocado), mas que, mesmo assim, falou sobre sua condição de pai estreante e involuntário. Seu tom era uma mistura de resignação, de perplexidade, mas, curiosamente, também de alegria, modesta alegria: afinal de contas, a paternidade é uma realização, e, para gente pobre, por vezes é uma das poucas realizações possíveis. De qualquer maneira, ele parecia otimista: vou arranjar emprego, disse, vou trabalhar, vou criar meu filho. Ou seja: a natureza estava falando mais alto, o instinto de paternidade já estava nele se manifestando. Mas isso é apenas o começo de uma longa história, feita de noites sem dormir, de momentos de angústia (criança doente assusta qualquer pai), de preocupações. E junto, o júbilo que nasce do primeiro sorriso, do primeiro passo, da primeira palavra. No caso desse rapaz, a paternidade tem um outro significado. Ele está dando adeus à própria infância, está dando adeus à sua juventude. Adeus, skate. Adeus, baladas. Adeus, colégio. Eu agora sou um pai. Sou um senhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;É? É mesmo um senhor? Um senhor pai? Será que ele não vê no bebê antes um irmãozinho, talvez o irmão que não teve? E será que o filho também não o verá da mesma maneira? Afinal, a imagem paterna sempre está associada à de um homem velho; o próprio Deus-Pai é representado assim, um senhor idoso, longa barba branca. Pai jovenzinho não é bem pai.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Mas isso, convenhamos, não tem importância: acontece em maior ou menor grau com todos os pais e filhos. Somos pais de nossos filhos, mas somos também os irmãozinhos deles (e às vezes, quando doentes ou senis, os filhos deles): velhos, mas meninos, velhos-meninos. E volta e meia regressamos à infância; por exemplo, quando recebemos o presente de Dia dos Pais. Por um momento recuperamos a alegria que tínhamos quando, rapazinhos, soprávamos as velas do bolo de aniversário.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Mas só por um momento. Em seguida a hierarquia se restabelece. Em seguida nos tornamos de novo pais. E dizemos, ao abrir o presente: "Ora, não precisava, eu já tenho chinelos iguais a esse." E rapidamente viramos o rosto, para que o nosso filho não veja as lágrimas do gurizinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;small class="tipo-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #ccb79d; display: block; font-family: Georgia; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 12px; text-align: left; text-transform: uppercase; vertical-align: baseline;"&gt;DONNA ZH&lt;/small&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-1621259118631053604?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/1621259118631053604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=1621259118631053604' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1621259118631053604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1621259118631053604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/09/o-pai-adolescente.html' title='O pai adolescente'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-6123986302568345297</id><published>2010-09-25T13:56:00.001-07:00</published><updated>2010-09-25T13:56:30.338-07:00</updated><title type='text'>Moacyr Scliar: Uma estranha, e admirável,mulher</title><content type='html'>&lt;div class="bloco titulo" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #333333; font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 6px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 2px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;h1 style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #7897a9; font-family: Georgia; font-size: 30px; font-style: italic; font-weight: bold; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Moacyr Scliar: Uma estranha, e admirável,mulher&lt;/h1&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;h3 class="tipo-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 14px; font-weight: normal; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 4px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;A vida de Florence Nightingale, a criadora da moderna enfermagem, daria um romance&lt;/h3&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="bloco" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #333333; font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 2px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;div class="largura-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; float: left; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline; width: 35.5em;"&gt;&lt;div class="bloco" id="principal" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; padding-right: 1.2em; padding-top: 4px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Este agosto assinala o centenário de falecimento de uma mulher cuja trajetória foi absolutamente fascinante. Estamos falando de Florence Nightingale (1820 1910), a criadora da moderna enfermagem (por causa dela este é também o Ano Internacional da Enfermagem, uma categoria que merece entusiásticos aplausos), e cuja vida, como se costuma dizer, daria um romance. Era de família próspera; os Nightingale viajavam constantemente pela Europa, o que aliás explica o seu nome: nasceu em Florença, a segunda das duas filhas do casal. Os pais eram pessoas religiosas, gente tradicional: Florence estava destinada a receber uma boa educação, a casar com um cavalheiro de fina estirpe, a ter filhos, a cuidar da casa e da família. Mas logo ficou claro que a menina não se conformaria a esse modelo. Era diferente; gostava de matemática, e era o que queria estudar (os pais não deixaram). Aos 16 anos, algo aconteceu: Deus falou-me escreveu depois e convocou-me para servi-lo. Um episódio que poderia caracterizá-la como uma mística, mas, diz o historiador Lytton Strachey, a moça estava longe de ser uma beata desligada da realidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Servir a Deus significava, para ela, cuidar dos enfermos, e especialmente dos enfermos hospitalizados. Naquela época, os hospitais curavam tão pouco e eram tão perigosos (por causa da sujeira, do risco de infecção) que os ricos preferiam tratar-se em casa. Hospitalizados eram só os pobres, e Florence preparou-se para cuidar deles, praticando com os indigentes que viviam próximos à sua casa. Viajou por toda a Europa, visitando hospitais. Coisa que os pais não viam com bons olhos: enfermeiras eram consideradas pessoas de categoria inferior, de vida desregrada. Mas Florence foi em frente e logo surgiu a oportunidade para colocar em prática o que aprendera. Naquela época, Inglaterra e França enfrentavam Rússia e Turquia na guerra da Crimeia. Sidney Herbert, membro do governo inglês e amigo pessoal, pediu-lhe que chefiasse um grupo de enfermeiras enviadas para o front turco, uma tarefa a que Florence entregou-se de corpo e alma: cuidava incansavelmente dos pacientes, percorrendo enfermarias à noite; era a "dama da lâmpada", segundo a expressão do Times de Londres. Florence providenciava comida, remédios, agasalhos, além de supervisionar o trabalho das enfermeiras. Mais que isso, fez estudos estatísticos (sua vocação matemática enfim triunfou) mostrando que a alta mortalidade dos soldados resultava das péssimas condições de saneamento. Seus méritos foram reconhecidos, e ela recebeu uma importante condecoração da rainha Vitória.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Isso tudo não quer dizer que Florence fosse, pelos padrões habituais, uma mulher feliz. Para começar, não havia, em sua vida, lugar para ligações amorosas. Cortejou-a o político e poeta Richard Milnes, Barão Houghton, mas ela rejeitou-o. Ao voltar da guerra, algo estranho lhe aconteceu: recolheu-se ao leito e nunca mais deixou o quarto. É possível, e até provável, que isso tenha resultado de brucelose, uma infecção crônica contraída durante a guerra; mas havia aí um óbvio componente emocional, uma forma de fuga da realidade. Contudo - Florence era Florence - mesmo acamada, continuou trabalhando intensamente. Colaborou com a comissão governamental sobre saúde dos militares, fundou uma escola para treinamento de enfermeiras, escreveu um livro sobre esse treinamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;Estranha, a Florence Nightingale? Talvez. Mas estranheza pode estar associada a qualidades admiráveis. Grande e estranho é o mundo, é o título de um livro do romancista Ciro Alegría; grandes, ainda que estranhas, são muitas pessoas. E se elas têm grandeza, ao mundo pouco deve importar que sejam estranhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 1.3em; line-height: 18px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; vertical-align: baseline;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;small class="tipo-b" style="border-bottom-style: none; border-bottom-width: 0px; border-color: initial; border-color: initial; border-left-style: none; border-left-width: 0px; border-right-style: none; border-right-width: 0px; border-style: initial; border-top-style: none; border-top-width: 0px; color: #ccb79d; display: block; font-family: Georgia; font-size: 10px; line-height: 1em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 10px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 12px; text-align: left; text-transform: uppercase; vertical-align: baseline;"&gt;DONNA ZH&lt;/small&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-6123986302568345297?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/6123986302568345297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=6123986302568345297' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/6123986302568345297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/6123986302568345297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/09/moacyr-scliar-uma-estranha-e.html' title='Moacyr Scliar: Uma estranha, e admirável,mulher'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-8736294511463087879</id><published>2010-09-25T13:51:00.003-07:00</published><updated>2010-09-25T13:51:57.067-07:00</updated><title type='text'>O paciente como Pinóquio</title><content type='html'>&lt;h2 class="tipo-c" style="color: #5b81b9; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 22px; font-weight: normal; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left;"&gt;O paciente como Pinóquio&lt;/h2&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial; font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial; font-size: 13px; line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;Comecei minha carreira médica trabalhando no Hospital Sanatório Partenon, em Porto Alegre. Os pacientes tuberculosos recebiam um esquema básico de três drogas, e o ácido paraaminosalicílico (PAS) era extremamente desagradável de tomar: 12 gigantescos comprimidos, difíceis de engolir e que, como diz o nome, eram ácidos, e irritavam o estômago. Os pacientes diziam que cumpriam a prescrição, mas muitos deles simplesmente jogavam o remédio pela janela. Uma medida que tinha as pernas curtas: era só examinar a grama do lado de fora da enfermaria: onde caía o PAS ela estava, por causa do ácido, queimada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um método empírico de checar a adesão ao tratamento, mas há outros, mais precisos e sofisticados. Na Escola de Medicina Johns Hopkins (EUA) médicos tratavam pacientes com problemas respiratórios fornecendo-lhes um inalador para ser usado três vezes ao dia. Acontece que o aparelhinho tinha um dispositivo que registrava o número de vezes que isso realmente acontecia. Só 15% dos pacientes estavam cumprindo a prescrição. E 14% até esvaziavam o nebulizador para enganar melhor o médico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se sabe exatamente que percentagem de pacientes mentem para seus médicos. Estimativas falam em até 40%. E a pergunta se impõe: por que mentem, essas pessoas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por várias razões. Em primeiro lugar temos os “temas tabu”: certas práticas sexuais (sexo anal é um caso), álcool, drogas. Depois temos aqueles que querem ser “bons pacientes”: dizem que fazem exercício, que se alimentam adequadamente, que não fumam, e não é verdade. Alguns mentem para não perder o emprego ou para driblar o seguro saúde. E existem aqueles que simplesmente esquecem de tomar os remédios e dizem ao médico que estão cumprindo a prescrição direitinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, os pacientes mentem porque seres humanos mentem. Mentimos quando nos sentimos culpados e/ou acuados: em certas ocasiões somos como crianças surpreendidas fazendo alguma travessura. E aí o jeito é imitar o Pinóquio, mesmo ao risco de ver o nariz crescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que as consequências da mentira podem ser sérias. A pessoa não conta que está tomando certo tipo de medicação. O médico prescreve um remédio, há uma interferência medicamentosa com o medicamento que o paciente está tomando e aí reações graves podem ocorrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conclusão: a verdade ainda é o melhor caminho, que os médicos podem ajudar os pacientes a trilhar. Ao invés de um interrogatório policial, o profissional deve dizer algo como: “Muitas pessoas não tomam a medicação que foi prescrita, por várias razões. Será que isso está acontecendo com você?” Funciona. Afinal, se Pinóquio se transformou num bom menino o paciente também pode assumir a sua condição de adulto digno e responsável.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-8736294511463087879?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/8736294511463087879/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=8736294511463087879' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/8736294511463087879'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/8736294511463087879'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/09/o-paciente-como-pinoquio.html' title='O paciente como Pinóquio'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-9220278968566369041</id><published>2010-09-25T13:51:00.001-07:00</published><updated>2010-09-25T13:51:34.617-07:00</updated><title type='text'>De que morreu Simon Bolívar?</title><content type='html'>&lt;h2 class="tipo-c" style="color: #5b81b9; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 22px; font-weight: normal; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left;"&gt;De que morreu Simon Bolívar?&lt;/h2&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial; font-size: 13px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial; font-size: 13px; line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;Dificilmente haverá, na história da América Latina, uma figura mais importante do que Simon Bolívar (1783-1830), o Libertador, líder político e militar venezuelano que, juntamente com José de San Martín, desempenhou papel importante na luta contra o domínio espanhol. Foi ele quem conduziu à independência Venezuela, Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá e Peru.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morreu relativamente cedo, de tuberculose, segundo a versão mais corrente. Afinal, seus pais haviam falecido da mesma, e muito comum, enfermidade; Bolívar tinha tosse, febre e emagrecimento acentuado, tudo compatível com esse diagnóstico. Mais importante, o cadáver foi necropsiado, e o laudo (ainda que à época não muito preciso) foi exatamente esse, de tuberculose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente surgiram dúvidas a respeito, inclusive na área médica. O dr. Paul Auwaerter, da prestigiosa Escola de Medicina da Johns Hopkins University, aponta outros problemas de Bolívar que não tinham necessariamente a ver com tuberculose: dores de cabeça, artrite, queixas digestivas, escurecimento da pele. E levanta uma hipótese: Bolívar morreu de envenenamento por arsênico.&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial; font-size: 13px; line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial; font-size: 13px; line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial; font-size: 13px; line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;Bolívar não é a primeira figura histórica cuja morte gera polêmica. O mesmo aconteceu com Napoleão, exilado na ilha Santa Helena. E, curiosamente, suspeitava-se de que também nesse caso houvera envenenamento por arsênico, substância que foi encontrada no corpo do líder. Um crime político, cometido por inimigos de Bonaparte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia de que Bolívar tenha sido envenenado é apoiada por Hugo Chávez, presidente da Venezuela, que vê aí, igualmente, um crime político – cometido por um general colombiano. Como se sabe, Chávez tem uma já longa briga com o atual governo colombiano, agravada recentemente, quando o governo colombiano acusou Chávez de abrigar vários líderes das Farc na Venezuela. Chávez negou as acusações e, em sinal de protesto, chamou de volta a Caracas o embaixador venezuelano em Bogotá. Conclusão: a discussão sobre a causa da morte de Bolívar pode ter interesse não ser apenas histórico ou científico, mas também político.&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial; font-size: 13px; line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial; font-size: 13px; line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;No caso de Napoleão, concluiu-se que ele morreu de câncer do estômago. Quanto ao envenenamento por arsênico, diz um artigo publicado em Science et Vie (Ciência e Vida), ocorreu, mas não foi agudo: Napoleão deve ter absorvido o arsênico de produtos usados no cabelo e de outras substâncias. Em relação a Bolívar, diz o dr. Auwaerter, o envenenamento pode ter resultado de medicamentos com arsênico, então muito usados (ainda no século 20 tratava-se a sífilis com produtos arsenicais), ou mesmo de água contaminada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma interessante discussão, do ponto de vista científico. Mas muito perigosa quando posta a serviço de objetivos políticos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-9220278968566369041?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/9220278968566369041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=9220278968566369041' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/9220278968566369041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/9220278968566369041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/09/de-que-morreu-simon-bolivar.html' title='De que morreu Simon Bolívar?'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-1359806855343529633</id><published>2010-09-25T13:50:00.001-07:00</published><updated>2010-09-25T13:50:55.491-07:00</updated><title type='text'>Moda e saúde</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial; font-size: 13px;"&gt;&lt;span id="fonte" style="color: #666666; font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial; font-size: 13px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul class="notas" style="clear: both; color: #666666; float: left; font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial; font-size: 13px; list-style-image: initial; list-style-position: initial; list-style-type: none; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 12px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; width: 541px;"&gt;&lt;li style="border-bottom-color: rgb(214, 214, 214); border-bottom-style: solid; border-bottom-width: 1px; clear: both; color: #666666; float: left; font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial; font-size: 13px; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; width: 541px;"&gt;&lt;h2 class="tipo-c" style="color: #5b81b9; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 22px; font-weight: normal; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left;"&gt;Moda e saúde&lt;/h2&gt;&lt;div style="line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;É impressionante a influência que artistas pop podem ter sobre o estilo de vida do público, sobretudo o público jovem. Isto se refere à maneira de falar, à maneira de vestir, ao uso de variadas substâncias (drogas, inclusive) e acaba levando a situações que podem prejudicar a saúde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recentemente, a Academia Americana de Oftalmologia divulgou um alerta acerca de um risco para os olhos que é, no mínimo, inusitado, um alerta motivado, contudo, por uma situação real. Nos Estados Unidos, muitos jovens estão usando lentes de contato decorativas que dão à pessoa aquele olhar esbugalhado das bonecas. Pergunta: o que teria motivado esta estranha moda? Resposta: é o exemplo de uma cantora extremamente popular por estes dias, Lady Gaga. No vídeo Bad Romance, ela usa essas lentes, que fazem os olhos parecerem maiores porque cobrem não apenas a pupila e a íris (a parte colorida) como também uma boa porção do branco dos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A epidêmica moda, advertem os oftalmologistas americanos, não é isenta de riscos. Qualquer tipo de lente de contato requer uma receita e deve ser ajustada por um profissional. Uma lente inadequada ou mal ajustada pode causar dor ou inflamação, em alguns casos levando à abrasão da córnea, que é a parte externa do olho, a infecções e até à cegueira. E é um perigo muito real sobretudo porque se tornou verdadeira mania: uma garota entrevistada na TV contou que já estava no seu décimo quarto par de lentes. Desnecessariamente: no You Tube, Michelle Phan, especialista em maquiagem, explica como reproduzir os olhos gigantes de Lady Gaga de uma forma bem mais barata e sem riscos.&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;Não é de hoje que as pressões da moda, ou da cultura, ou de crenças variadas, levam as pessoas a castigarem seus corpos, às vezes de forma atroz. É o caso da clitoridectomia, a amputação do clitóris, ainda hoje praticada na África e no Oriente Médio, um tema que foi recentemente abordado no pungente filme Flor do Deserto. É o caso de tatuagens, de batoques no nariz e no lábio, do hábito chinês de miniaturizar os pés das crianças mediante ataduras. E foi o caso do espartilho, muito popular no século 19, uma espécie de colete que, colocado na cintura das mulheres, dava-lhe uma aspecto de ampulheta. O uso do espartilho prejudicava a coluna, causando dores, e comprimia as vísceras, os pulmões, o estômago, os intestinos, o aparelho circulatório, causando desmaios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas vezes há, atrás disso, o interesse da indústria. Tomem o caso da notícia acima comentada; ela apareceu na internet, num site chamado Medical News, que, como muitos sites, publica também anúncios. E um desses apregoava “lentes da moda”, marca FunkyEyes, dizendo: “Mude sua aparência com lentes coloridas”. E a pergunta que se impõe é: onde fica a racionalidade que, diz-se, caracteriza a espécie humana?&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-1359806855343529633?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/1359806855343529633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=1359806855343529633' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1359806855343529633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1359806855343529633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/09/moda-e-saude.html' title='Moda e saúde'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-7383573253429237667</id><published>2010-09-25T13:49:00.001-07:00</published><updated>2010-09-25T13:49:41.170-07:00</updated><title type='text'>A história de um estigma</title><content type='html'>&lt;li style="border-bottom-color: rgb(214, 214, 214); border-bottom-style: solid; border-bottom-width: 1px; clear: both; color: #666666; float: left; font-family: 'Trebuchet MS', Verdana, Arial; font-size: 13px; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left; width: 541px;"&gt;&lt;h2 class="tipo-c" style="color: #5b81b9; font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: 22px; font-weight: normal; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px; text-align: left;"&gt;A história de um estigma&lt;/h2&gt;&lt;div style="line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;Porto Alegre sediou, nesta semana, um importante evento médico, o Congresso de Hansenologia. Congresso de quê? – estranharão vocês. Hansenologia é a parte da medicina que estuda a hanseníase, o termo científico para lepra. Por disposição legal, no Brasil esta última palavra não pode ser usada em documentos oficiais. Isto reflete a existência de um dos mais antigos estigmas da história da humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;O Antigo Testamento menciona uma doença conhecida como tzaraat, palavra em geral traduzida como lepra, ainda que outras doenças de pele pudessem estar incluídas neste rótulo. O diagnóstico estava a cargo do sacerdote; médicos à época não eram figuras muito freqüentes e nem muito confiáveis. Além disso, o diagnóstico da lepra não era exatamente um procedimento médico; nenhum tratamento, mesmo tentativo, era instituído. O objetivo era rotular o paciente como “puro” ou “impuro”. E, se se tratava de “impureza”, via-se nas lesões a evidência do castigo divino do qual a pele era um alvo habitual. Por que a pele? Em primeiro lugar, porque a pele é visível. Uma doença dos rins, por exemplo, dificilmente serviria como estigma. As lesões da hanseníase, às vezes deformantes, saltam aos olhos. Além disso, trata-se de doença contagiosa (muito pouco contagiosa, mas contagiosa, de qualquer maneira) de modo que contrai-la levantava a suspeita de contato corporal – de sacanagem, em outras palavras.&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;Que o tabu funcionou, mostra-o o fato de que o cristianismo também o endossou.O modelo de diagnóstico era semelhante ao do Antigo Testamento, mas ficava a cargo de uma comissão, composta de um bispo, vários clérigos e também um leproso, considerado especialista na matéria. Rotulado o examinando como leproso, procedia-se ao processo de exclusão: ele era envolto em uma mortalha, e rezava-se uma missa de réquiem; os presentes jogavam terra sobre o excluído que era conduzido a um dos muitos leprosários (quase 20 mil na Europa), administrados e cuidados por ordens religiosas. O leprosário de Itapoã, aqui no RS, surgiu relativamente tarde, em 1940, e hoje está praticamente desativado.&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;Com o final da Idade Média, e por razões que não são bem claras, o problema da lepra diminuiu consideravelmente. No final do século 19 foi identificado, pelo cientista norueguês Gerhard Armaur Hansen (daí o nome hanseníase) o bacilo causador da doença; a partir daí desenvolveu-se um tratamento que, na imensa maioria dos casos, resulta em cura. Mas o estigma persistiu por algum tempo e gerou a medida politicamente correta de evitar a palavra lepra. O que causou alguns problemas. Os pacientes não sabiam o que é hanseníase, e o médico tinha de traduzir: “É a antiga lepra”. Ou seja: de alguma forma a palavra era dita.&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;Estigmas vêm e vão, e disto temos vários exemplos. Num passado ainda recente, a palavra “colono” era depreciativa; hoje é motivo de orgulho. A eleição de Barack Obama pode ajudar a acabar com o tom pejorativo com o qual os racistas pronunciavam a palavra negro. É uma lição que a história nos ensina: de alguma maneira, a humanidade avança. Avança graças à ciência, avança graças ao bom senso. Aos poucos, trocamos o estigma pela lógica. O que é um benefício para muita gente.&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.4; margin-bottom: 12px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; padding-right: 0px; padding-top: 0px;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-7383573253429237667?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/7383573253429237667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=7383573253429237667' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/7383573253429237667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/7383573253429237667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/09/historia-de-um-estigma.html' title='A história de um estigma'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-6547185433008984677</id><published>2010-06-07T06:49:00.000-07:00</published><updated>2010-06-07T06:50:18.251-07:00</updated><title type='text'>Sim, o Dia dos Namorados. Mas, e o Dia dos Casados?</title><content type='html'>&lt;div class="bloco titulo" style="margin-top: 6px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 2px; padding-right: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; color: rgb(51, 51, 51); font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; "&gt;&lt;h1 style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 30px; font-weight: bold; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; color: rgb(120, 151, 169); font-family: Georgia; font-style: italic; "&gt;Moacyr Scliar: Sim, o Dia dos Namorados. Mas, e o Dia dos Casados?&lt;/h1&gt;&lt;h3 class="tipo-b" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 4px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 14px; font-weight: normal; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; color: rgb(102, 102, 102); font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;A emergência do amor romântico, na Idade Média, consagrou a data que é celebrada mediante troca de presentes&lt;/h3&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="bloco" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 2px; padding-right: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; color: rgb(51, 51, 51); font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; "&gt;&lt;div class="largura-b" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; width: 35.5em; float: left; "&gt;&lt;div class="bloco" id="principal" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 4px; padding-right: 1.2em; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; "&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Existe um Dia dos Namorados, que é objeto de muitas celebrações (e motivo para comprar muitos presentes), mas não existe um Dia dos Casados. Não é, digamos desde logo, a única lacuna, ou a única assimetria, nas celebrações de nosso calendário. Assim, existe um Dia da Mulher, mas não existe um Dia do Homem; existe um Dia da Criança mas não existe um Dia do Adulto.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Nesses dois casos, porém, há uma explicação: ao homenagearmos as mulheres e as crianças estamos, de certa forma, oferecendo alguma compensação, uma espécie de indenização emocional a grupos historicamente mais desamparados, menos poderosos. Seria esta a mesma lógica que levou à instituição de um Dia dos Namorados e excluiu um possível Dia dos Casados? Será que tacitamente acreditamos que os casados não precisam celebrar, ou, diriam os mais maldosos, não têm o que celebrar?&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Talvez. Mas vamos pensar um pouco acerca de como é vista a data em outras culturas. Nos Estados Unidos, o Dia dos Namorados não é o 12 de junho, mas sim o 14 de fevereiro: o Saint Valentine's Day, ou simplesmente Valentine's Day. Valentim era o nome de vários mártires cristãos ao tempo do império romano, mas aquele que é mais frequentemente associado à data é um padre que viveu no tempo de Cláudio II, no terceiro século da era cristã.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Este imperador baixou um decreto proibindo o casamento. Estava em busca de soldados para seu exército e partia do princípio (talvez justificado) que homens casados não dariam lutadores suficientemente sanguinários. Valentim, contudo, não cumpriu esse decreto e secretamente realizava cerimônias de casamento. Foi preso e interrogado pelo próprio Claudio, II que tentou convencê-lo a mudar de ideia. O sacerdote, por sua vez, quis converter o imperador. Resultado: foi condenado à morte.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt; Antes de ser executado, realizou um milagre, devolvendo a visão à filha cega do carcereiro. O dia de São Valentim foi consagrado pelo Papa Gelasius I no final do quinto século. Ao mesmo tempo, extinguia-se uma tradicional comemoração romana, a Lupercália, que era um rito de fertilidade, ocorrendo exatamente entre 13 e 15 de fevereiro; rito este que, extinto, foi de alguma maneira incorporado ao Dia de São Valentim.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;A emergência do amor romântico, no final da Idade Média, consagrou a data que desde então é celebrada mediante troca de presentes, de flores, e de artísticas mensagens decoradas com a figura de um Cupido com asas e que são conhecidas como "valentines".&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Voltando à nossa constatação inicial, para os casados não há tal celebração. Claro, alguém poderia dizer que cada casal celebra o aniversário de casamento, sem falar nas bodas de prata, de ouro, disso, daquilo. Mas acho que existe aí uma sutil mensagem, da qual muita gente se dá conta. E a mensagem é a seguinte: o ideal é que casamento e namoro sejam uma coisa só.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;O ideal é que marido e mulher continuem se olhando com o mesmo encanto do começo da relação. O ideal é que todo dia seja Dia dos Namorados (o que não significa ir ao shopping todos os dias para comprar presentes). O ideal é manter, se não uma paixão abrasadora, pelo menos aquela terna e confiável afeição, aquela cumplicidade que está atrás de todo o matrimônio. Acho que Valentim concordaria com isso. E essa seria a visão que ele devolveria aos casados.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Agradeço as amáveis mensagens de Clailton K.Ferreira, Orlando M.F., Rafael V.Granella, Edson Oliver, Igor Santos, Duilio Severino, Arthur Golgo Lucas, Maria Zanchi, Antonio Dantur Keppes, Weliton Carvalho.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Dois nomes que condicionam destinos. O Secretário da Presidência da Bolívia, que constestou asperamente as acusações do candidato José Serra (para quem o presidente boliviano está envolvido no contrabando de cocaína), chama-se - adivinhem? - Mario Coca. E a "chef" de La Vie en Douce, confetaria de São Paulo, é a Carole Crema.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;O Mauro Duarte me mandou (há tempos; desculpa, Mauro) o nome de uma delegada que se chama Sabina Defende. É, convenhamos, o sobrenome que toda a polícia deveria usar.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-6547185433008984677?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/6547185433008984677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=6547185433008984677' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/6547185433008984677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/6547185433008984677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/06/sim-o-dia-dos-namorados-mas-e-o-dia-dos.html' title='Sim, o Dia dos Namorados. Mas, e o Dia dos Casados?'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-4647403255999462666</id><published>2010-05-26T04:18:00.000-07:00</published><updated>2010-05-26T04:19:13.071-07:00</updated><title type='text'>O complexo de Robin Hood</title><content type='html'>&lt;div class="bloco titulo" style="margin-top: 6px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 2px; padding-right: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; color: rgb(51, 51, 51); font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; "&gt;&lt;p class="tipo-b" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 14px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 10px; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; color: rgb(102, 102, 102); "&gt;&lt;span style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; color: rgb(102, 102, 102); font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Tirado da ZH Online, 22/05/2010 20h10min&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;h1 style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 30px; font-weight: bold; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; color: rgb(120, 151, 169); font-family: Georgia; font-style: italic; "&gt;Moacyr Scliar: O complexo de Robin Hood&lt;/h1&gt;&lt;h3 class="tipo-b" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 4px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 14px; font-weight: normal; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; color: rgb(102, 102, 102); font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;A figura do herói não pode ser rotulada como progressista ou reacionária&lt;/h3&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="bloco" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 2px; padding-right: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; color: rgb(51, 51, 51); font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; "&gt;&lt;div class="largura-b" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; width: 35.5em; float: left; "&gt;&lt;div class="bloco" id="principal" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 4px; padding-right: 1.2em; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; "&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;A nova versão de Robin Hood, dirigida por Ridley Scott e estrelada por Russell Crowe, mostra como o tema é persistente. Começou a ser explorado ainda no tempo do cinema mudo (Douglas Fairbanks, em 1922); o herói já foi vivido por Errol Flynn, em 1938, por Kevin Costner, em 1991, entre outros. Tanto mais surpreendente quando se considera que Robin Hood nunca existiu; é uma figura lendária, embora heroica (ou exatamente por ser heroica), um fantástico arqueiro e espadachim, sempre acompanhado por seu alegre e pitoresco bando, executando assaltos audaciosos, para desespero do inimigo, o inescrupuloso xerife de Nottingham. E, aí vem o detalhe principal, Robin Hood roubava dos ricos para dar aos pobres. O que, durante séculos arrebatou corações e mentes; o medieval herói configurava-se como um exemplo a ser seguido. Aliás, e certamente não por acaso, no lançamento do filme Russel Crowe deu mil libras para uma instituição de caridade. Ainda recentemente, foi detido pela polícia inglesa o jovem (23 anos) Stephen Jackley, que assaltou numerosos bancos e agências de apostas em Herefordshire; seu objetivo era arrecadar cem mil libras e doá-las para instituições de caridade (talvez abatendo o montante do imposto de renda). Não por outra razão, psicólogos falam de um complexo de Robin Hood, que pode ser encontrado em pessoas ou em grupos.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Será que a esquerda se enquadra, ou se enquadrava, nessa situação? A resposta não é clara, porque a própria figura de Robin Hood não pode ser facilmente rotulada como progressista ou reacionária. De um lado, o herói parecia um pioneiro, ainda que heterodoxo, da redistribuição de renda, coisa que sempre foi bandeira dos reformadores sociais; de outro lado, contudo, faltava-lhe um projeto ideológico de tomada do poder, de instauração do socialismo: Robin Hood nunca falou na mais valia marxista, por exemplo. Resultado: prudente, cauteloso silêncio.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Que agora se revela providencial. É que acaba de aparecer um livro, intitulado Robin Hood, o Templário Desconhecido, do pesquisador John Paul Davis, que se propõe a fazer revelações sensacionais sobre o herói. Os Templários, vamos recordar, eram uma ordem religiosa de cavaleiros medievais que tinham como objetivo conquistar e administrar os lugares sagrados na antiga Palestina, então em poder dos muçulmanos.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Era um grupo muito rico que inclusive dedicava-se ao empréstimo de dinheiro, no que aliás se constituíam em exceção, já que a Igreja proibia tal prática. Pois Davis achava que Robin Hood foi um Templário. Baseia-se numa antiga balada, A Saga de Robin Hood, segundo a qual o bandoleiro teria emprestado 400 libras a um senhor feudal, que devia dinheiro a um rico abade. A dívida é paga no prazo estabelecido de um ano, e Robin Hood, além de receber o que emprestou com bons juros, aumenta seus ganhos, assaltando o abade. Este último detalhe pode mostrar um componente antirriqueza e anticlerical que certamente satisfaria qualquer revolucionário, mas não obscurece o fato de que Robin Hood, ao menos segundo a balada, tinha uma indisfarçável vocação para banqueiro.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;A julgar por esta teoria, estava certa a esquerda, ao ignorar a lenda. Porque a verdade é que o comunismo de hoje já oferece dores de cabeça em quantidade suficiente para atormentar qualquer ideologo marxista, a começar pelos investimentos chineses nos Estados Unidos, um poderoso sustentáculo para o capitalismo mundial e uma contradição embaraçosa.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Robin Hood? Só no cinema. E haja pipoca.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-4647403255999462666?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/4647403255999462666/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=4647403255999462666' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4647403255999462666'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4647403255999462666'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/05/o-complexo-de-robin-hood.html' title='O complexo de Robin Hood'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-2692847425799275194</id><published>2010-05-04T04:58:00.000-07:00</published><updated>2010-05-04T05:00:26.511-07:00</updated><title type='text'>Os projetos na gaveta</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; line-height: 10px; "&gt;&lt;div class="bloco titulo" style="margin-top: 6px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 2px; padding-right: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; "&gt;&lt;h1 style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 30px; font-weight: bold; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-style: italic; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"   style="font-family:verdana;color:#000000;"&gt;&lt;h1 style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; text-align: left; vertical-align: baseline; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; font-weight: normal; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(51, 51, 51); font-family: Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; font-size: 10px; line-height: 10px; "&gt;&lt;div class="bloco titulo" style="margin-top: 6px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 2px; padding-right: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; "&gt;&lt;h1 style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 30px; font-weight: bold; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; color: rgb(120, 151, 169); font-family: Georgia; font-style: italic; "&gt;Moacyr Scliar: Os projetos na gaveta&lt;/h1&gt;&lt;h3 class="tipo-b" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 4px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 14px; font-weight: normal; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; color: rgb(102, 102, 102); font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Todos temos, em nossas gavetas, uma pasta com fragmentos de papel em que garatujamos algo que poderia ser a fórmula de nossa felicidade&lt;/h3&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="bloco" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 2px; padding-right: 0px; padding-bottom: 6px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; "&gt;&lt;div class="largura-b" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; width: 35.5em; float: left; "&gt;&lt;div class="bloco" id="principal" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 4px; padding-right: 1.2em; padding-bottom: 8px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 1em; text-align: left; vertical-align: baseline; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; "&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Tenho, numa gaveta, uma pasta de cartolina na qual escrevi Ideias. Seu conteúdo: folhas de papel, dos mais variados tamanhos e formatos, incluindo bloquinhos de anotações de hotel, convites para eventos e lançamentos de livros (um destes de minha autoria), folhetos de propaganda. Em todas essas folhas há algo rabiscado: as ideias. Ideias para contos, ideias para crônicas, ideias para livros até. Ideias em profusão, ideias que ao longo do tempo me iam ocorrendo e que eu, como tantos que escrevem, anotava para posteriormente desenvolvê-las. O que, na imensa maioria dos casos, nunca aconteceu. E isso por várias razões.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Para começar, em muitos casos não consigo entender o que escrevi. Em parte isso resulta da famosa letra de médico, uma situação que, a propósito, não deixa de ser intrigante: de onde viria essa fama de clássica ilegibilidade? Da pressa com que os doutores, sempre lutando com a falta de tempo, escrevem? Ou seria uma curiosa manifestação de poder, tipo "decifra-me ou te devoro", como dizia a esfinge na história de Édipo? Ou simples desleixo? Mistério, mas de qualquer maneira, uma questão à parte, mesmo porque, além desse componente, digamos, profissional, pesavam as circunstâncias em que as mensagens eram escritas: num carro sacolejante, por exemplo. Ou no meio da noite, os olhos fechando de sono.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Como se isso não bastasse, mesmo legíveis, as anotações revelam-se crípticas, misteriosas. Citando ao acaso: "A frase no sonho", "Inventário das dores", "Catastróficos e deslumbrados", "Ator morre antecipando a morte", "Se Deus se materializasse", "História do cirurgião que inventa uma operação maravilhosa", "Foi melhor assim".&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Vamos ficar só com estas duas últimas. "História do cirurgião que inventa uma operação maravilhosa". Que operação seria essa? Que doença ela curava, que problema resolvia? E o que acontecia, então?&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Perguntas intrigantes. Mas "Foi melhor assim" é, em matéria de enigma, ainda pior. "Foi melhor assim" – o quê? De que fala, essa frase? A quem se refere? Que história ela resume?&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Todas estas anotações têm uma coisa em comum: são projetos que não decolaram. Por quê? Porque não tinham em si próprios a carga criativa suficiente para impô-los a seu próprio autor? Porque tornaram-se incompreensíveis?&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 12px; padding-left: 0px; border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; line-height: 18px; text-align: left; vertical-align: baseline; font-size: 1.3em; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-color: initial; font-family: 'Trebuchet MS', Tahoma, Arial, Verdana, Helvetica, sans-serif; "&gt;Estas coisas envolvem um grau de mistério que não é pequeno. E aludem a esse aspecto característico da condição humana: todos temos sonhos não realizados, objetivos não atingidos. Todos temos, em nossas gavetas, uma pasta com fragmentos de papel em que garatujamos apressadamente algo que certamente poderia ser a fórmula de nossa própria felicidade. Ah, se ao menos lembrássemos o que ali escrevemos. Se ao menos entendêssemos nossa própria letra.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-2692847425799275194?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/2692847425799275194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=2692847425799275194' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/2692847425799275194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/2692847425799275194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/05/os-projetos-na-gaveta.html' title='Os projetos na gaveta'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-1022559804153949968</id><published>2010-02-27T10:08:00.000-08:00</published><updated>2010-02-27T10:09:04.872-08:00</updated><title type='text'>A glória da melancia</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;p style="text-align: center;margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;       &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;A glória da melancia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: large;"&gt;Moacyr Scliar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;A gente pensa que padrões de beleza dependem exclusivamente de gostos pessoais, de idiossincrasias. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;É verdade, mas só em parte. Quando achamos uma &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;mulher&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; bela, não est&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;amos apenas aplicando&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;padrões estéticos&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; pessoais. A cultura também nos influencia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;, e&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; antes da cultura&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;, a biologia está presente:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; coisa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; hoje&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; muito discutida mas não são poucos os cientistas defensores da idéia segundo a qual opções pelo sexo oposto dependem &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;da necessidade evolucionista de gerar uma prole com a pessoa mais adequada para vencer a implacável luta pela subsistência.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;             &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 108pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;Tomem o caso d&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;a &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;Andressa Soares,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; que está galvanizando&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; a atenção dos brasileiros e que é conhecida como a “mulher-melancia” por causa do tamanho das nádegas. Ninguém nega que melancia é uma fruta deliciosa, mas será que é a metáfora a causa do fascínio? Provavelmente não. São as nádegas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;Diz um blog na Internet que as nádegas da Andressa são verdadeiros contêineres. O que faz algum sentido. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;As nádegas são&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; um habitual depósito para a gordura&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; corporal&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;; em termos do metabolismo equivale&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;m&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;, vamos dizer, à poupança&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; (só que não paga juros). &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;Tal&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; depósito&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;em períodos de fome &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;coletiva,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; poderia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; garantir a&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; sobrevivência&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; da pessoa, sobretudo da mulher, mulher essa que tinha, portanto,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; um certificado de garantia,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; e que podia escapar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; im&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;une ao recall da morte pela desnutrição&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; As&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;sim, as&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; hotentotes africanas ficaram famosas pelas grandes nádegas. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;Um exemplo famoso foi o de &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;Saartjie Baartman&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; (&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;1789&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;1815&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;, conhecida como a&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;“&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;Vê&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;nus Hotentote&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; – o apelido aludia a uma conhecida estátua grega da deusa Vênus, a “Vênus calipígia”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; que mostra (e olha, por cima do ombro)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; suas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; bem desenhadas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; nádegas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; Saartjie&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; viajou pel&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;a Europa exibindo, em circos, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;as nádegas&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;. M&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;ediante pagamento extra os interessados podiam toc&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;á-la&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;Subindo um pouco (no corpo, não na vida), temos as cadeiras&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;, que também fascinam os homens. C&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;omo diz o samba &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;de Dorival Caymmi a respeito da “Vizinha do lado&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;“Ela mexe com as cadeiras pra cá, ela mexe com as cadeiras pra lá, ela mexe com o juízo do homem que vai trabalhar.” Cadeiras amplas nos falam de uma bacia ampla, capaz de, na gravidez, acomodar sem problemas o bebê. E cadeiras móveis falam do prazer que esta mulher é capaz de proporcionar ao parceiro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;             &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 108pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;Nem todos os povos e culturas são fixados em nádegas e cadeiras. Os americanos, por exemplo, gostam &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;de mamas grandes. O cirurgião plástico Ivo Pitanguy conta que uma vez uma americana procurou-o dizendo que tinha problemas com os seios. De fato eram muito grandes&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; e Pitanguy disse que poderia diminui-los mas, para sua surpresa, não era isso que a mulher queria, ela queria aumentá-los ainda mais. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;A preferência masculina por seios enormes, coisa que certamente influenciava a decisão dessa mulher, teria uma explicação freudiana: resultaria de&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; uma fixação infantil no seio materno&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;E&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; por último, a boca. Todo homem gosta de uma boca carnuda.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; Lábios finos, apertados (“tight lips”) levantam suspeição:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; &lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;fazem-nos pensar numa pessoa voltada para dentro, egoísta, maquiavélica. Porque a mucosa, rósea,úmida, delicada, corresponde à intimidade da pessoa, e é esta intimidade que queremos partilhar quando estamos enamorados.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;* * *&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;N&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;o filme chinês &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;O sabor da melancia, &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;a fruta funciona, ainda que de maneira complicada, como símbolo er&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;ótico&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;: um casal faz sexo com uma melancia entre o homem e a mulher&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; O que lembra certas histórias que a gente ouvia na infância:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; na falta de mulher ou de qualquer outra alternativa para o contato sexual, as melancias eram mobilizadas. Pobre&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;s&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; melancias.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; Mas para uma fruta que vai ser comida &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;de qualquer jeito, talvez aquilo fosse&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; apenas uma &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;manobra introdutória&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman'; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-1022559804153949968?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/1022559804153949968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=1022559804153949968' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1022559804153949968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1022559804153949968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/02/gloria-da-melancia.html' title='A glória da melancia'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-3461760576267393639</id><published>2010-02-27T10:06:00.000-08:00</published><updated>2010-02-27T10:08:15.549-08:00</updated><title type='text'>O amor à distância</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;p style="text-align: center;margin-top: 5pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 5pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;         &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;O amor à distância&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;margin-top: 5pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 5pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;Moacyr Scliar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;margin-top: 5pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 5pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;margin-top: 5pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 5pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:large;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: right;margin-top: 5pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 5pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;Os brasileiros estão ficando cada vez mais móveis. Nascem em uma cidade, estudam em outra cidade, arranjam trabalho (quando arranjam trabalho) numa terceira, numa quarta, numa quinta cidade. Uma situação que repercute nas amizades, na relação com parentes e até na vida dos casais. Não é raro hoje que homem e mulher passem algum tempo, às vezes um longo tempo, separados. No caso de gente jovem, esta situação pode resultar de vestibular: o rapaz vai cursar a faculdade num lugar, a moça em outro. Curiosamente, problemas também surgem quando os dois fazem vestibular para uma mesma faculdade. A Folha de São Paulo publicou uma matéria a respeito, mostrando os conflitos que emergem quando o casalzinho está disputando uma vaga. Um psicoterapeuta foi ouvido a respeito e acabou confessando que ele próprio terminara um relacionamento quando, ao contrário da namorada, passara no vestibular: “Eu não tinha com quem comemorar.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 5pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 5pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 5pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 5pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;Mesmo quando os dois podem comemorar juntos, a perspectiva de uma separação geográfica não é agradável. Verdade que no passado, quando a comunicação e as viagens eram difíceis, isto era ainda pior. Freqüentemente a paixão dependia da correspondência, do correio. Cartas de amor acabaram fazendo história, e isto foi o que aconteceu com os tristemente famosos amantes do século doze, Abelardo e Heloísa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 5pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 5pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;Pedro Abelardo era um famoso professor de  filosofia e teologia em Paris. Entre seus alunos, estava a bela e brilhante Heloísa, por quem o mestre apaixonou-se perdidamente: "... nossa paixão não omite qualquer dos graus do amor e se orna de tudo aquilo que o amor pode inventar de raro." Chegaram a ter um filho, casaram secretamente, mas o tio de Heloísa, o cônego Fulbert, era contrário à união e ameaçou os dois. Abelardo levou a amada para uma abadia; pensando que ele tivesse abandonado a sobrinha, Fulbert contratou bandidos que atacaram e emascularam Abelardo. Definitivamente separado de Heloísa, ele tornou-se monge. Os dois mantiveram uma longa correspondência, que até hoje nos impressiona pela intensidade da paixão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;Será que o e-mail susbtitui as cartas de amor? Será que Abelardo e Heloísa passariam à História usando a linguagem típica das mensagens eletrônicas, tipo “Naum esqueci de vc”? E onde está o papel, manchado de lágrimas? E a trêmula caligrafia?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-top: 0pt; margin-right: 0pt; margin-bottom: 0pt; margin-left: 0pt; "&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;              &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;Não adianta chorar pelo leite derramado (nem pelo pranto derramado). Vivemos novos tempos e temos de nos adaptar a eles. O importante é que as pessoas continuam se querendo. A tecnologia e os hábitos mudam. O amor, mesmo à distância, continua igual.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:'Times New Roman';"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-3461760576267393639?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/3461760576267393639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=3461760576267393639' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3461760576267393639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3461760576267393639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2010/02/o-amor-distancia.html' title='O amor à distância'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-2447115021502225979</id><published>2007-09-24T06:02:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T06:02:46.655-07:00</updated><title type='text'>Este lugar nunca vai dar certo</title><content type='html'>"Estimado senhor meu pai. Espero que esta vos encontre gozando da mais perfeita saúde bem como a todos os nossos familiares em Portugal. Seja-me permitido, senhor, prestar a vossência relatório acerca da importante missão que a mim foi por vós confiada: encontrar, neste país chamado Brasil, onde resido, um lugar onde pudésseis instalar um entreposto comercial, aplicando assim os recursos que nossa família auferiu no bem-sucedido comércio das especiarias. Destarte, dirigi-me ao lugar conhecido como São Paulo de Piratininga, que, segundo informações por mim obtidas, preencheria as condições requeridas por vós, a primeira das quais era evitar o trópico, por vós considerado região insalubre, de gente preguiçosa, indolente. O dito lugar, ao contrário, teria ares frios e temperados; seria uma terra mui sadia, fresca e de boas águas, situada entre dois rios, o Tamanduateí e o Anhangabaú. De Recife, onde resido, tomei um navio, e depois em lombo de mula, subi até o planalto, onde fica São Paulo de Piratininga. Quando lá cheguei, a 25 de janeiro do ano da graça de 1704, invadiu-me o desânimo.&lt;br /&gt;É um lugarejo, meu pai. Um pequeno triângulo limitado por conventos: o de São Francisco, o de São Bento, o do Carmo.Tem foros de Vila, tem pelourinho, é considerada a principal localidade da capitania, mas vivem ali 5.000, 6.000 pessoas quando muito, a maioria índios e mamelucos. Muitos nem sabem falar português. Moram em casas de taipa, cobertas de sapé. Cultivam pequenas roças de milho, feijão e mandioca, da qual fazem a chamada farinha-de-pau; o solo não é da melhor qualidade. A vila fica longe do litoral, e, do ponto de vista de comércio, está completamente isolada. Para obter ganhos, são obrigados a sair dali; assim, organizam bandeiras, expedições que percorrem longuíssimas distâncias para aprisionar índios e procurar ouro e pedras preciosas. Ouro e pedras preciosas, que eu saiba, não encontram; um dos bandeirantes morreu pensando que tinha descoberto esmeraldas, e eram apenas pedras verdes. Quanto aos índios, são maus escravos.&lt;br /&gt;Hospedei-me numa pousada suja e sem conforto e, tendo em mente vossa ponderação, segundo a qual o passado de um lugar dá preciosas indicações sobre seu futuro, saí a inquirir sobre a história de São Paulo de Piratininga, sobre figuras ancestrais que pudessem servir de orientação e exemplo, assim como os patriarcas de nossa família a vós serviram de modelo.&lt;br /&gt;Falaram-me do padre José de Anchieta, guia espiritual e poeta. Indaguei acerca de sua poesia. Disseram que dela pouco sabiam, mas mencionaram um detalhe que consideravam interessante: por falta de papel e tinta, Anchieta escrevia na areia da praia; à medida que o fazia, as ondas iam apagando os versos. O que considerei insólito, para dizer pouco.&lt;br /&gt;Todo poeta quer divulgar sua obra; quer vê-la impressa, sob a forma de livro, de modo que a vendagem possa proporcionar um retorno financeiro. Escrever na areia é, para mim, um desperdício da energia criadora. Acho que a vós parecerá o mesmo.&lt;br /&gt;Falaram-me de um homem que não quis ser rei. Isso aconteceu, em 1640, quando Portugal libertou-se do jugo da Espanha; a notícia só chegou a Piratininga no ano seguinte, um exemplo da dificuldade de comunicação que se experimenta neste lugar remoto. Mas, quando chegou, provocou verdadeira convulsão: os habitantes decidiram que, a exemplo dos portugueses, também eles se tornariam independentes, governados por um rei: Amador Bueno da Ribeira, homem rico, digno, sábio. Foram à sua casa, pediram que aceitasse ser monarca. Para surpresa geral, Amador recusou e, diante da indignação provocada por sua atitude, teve de fugir daquela gente, refugiando-se no mosteiro de São Bento. Coisa que a mim surpreendeu. Ser rei é o sonho de todos nós, é o sonho que eu sempre alimentei desde a infância, baseado nas histórias contadas por vossência. Mas Amador Bueno da Ribeira não quis ser rei. Faltou-lhe, em meu entender, audácia, coragem, visão, enfim, todas as condições necessárias para quem quer subir na vida. Mas os habitantes deveriam ter escolhido outro rei. Não o fizeram. Por quê? Porque, no meu modesto entendimento, também são tímidos, carentes de arrojo e valentia.&lt;br /&gt;Em suma, não considerei o passado do lugar inspirador. Mas e o futuro? Em busca de resposta para essa pergunta procurei uma mulher conhecida como Maria Adivinha, famosa na vila por acertar suas previsões. Tive de pagar, adiantado, uma boa quantia; e o que ouvi dela convenceu-me apenas de que não passa de uma mentirosa. No escuro aposento, em meio da fumaça de ervas que queimavam, ela fechou os olhos e disse que via ali, em São Paulo de Piratininga, uma gigantesca cidade, povoada por milhões e milhões de pessoas; prédios gigantescos, ruas imensas cheias de veículos que, detalhe inverossímil, deslocavam-se sem tração animal. Seria a maior cidade do Brasil e uma das maiores cidades do mundo, e nós faríamos bem em colocar ali o dinheiro de nossa família.&lt;br /&gt;Constatando minha incredulidade, que logo se transformou em irritação, ofereceu-se para me prestar, por uma soma adicional, outros serviços, estes relacionados ao prazer carnal. Depois da longa viagem, depois de meses sem mulher, eu estava carente, como vós, meu pai, bem podeis imaginar. Fomos, pois, para a cama, e aí chegou ao auge minha frustração e meu desencanto. Porque, embora fosse bela, a Maria Adivinha, embora fosse mulher de amplas cadeiras e seios opulentos e embora o ímpeto dos meus 26 anos garantisse um bom desempenho, eu falhei, meu pai, falhei miseravelmente. Coisa que só posso atribuir aos maus eflúvios da região. Este lugar nunca vai dar certo. E eu, tendo concluído esta missiva, vou-me daqui antes que seja tarde demais, antes que me invada, para todo o sempre, o espírito do fracasso."&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (Revista Mais)(São Paulo - SP) em 25/01/2004&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-2447115021502225979?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/2447115021502225979/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=2447115021502225979' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/2447115021502225979'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/2447115021502225979'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/este-lugar-nunca-vai-dar-certo.html' title='Este lugar nunca vai dar certo'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-415073396488494927</id><published>2007-09-24T06:01:00.004-07:00</published><updated>2007-09-24T06:02:13.388-07:00</updated><title type='text'>Felicidade não se compra. Nem mesmo pela internet</title><content type='html'>"Sofá de dois lugares, seminovo: produtos como esse podem sair de sua casa e serem vendidos com a ajuda da internet.".&lt;br /&gt;Folha Informática, 23.mar.2005&lt;br /&gt;Ele adorava o sofá de dois lugares que estava no living. A mulher odiava o sofá de dois lugares que estava no living. Ele adorava o sofá de dois lugares que estava no living porque era ali que, todas as noites, se instalava para assistir a TV até altas horas. A mulher odiava o sofá de dois lugares que estava no living porque era ali que, todas as noites, o marido se instalava para assistir a TV até altas horas. E, vendo TV, o marido não queria fazer programas, não queria passear, não queria nem conversar. Em desespero, ela ameaça vender o sofá por qualquer preço.&lt;br /&gt;O marido não acreditava. Porque a mulher não tinha jeito para negociar. Não sabia falar com as pessoas, não sabia apresentar seu produto. Se dependesse de sua habilidade para a venda, o sofá de dois lugares permaneceria no living por muitos e muitos anos. De modo que ele ficou muito surpreso quando, voltando do trabalho, não encontrou o sofá. Vendi, disse a mulher, triunfante. Ele não quis acreditar, achou que fosse brincadeira. Ela explicou: graças à internet, tinha vendido a uma pessoa que nem conhecia, que enviara um portador para entregar o dinheiro e levar o sofá.&lt;br /&gt;Aquilo deixou-o furioso. Queria o seu sofá de volta e exigiu da mulher o nome do comprador. Ela simplesmente se recusou a revelar esse segredo.&lt;br /&gt;Brigaram e, naquela noite, ele dormiu no outro quarto do apartamento, vazio desde que a filha tinha casado. De madrugada, uma idéia lhe ocorreu. Correu a verificar os e-mails da esposa e, de fato, ali estava a mensagem enviada pela compradora, com nome, endereço, telefone.&lt;br /&gt;No dia seguinte, ligou para essa mulher, disse que precisava vê-la com urgência: assunto ligado à compra do sofá. Ela relutou, mas consentiu em recebê-lo. Ele foi até a casa, num bairro afastado. E ali estava a mulher, ainda jovem, a esperá-lo. No living, diante da TV, o sofá de dois lugares.&lt;br /&gt;Que ele quis comprar de volta. Ela recusou; gostara do sofá, não o venderia. Ele recorreu a todos os argumentos, sem resultado, quis até pagar o dobro da quantia que ela havia despendido. Nada, ela mostrava-se irredutível, e ele acabou desistindo.&lt;br /&gt;Antes de ir embora, porém, resolveu perguntar quem sentava ao lado dela no sofá.&lt;br /&gt;Ninguém, foi a resposta. Divorciada, estava sozinha havia algum tempo. Comprara um sofá de dois lugares porque tinha esperança de, um dia, arranjar um companheiro.&lt;br /&gt;Ele tem ido à casa da nova proprietária do sofá. Senta-se ao lado dela para ver TV, coisa que adora. No começo, ela gostava da companhia.&lt;br /&gt;Mas agora já não acha o arranjo tão bom: o homem não quer fazer programas, não quer passear, não quer nem conversar.&lt;br /&gt;Ela pensa seriamente em vender o sofá. Não é muito hábil nessas coisas, mas tem certeza de que, através da internet, resolverá o problema.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 28/03/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-415073396488494927?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/415073396488494927/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=415073396488494927' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/415073396488494927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/415073396488494927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/felicidade-no-se-compra-nem-mesmo-pela.html' title='Felicidade não se compra. Nem mesmo pela internet'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-3318310637634233943</id><published>2007-09-24T06:01:00.003-07:00</published><updated>2007-09-24T06:01:49.125-07:00</updated><title type='text'>A volta do filho pródigo</title><content type='html'>"Cerca de 30 mil crianças e adolescentes fogem todo ano no Brasil. Oitenta por cento voltam para casa. Dificuldades com a família e busca de independência são as causas mais freqüentes das fugas. A volta é acompanhada de arrependimento".Folhateen, 28.mar.2005&lt;br /&gt;Meus pais não me compreendem, ele pensava sempre. As brigas, em casa, eram freqüentes. Os pais reclamavam do som muito alto, das roupas estranhas, das tatuagens. Revoltado, decidiu fugir de casa. Sabia que, para seus velhos, aquilo seria uma dura prova: afinal, ele era filho único. Mas estava na hora de mostrar que não era mais criança. Estava na hora de dar a eles uma lição. Botou algumas coisas na mochila e, uma madrugada, deixou o apartamento. Tomou um ônibus e foi para uma cidade distante, onde tinha amigos.&lt;br /&gt;Ali ficou por vários meses. Não foi uma experiência gratificante, longe disso. Os amigos só o ajudaram na primeira semana. Depois disso ficou entregue à própria sorte. Teve de trabalhar como ajudante de cozinha, morava num barraco, foi assaltado várias vezes, até fome passou. Finalmente resolveu voltar. Mandou um e-mail, dizendo que estaria em casa daí a dois dias. E, lembrando que a mãe era uma grande leitora da Bíblia, assinou-se como "Filho Pródigo".&lt;br /&gt;Chegou de noite, cansado, e foi direto para o prédio onde morava. Como já não tinha chave do apartamento, bateu à porta. E aí a surpresa, a terrível surpresa.&lt;br /&gt;O homem que estava ali não era seu pai. Na verdade, ele nem sequer o conhecia. Mas o simpático senhor sabia quem era ele: você deve ser o Fábio, disse, e convidou-o a entrar. Explicou que tinha comprado o apartamento em uma imobiliária:&lt;br /&gt;- Seus pais não moram mais aqui. Eles se separaram.&lt;br /&gt;A causa da separação tinha sido exatamente a fuga do Fábio:&lt;br /&gt;- Depois que você foi embora, eles começaram a brigar, um responsabilizando o outro por sua fuga. Terminaram se separando. Seu pai foi para o exterior. De sua mãe, não sei. Parece que também mudou de cidade, mas não sei qual.&lt;br /&gt;Fábio não agüentou mais: caiu em prantos. O homem se aproximou dele, abraçou-o. Entre aqui no seu antigo quarto, disse, tenho uma coisa para lhe mostrar. Ainda soluçando, Fábio entrou. E ali estavam, claro, o pai e a mãe, ambos rindo e chorando ao mesmo tempo. Tinha sido tudo uma encenação. Abraçaram-se, Fábio jurando que nunca mais sairia de casa.&lt;br /&gt;A verdade, porém, é que não gostou da brincadeira, mesmo que ela tenha lhe ensinado muita coisa. Os pais, ele acha, não podiam ter feito aquilo. Se fizeram, é por uma única razão: não o compreendem. Um dia, ele terá de sair de casa. Mais tarde, naturalmente, quando for homem, quando tiver sua própria casa. Só que aí levará os pais junto. Pais travessos como os que ele tem precisam ser controlados.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 04/04/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-3318310637634233943?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/3318310637634233943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=3318310637634233943' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3318310637634233943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3318310637634233943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/volta-do-filho-prdigo.html' title='A volta do filho pródigo'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-4303352622320407053</id><published>2007-09-24T06:01:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T06:01:33.022-07:00</updated><title type='text'>Clocky, o implacável</title><content type='html'>Despertador se esconde de dorminhoco. Gauri Nanda, estudante do célebre Laboratório de Mídia do Instituto Tecnológico de Massachusetts, USA, inventou um despertador que obriga os dorminhocos a se levantarem para desligá-lo. Concebida para evitar o abuso da função "soneca" dos despertadores pelos preguiçosos, a engenhoca, batizada Clocky, cai no chão e anda. Para desligar o alarme, a pessoa precisa se levantar e procurar o despertador. Graças a um chip, a cada manhã ele vai parar num lugar diferente. (Folha Ciência, 9.abr.2005)Aí está a solução do meu problema, pensou, tão logo ouviu falar no fantástico despertador inventado nos Estados Unidos. Ele era daqueles que sempre querem dormir mais cinco minutos; só que estes cinco minutos facilmente transformavam-se em uma hora. Resultado: estava sempre chegando atrasado ao emprego, o que lhe valera não poucas repreensões do chefe. Mas um despertador que continuasse tocando, e mais, que tivesse de ser procurado, certamente resolveria o seu problema.&lt;br /&gt;Conseguir o Clocky naturalmente não seria fácil, mas, com a ajuda de amigos que estudavam no Instituto Tecnológico de Massachusetts obteve uma cópia do projeto, com a promessa de mantê-lo em segredo. Já confeccionar o despertador não foi difícil: ele era técnico em eletrônica e tinha uma habilidade incrível. Assim, logo tinha em sua mesa de cabeceira a engenhoca.&lt;br /&gt;Que funcionava muito bem. Na verdade, funcionava melhor que o esperado. A cada manhã ele acordava sobressaltado com o alarme e tinha de caçar o Clocky pelo apartamento, que não era grande, mas tinha milhares de esconderijos. Coisa exasperante, mas, ele o reconhecia, necessária: espantava completamente seu sono.&lt;br /&gt;Uma manhã, contudo, Clocky ultrapassou todos os limites. Tocava como um demônio, e ia de peça em peça, seu dono correndo atrás. Finalmente conseguiu encurralar o maldito no pequeno terraço do apartamento, situado no segundo andar. E aí aconteceu o imprevisto; num gesto aparentemente desesperado, Clocky saltou pela amurada.&lt;br /&gt;Lá embaixo a rua estava praticamente deserta. Só havia ali uma moça, aparentemente esperando um táxi. Ele desceu correndo as escadas, ainda de pijama, e dirigiu-se até ela. Ia perguntar pelo Clocky, mas não o fez. Era tão linda, a jovem, que ele esqueceu completamente o despertador e cumprimentou-a amavelmente. Ela sorriu, simpática...&lt;br /&gt;Estão vivendo juntos, no apartamento dela. Mas de vez em quando, enquanto estão fazendo o amor, ele ouve o alarme. É o Clocky, certamente, o implacável Clocky. Escondido, mas ainda por perto.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 18/04/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-4303352622320407053?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/4303352622320407053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=4303352622320407053' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4303352622320407053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4303352622320407053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/clocky-o-implacvel.html' title='Clocky, o implacável'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-4171287377047796213</id><published>2007-09-24T06:00:00.006-07:00</published><updated>2007-09-24T06:01:15.838-07:00</updated><title type='text'>Galopando para o sucesso</title><content type='html'>Galopando para o sucesso                     Moacyr Scliar&lt;br /&gt;MEC acha até cavalo como veículo escolar. Levantamento divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, ligado ao Ministério da Educação, mostra que até cavalos são usados para levar os alunos às escolas. Folha de São Paulo / Cotidiano, 20.abr.2005A escola era longe, ficava a mais de dez quilômetros da humilde casinha em que morava, mas nem por isso ele deixaria de ir às aulas. Como a mãe, viúva e pobre, costumava dizer, aquela era a única chance que teria de ir para a frente, de progredir na vida.&lt;br /&gt;Além disso, poderia, como outros alunos, contar com o transporte escolar gratuito.&lt;br /&gt;Foi procurar o encarregado e pediu um lugar na Kombi que fazia aquele trajeto. O homem disse que, infelizmente, o veículo já estava lotado. Mas havia uma alternativa:&lt;br /&gt;- Você pode ir a cavalo.&lt;br /&gt;O cavalo era um velho pangaré que atendia pelo nome de Espantoso. O garoto não ficou muito entusiasmado. Como todo morador de área rural, sabia andar a cavalo, mas Espantoso não era exatamente o corcel de seus sonhos. Argumentou que com aquele animal levaria horas para chegar à escola. O homem manteve-se irredutível: é pegar ou largar, disse. Ele acabou aceitando.&lt;br /&gt;No começo foi, realmente, muito difícil. Espantoso andava a passo pela estrada; ele chegava constantemente atrasado às aulas e, pior, sob o deboche dos outros alunos. E aí ocorreu algo inesperado. De repente ele descobriu um jeito de fazer o Espantoso correr. Uma coisa complicada, que envolvia um tipo particular de assobio, e cutucões com os pés na barriga do pangaré, mas que, decididamente, funcionava: o antes lento cavalo passou a voar pela estrada e não raro até ultrapassava a Kombi.&lt;br /&gt;O garoto estava muito contente: não chegava mais atrasado, os colegas não riam mais dele. O que ele não poderia imaginar era que aquilo mudaria sua vida.&lt;br /&gt;Na estrada ele passava sempre pela fazenda Corisco, propriedade de um rico criador de cavalos de corrida. Certa manhã este homem avistou o garoto, galopando velozmente e num grande estilo. Logo se deu conta: ali estava um jóquei nato, capaz de ganhar grandes prêmios em hipódromos. Foi falar com a mãe do menino e se prontificou a encaminhá-lo.&lt;br /&gt;Deu tudo certo. Hoje ele é um excelente jóquei, ganha muitos prêmios. Deixou o colégio, mas pode ser que, um dia, volte a estudar. De momento esta não é a sua prioridade. De momento ele está, segundo suas próprias palavras, galopando para o sucesso.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 25/04/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-4171287377047796213?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/4171287377047796213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=4171287377047796213' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4171287377047796213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4171287377047796213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/galopando-para-o-sucesso.html' title='Galopando para o sucesso'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-5323193948078161949</id><published>2007-09-24T06:00:00.005-07:00</published><updated>2007-09-24T06:00:52.984-07:00</updated><title type='text'>Câmeras e traição</title><content type='html'>As câmeras de segurança podem ajudar a polícia e proteger propriedades, mas também podem fazer as pessoas se sentirem violadas e incomodadas. Folha Informática, 27.abr.2005&lt;br /&gt;Não era exatamente um trabalho muito excitante: ele supervisionava o funcionamento de cerca de 20 câmeras de segurança espalhadas numa área da cidade muito sujeita a assaltos (bancos, lojas elegantes). Sua tarefa era certificar-se de que as câmeras estavam captando e gravando adequadamente imagens que, eventualmente, poderiam servir de prova contra criminosos e delinqüentes.&lt;br /&gt;A mulher, jovem e ambiciosa, achava esse trabalho um lixo. Como o marido ganhava pouco, tinham de morar num apartamento minúsculo e andar de ônibus, quando o sonho dela era ter uma mansão cheia de criados e desfilar pela cidade num carrão importado. Se isto não acontecia, era só por causa dele. "Você é um incompetente", dizia. "Você nunca serviu para coisa alguma, seus amigos de infância hoje são ricos executivos, enquanto você fica aí fazendo esse trabalho de voyeur."&lt;br /&gt;Ele optava por ignorar as sarcásticas observações, mesmo porque tinha certeza de que, um dia, seu trabalho seria reconhecido. Um dia ocorreria um assalto espetacular a um dos bancos ou a uma das lojas. Ele identificaria os bandidos, seu nome apareceria nos jornais. E aí a mulher finalmente teria de admitir seu erro. Mas, enquanto isso, sucediam-se os bate-bocas e uma noite, irritado, ele acabou batendo nela. "Vou me vingar", ela prometeu, enxugando o sangue que corria do lábio partido.&lt;br /&gt;Um mês depois um dos bancos vigiados pelas câmeras foi assaltado. De madrugada os ladrões entraram por uma loja ao lado e, muito profissionais, arrombaram o cofre, levando todo o dinheiro. Pela manhã ele foi chamado com urgência pelo chefe: precisava examinar as gravações feitas pelas câmeras. Certamente os bandidos apareciam ali.&lt;br /&gt;Sem demora começou a trabalhar e, de fato, uma das câmeras captara o momento em que os criminosos, três, saíam do banco, carregando as sacolas com dinheiro. Mas seria difícil identificá-los: todos estavam com capuzes na cabeça. Que droga, ele resmungou, enquanto observava aquilo, mas então sentiu um baque no coração: junto com os assaltantes, havia uma mulher. Esta não usava capuz. Ao contrário, olhava fixamente para a câmera, sorrindo ironicamente. Ele imediatamente a reconheceu. Não tinha como não reconhecê-la: era sua mulher.&lt;br /&gt;Deletou as imagens. Ao chefe, disse que algum problema acontecera com a câmera, e que nada fora registrado. A tecnologia é assim: quando menos se espera, ela nos trai.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 02/05/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-5323193948078161949?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/5323193948078161949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=5323193948078161949' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/5323193948078161949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/5323193948078161949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/cmeras-e-traio.html' title='Câmeras e traição'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-928127253555084120</id><published>2007-09-24T06:00:00.003-07:00</published><updated>2007-09-24T06:00:37.801-07:00</updated><title type='text'>Acidentes acontecem</title><content type='html'>Severino volta a chamar estupro de "acidente". Folha de São Paulo / Brasil, 4.mai.2005 &lt;br /&gt;"Acidentes acontecem, senhor juiz. Todo mundo sabe disso, especialmente o senhor, que é um homem culto, experiente, vivido. Acidentes acontecem, e acontecem especialmente comigo, que sou um homem muito azarado. Azarado, mas boa pessoa, esteja certo disso. Esta acusação que estão me fazendo, e que me trouxe a este tribunal, esta acusação, senhor juiz, não tem fundamento algum, tudo não passou de um acidente. Vou lhe contar como foi.Eu estava passeando pelo campo, senhor juiz. Sou um tipo romântico, gosto da natureza e gosto sobretudo de passear pelo campo. Então eu estava passeando pelo campo e cheguei ao rio, aquele rio muito bonito que tem lá, perto da minha propriedade. Ia caminhando pela beira desse rio, escorreguei e caí na água. Acidentes acontecem, senhor juiz. Caí na água e saí dali todo molhado, como costuma acontecer às pessoas que caem na água. Agora: eu sou muito sujeito a gripes, a resfriados. Portanto não podia ficar com aquelas roupas encharcadas, correndo o risco de ficar doente. O que fazer?&lt;br /&gt;Não pensei duas vezes: tirei a roupa. Toda a roupa. Afinal, não havia ninguém ali por perto e, de mais a mais, não são poucas as pessoas que gostam de passear sem roupa -é só ir num acampamento de nudistas para constatá-lo. Tirei a roupa, coloquei numa árvore para secar e continuei caminhando.&lt;br /&gt;De repente aconteceu aquela coisa perturbadora. Eu tive uma ereção, senhor juiz. Porque tive a ereção, não sei lhe explicar. Talvez o ventinho... Não sei. Mas só pode ser acidente. Sou um homem recatado e não costumo ter ereções nessas circunstâncias. Acidente, portanto. Acidentes acontecem.&lt;br /&gt;Continuei a caminhar, nu e agora já no mato. Umas centenas de metros mais adiante, dei com a moça, essa mesma moça que me faz certas injustas acusações. Ela estava deitada, adormecida e suava muito. Concluí que estava com calor e, com pena da coitada, comecei a lhe tirar a roupa. Ela protestava, dizia que não era necessário, mas eu sou muito prestimoso e despi-a completamente. Quando terminei, já ia embora, mas então tropecei e caí. Um acidente, lógico. Acidentes acontecem, o senhor sabe. Caí e caí de cara em cima da moça. Ainda bem, porque se tivesse caído no chão poderia até ter me machucado feio. Esses acidentes às vezes têm conseqüências sérias, o senhor sabe. Continuando: caí em cima da moça. Agora, ela nua, eu nu... Tinha de acontecer o que aconteceu, o senhor não acha? Mas creia-me, senhor juiz: no fundo, no fundo, tudo não passou de acidente. Acidentes acontecem, o senhor sabe."&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 09/05/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-928127253555084120?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/928127253555084120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=928127253555084120' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/928127253555084120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/928127253555084120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/acidentes-acontecem.html' title='Acidentes acontecem'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-9083851198538387925</id><published>2007-09-24T06:00:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T06:00:19.971-07:00</updated><title type='text'>Suando frio</title><content type='html'>Suor masculino atrai homossexuais e mulheres, diz estudo. O suor masculino excita o cérebro dos homens homossexuais do mesmo modo como acende luzinhas no cérebro de mulheres heterossexuais, mas deixa insensíveis os homens heterossexuais. No experimento, o suor era colocado em frascos de vidro a 1 cm do nariz. Folha de São Paulo / Ciência, 10.05.2005 &lt;br /&gt;Ele era do tipo machão: alto, musculoso, ombros largos, cintura estreita. E, machão, fazia muito sucesso com as mulheres. Conquisto qualquer uma a qualquer hora, costumava dizer, e isto que poderia parecer gabolice não estava muito longe da realidade: de fato, ele trocava de namorada como quem troca de camisa. Já no mercado de trabalho não tinha tanto sucesso; apesar da excelente aparência, volta e meia estava desempregado e, embora morasse sozinho, tinha dificuldade até em arranjar grana para a comida. De modo que quando leu no jornal um anúncio pedindo homens para um estudo científico foi até o laboratório. O pagamento era modesto, mas quebraria o galho. E o que tinha a fazer era muito simples: cheirar o suor de homens e mulheres ao mesmo tempo em que um aparelho examinava a reação de seu cérebro ao odor.&lt;br /&gt;Terminada a primeira rodada de testes a coordenadora da pesquisa, uma mulher ainda jovem e muito bonita mandou chamá-lo e perguntou-lhe qual era, mesmo, a sua preferência sexual. Gosto de mulheres, disse ele, meio surpreso. Estranho, disse ela, porque seu cérebro mostra que você reage ao suor de outros homens, que é o que acontece com homossexuais. Prometeu revisar o estudo e disse que entraria em contato.&lt;br /&gt;Nos dias que se seguiram viveu um estado de permanente ansiedade. Da qual, no entanto, não falou a ninguém. O único que percebeu alguma coisa foi seu vizinho de prédio, um rapaz simpático, atencioso, que lhe perguntou o que estava acontecendo. Ele hesitou mas acabou desabafando: estou descobrindo que sou um homossexual enrustido, disse, entre lágrimas. O rapaz, condoído, consolou-o como pôde e disse que estaria sempre à disposição para ajudá-lo.&lt;br /&gt;Dois dias depois recebeu um telefonema da coordenadora do projeto: precisavam falar com urgência. Ele foi até o laboratório. Muito cheateada, ela disse haviam lhe dado para cheirar um frasco com rótulo errado: não continha suor de homem, mas sim de mulher.&lt;br /&gt;Na verdade, é o meu próprio suor. Não sei como isto aconteceu...&lt;br /&gt;Perguntou se poderia lhe oferecer alguma compensação pelo transtorno, e, caso positivo, qual seria esta compensação.&lt;br /&gt;Você disse ele, sem hesitar.&lt;br /&gt;Estão vivendo juntos, na casa da pesquisadora. Ela até o sustenta. O melhor dos mundos, e veio na hora certa: o fato é que ele já estava começando a achar o vizinho muito, muito simpático.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 16/05/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-9083851198538387925?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/9083851198538387925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=9083851198538387925' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/9083851198538387925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/9083851198538387925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/suando-frio.html' title='Suando frio'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-7519824210074134745</id><published>2007-09-24T05:59:00.005-07:00</published><updated>2007-09-24T05:59:55.293-07:00</updated><title type='text'>Fim de jornada</title><content type='html'>1. No elevador&lt;br /&gt;Já tem mais de 16 mil membros uma comunidade do Orkut chamada "Eu tenho medo do mesmo". A plaquinha que ilustra a página explica do que se trata: "Antes de entrar no elevador verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar." Folha Ilustrada (Monica Bergamo), 17.mai.2005 &lt;br /&gt;Não sei como vocês imaginam a morte, mas uma possibilidade é esta:&lt;br /&gt;Um homem vai tomar o elevador. É um homem de meia idade, obeso, fumante, sedentário, hipertenso, e portanto sujeito a riscos; de fato está saindo de um consultório médico, onde foi por causa de dores no peito e onde recebeu sérias advertências. Mas o homem não tem medo do coração; ele tem medo é do elevador, pois foi assim que seu pai morreu, caindo no poço de um elevador que não se encontrava parado no andar. Isto, claro, não acontece com o elevador que ele toma; o mesmo certamente encontra-se parado naquele andar.&lt;br /&gt;Tão logo entra, porém, uma sensação de estranheza apossa-se dele. Não reconhece a cabine onde está; não é a mesma na qual subiu. Mais: como se tivesse vontade própria, o elevador começa a subir. Ele quer detê-lo, procura o painel dos botões, mas não há botões, não há painel. Nem porta existe mais. É uma espécie de caixa, agora nota, forrada de veludo vermelho. Como se fosse um caixão? É. Como se fosse um caixão.&lt;br /&gt;A dor volta, intensa, avassaladora. O elevador sobe, sobe. Ele deveria estar muito angustiado, mas não está; sente-se resignado.&lt;br /&gt;O que tinha de fazer, fez: certificou-se de que o mesmo estava parado no andar. Agora é ver o que acontece. Há certo consolo nisto: pelo menos vai encontrar o Grande Ascensorista. O único que decide quando o mesmo já não é mais o mesmo.&lt;br /&gt; 2. Na marcha&lt;br /&gt;Sem-terra: fim da marcha separa casais de namorados. Folha Brasil, 19.mai.2005 &lt;br /&gt;Eles se conheceram durante a marcha. Ele, de Minas Gerais, ela de Pernambuco, foi um caso de amor à primeira vista. Daí em diante não se separaram mais: durante o dia, marchavam juntos, de mãos dadas. As noites, na precária barraca, eram de intensa paixão. Os outros sem-terra os miravam com admiração, com afeto, e até com alguma inveja: quem diria que amor assim ainda existe, comentavam.&lt;br /&gt;Mas tudo chega ao seu fim, inclusive as marchas. Cada vez estavam mais próximos de Brasília, onde faria a demonstração final mas de onde cada um teria de voltar para sua terra.&lt;br /&gt;Para ela esta separação era apenas transitória. Filha de um lendário líder camponês, herdara do pai uma confiança inabalável num mundo melhor, um mundo baseado no ideal e também nos sentimentos mais puros, como aquele que os unia. De modo que era otimista: haveriam de se encontrar na próxima marcha, e na seguinte, e na seguinte. Um dia o sonho da reforma agrária se realizaria; receberiam um pedaço de terra, onde construiriam uma casinha e onde, casados, seriam felizes para sempre.&lt;br /&gt;Já ele não tinha tanta certeza disso. Achava que casamento não era nenhuma garantia; os seus próprios pais tinham se separado depois de muita briga. De modo que uma dúvida agora o assaltava: valia a pena trocar a paixão surgida durante a marcha pela rotina de um casamento insípido?&lt;br /&gt;Decidiu que isso era mau negócio. Portanto, na próxima marcha não estaria presente. Veria os sem-terra na tevê do bar que freqüentava. Talvez avistasse sua amada. Talvez derramasse até uma furtiva lágrima.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 23/05/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-7519824210074134745?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/7519824210074134745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=7519824210074134745' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/7519824210074134745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/7519824210074134745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/fim-de-jornada.html' title='Fim de jornada'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-3817165990518869175</id><published>2007-09-24T05:59:00.003-07:00</published><updated>2007-09-24T05:59:36.604-07:00</updated><title type='text'>Guerra nas Estrelas</title><content type='html'>Homem fantasiado de Darth Vader assalta cinema. Um homem com a máscara do vilão do filme "Star Wars" assaltou uma sala de cinema em uma cidade norte-americana. A polícia de Springfield (Illinois) informou que ele entrou no cinema, empurrou um funcionário e depois fugiu levando o dinheiro da bilheteria.&lt;br /&gt;Folha Online, 24.05.2005&lt;br /&gt;Muito tempo atrás em uma galáxia muito, muito longínqua... (da apresentação do filme "Star Wars", de George Lucas)&lt;br /&gt;Ele era fã de "Guerra nas Estrelas". Fã só, não; ele era fanático por "Guerra nas Estrelas". Já tinha visto cada um dos filmes da série pelo menos umas 20 vezes. Sabia de cor a biografia do diretor George Lucas, colecionava fotos dos personagens, tinha games sensacionais, mostrando tanques Wookies lutando contra hordas de guerreiros Gungan. E por último, mas não menos importante, tinha as roupas dos principais personagens, Obi-Wan Kenobi, Palpatine e, claro, Darth Vader. Passava o dia em casa entretido com essas coisas.&lt;br /&gt;O que até seria compreensível se fosse criança. Não era. Tinha 32 anos, estava casado há cinco e com um filho pequeno. Quem sustentava a casa era sua mulher, que, para isso, precisava manter dois empregos. Mulher reservada, trabalhava muito, sem se queixar. Um dia, porém, explodiu: foi quando ele usou o pouco dinheiro que restava do orçamento doméstico para comprar um sabre de luz. Você é um irresponsável, ela gritava:&lt;br /&gt;- Mal temos o que vestir e o que comer e você gasta dinheiro nestas bobagens! Você não tem jeito, mesmo!&lt;br /&gt;Sabre de luz na mão, ele ouvia, ressentido. Aquela mulher não o compreendia, não se dava conta de que "Guerra nas Estrelas" era a coisa mais importante na vida dele. Chegou a pensar em ir embora. Só não o fez por duas razões. Primeiro, porque não tinha para onde ir. Segundo, porque acabou dando-se conta de que a mulher não deixava de ter razão. De que lhe adiantava ganhar a guerra nas estrelas, se estava perdendo a guerra que, como marido e pai, deveria travar aqui na Terra? "Guerra nas Estrelas" deixara-o transtornado, estragara sua vida.&lt;br /&gt;Precisava fazer alguma coisa. E aí lhe ocorreu assaltar um cinema. Com o que mataria dois coelhos com uma só cajadada (ou golpe de sabre de luz). Em primeiro lugar, estaria se vingando daquela diabólica arte que, no escuro das salas de projeção, corrompia corações e mentes. Ao mesmo tempo, arranjaria uma grana que, considerando as multidões atraídas pelo sucesso do filme, não deveria ser pouca.&lt;br /&gt;Só que, para proceder ao assalto, precisaria estar disfarçado. Disfarçado como? Enquanto buscava uma resposta, seu olhar caiu sobre a fantasia de Darth Vader. Ali estava a resposta. Como Darth Vader assaltaria o cinema. E, depois do assalto ao cinema, outros se seguiriam. A mulher não se queixaria mais da falta de dinheiro. E ele poderia viver em paz, sonhando com o dia em que, numa nave espacial, seguiria viagem para uma galáxia muito, muito longínqüa.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 30/05/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-3817165990518869175?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/3817165990518869175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=3817165990518869175' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3817165990518869175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3817165990518869175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/guerra-nas-estrelas.html' title='Guerra nas Estrelas'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-7242279528379967349</id><published>2007-09-24T05:59:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T05:59:15.670-07:00</updated><title type='text'>Continente e conteúdo</title><content type='html'>Uma frase pronunciada pelo presidente Lula durante um jantar na embaixada do Brasil em Tóquio quase provocou outra tensão diplomática entre Brasil e Argentina. O principal jornal do país vizinho, o "Clarín", reproduziu informações da coluna do jornalista Fernando Rodrigues, na Folha, de que o presidente brasileiro disse a interlocutores que "temos de ter saco para aturar a Argentina". A frase, entretanto, foi traduzida pelo diário como "hay que tener bolas para bancar a los argentinos", o que pode ser interpretado não no sentido que tem a expressão em português, de ter paciência, mas sim algo parecido com "temos de ser machos para agüentar os argentinos". Folha Brasil, 31.05.2005&lt;br /&gt;Como atesta qualquer tratado de embriologia, os testículos nascem em um recôndito lugar do abdome, mais precisamente junto aos rins. Ali poderiam ficar, desempenhando tranqüilamente sua função de gerar os espermatozóides que darão continuidade à espécie. Mas, por alguma razão, os testículos (e nisso, como no resto, embora sendo dois estão sempre de acordo) não se resignam com tal posição anatômica, por eles considerada incompatível com a dignidade de órgãos que, afinal, representam a masculinidade. Junto aos rins, junto às tripas? Jamais. De modo que trataram de migrar. Num movimento tipo invasões bárbaras, começaram a descer abdome abaixo. Queriam mais luz. Queriam visibilidade, queriam exposição. Queriam criar uma imagem própria, porque, como se sabe, imagem é tudo.&lt;br /&gt;Para desagradável surpresa de ambos, contudo, não ficaram à mostra como acontece com os seios. Foram dar, literalmente, num "cul-de-sac", num fundo de saco, e, pior ainda, num engelhado saco de pele conhecido como escroto, palavra de óbvia conotação pejorativa.&lt;br /&gt;A fúria de ambos foi enorme, e eles a despejaram no alvo mais próximo e mais inerme, exatamente o tal saco escrotal. Você é um saco, diziam sem cessar, você não passa de um medíocre desmancha-prazeres. O pobre escroto nada respondia. Estava acostumado a um papel subsidiário na anatomia; apenas obtinha algum consolo quando o seu dono -mas só quando não tinha o que fazer -coçava-o distraidamente (e nisso, ao contrário do que diziam os testículos, parecia obter certa satisfação).&lt;br /&gt;De dentro do seu modesto invólucro, os testículos continuam se gabando: somos muito machos, repetem a todo instante, não temos paciência com os perdedores. E prometem que um dia virão à luz, proclamando ao mundo seu poder hegemônico sobre o continente.&lt;br /&gt;Haja saco para aturar esses caras, pensa o escroto. Pensa, apenas. Saco, como se sabe, não fala.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 06/06/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-7242279528379967349?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/7242279528379967349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=7242279528379967349' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/7242279528379967349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/7242279528379967349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/continente-e-contedo.html' title='Continente e conteúdo'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-7297551824164578077</id><published>2007-09-24T05:58:00.007-07:00</published><updated>2007-09-24T05:58:59.615-07:00</updated><title type='text'>Desempenho</title><content type='html'>"Reality show" testa performances sexuais. Dezenove pessoas têm suas performances sexuais testadas em busca de um prêmio de cerca de R$ 610 mil. Dos participantes, três homens são casados. Folha Online, 05.06.2005&lt;br /&gt;Quando ela chegou em casa, às 10h da noite, o marido não estava. O que nela não despertou nenhuma suspeita; sabia que estava trabalhando. O emprego, modesto, exigia longas horas, uma obrigação que ele cumpria sem reclamar e que ela também tinha de aceitar. Mas nessa noite a ausência do cônjuge era até providencial. Ela queria assistir a um novo programa de TV e queria fazê-lo sozinha. Porque o novo programa, um "reality show", tinha como mote o desempenho sexual. Os anúncios garantiam que os pares fariam proezas incríveis na cama, animados pela perspectiva de um polpudo prêmio.&lt;br /&gt;Era justamente isso que faltava ao casamento deles. Em matéria de sexo, o esposo era absolutamente rotineiro: papai-mamãe, e estamos conversados. Inovações, aventuras? Nem pensar. Para isso ela só podia contar com a imaginação e, agora, com o "reality show".&lt;br /&gt;Que não a decepcionou. De fato, em matéria de desempenho, os casais enfiariam o Kama Sutra no bolso do colete, se estivessem de colete, claro. As mais incríveis posições, as mais audazes manobras. Ela chegava a gemer de desejo.&lt;br /&gt;Havia um homem que era especialmente bom e que a direção do programa identificava apenas como o Senhor X -ele fizera questão do anonimato. Apresentava-se de máscara e com uma espécie de capa, mas isso em nada atrapalhava o seu desempenho, ao contrário: o cara era soberbo. E compreensivelmente não se identificava: seria perseguido por mulheres até na rua.&lt;br /&gt;De repente ela deu um salto na cadeira. A câmera mostrava agora o Senhor X de costas, e em seu dorso ela via algo que conhecia muito bem: uma cicatriz de curioso formato. A cicatriz que resultara da drenagem de um abscesso na infância. Ela reconhecia a cicatriz, reconhecia as costas, reconhecia o homem: era seu marido.&lt;br /&gt;Esperou-o chegar e nem se deu ao trabalho de fazer perguntas: começou logo a puteá-lo de cima a baixo. O argumento final reservara para o fim:&lt;br /&gt;- Se pelo menos você guardasse um décimo dessas habilidades para mim! Mas não, nem isso mereço!&lt;br /&gt;Ele ouvia em silêncio, impassível. Finalmente ela se calou, ofegante, e ele então começou a falar. Disse que sim, que aceitara participar do "reality show", como aliás participava em muitas coisas desse gênero: dali tiraria o dinheiro para ajudar nas despesas da casa. Uma pausa e aí veio a revelação surpreendente:&lt;br /&gt;- Mas a grande aventura eu vivo em casa. Com você.&lt;br /&gt;Ela não podia acreditar no que estava ouvindo: grande aventura, com ela? De que jeito? E ele então explicou: para ele, posições arrojadas, manobras inusitadas, tudo isso era rotina, coisa que lhe cansava e lhe dava dor na coluna. O que realmente lhe era gratificante, que o comovia até as lágrimas, era o papai-mamãe com a mulher. Uma grande, emocionante aventura.&lt;br /&gt;Ela não sabe se este argumento é sincero ou não, verdadeiro ou não. Mas tem de reconhecer: foi, no mínimo, uma hábil manobra, um audaz posicionamento. Desempenho para esposa alguma botar defeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 13/06/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-7297551824164578077?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/7297551824164578077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=7297551824164578077' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/7297551824164578077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/7297551824164578077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/desempenho.html' title='Desempenho'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-6785252654440702354</id><published>2007-09-24T05:58:00.005-07:00</published><updated>2007-09-24T05:58:44.224-07:00</updated><title type='text'>Os dilemas da Fortuna</title><content type='html'>Uma americana de 55 anos ganhou duas vezes na loteria no espaço de cinco meses no Estado da Pensilvânia -uma coincidência cuja chance de acontecer é de 1 em 419 milhões. Donna Goeppert ganhou US$ 1 milhão (R$ 2,43 milhões) em cada vez que foi premiada pela loteria da Pensilvânia. Folha Online, 16.06.2005 &lt;br /&gt;Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar, mas a chance de acertar duas vezes na loteria não deve ser muito maior. Quando isso aconteceu, ela ficou simplesmente estarrecida, mesmo porque não era uma pessoa particularmente afortunada: ao contrário, ela e o marido levavam uma vida modesta, no interior, lutando com dificuldades. Agora, porém, tudo mudava: 1 milhão de dólares, e mais 1 milhão de dólares -duas vezes milionária ela podia pensar em se aposentar, em deixar de trabalhar, em passar o resto de seus dias gozando a vida.Não era o que pensava o marido.&lt;br /&gt;Logo depois da notícia do prêmio ele ficara muito contente. Em seguida, porém, começou a se mostrar inquieto. Homem dado a certas especulações esotéricas, acreditava que aquilo não era acaso, mas sim um desígnio do Destino. Há um recado aí, repetia constantemente à mulher. Um claro recado, para ele: a mulher deveria apostar de novo. Quem tinha ganhado duas vezes seguramente ganharia uma terceira vez. Mais: ele passou a acreditar que a mulher, para quem aliás nunca dera muito bola, era uma criatura especial. Aquele tom meio esverdeado de sua pele, aqueles olhos esbugalhados, os cabelos que - por causa do curioso penteado - pareciam duas antenas, aquilo não apontaria para uma certa origem misteriosa? Não seria ela uma alienígena, uma Supermulher, deixada ainda bebê na maternidade do lugarejo, em lugar de outra menina qualquer? Ela deveria jogar na loteria, sim. Jogaria e ganharia. Mesmo porque, como ele deixava claro, não se tratava só de dinheiro. Ganhando três vezes na loteria ela deixaria de ser apenas uma pessoa de sorte, passaria a ser uma mulher abençoada, prodigiosa. E aí mil possibilidades surgiriam: ela poderia, por exemplo, dar início a uma nova seita (para a qual ele já tinha até um nome: a Falange dos Afortunados). Poderia fornecer franchising para videntes e adivinhos. Poderia começar uma carreira política, chegando, sem dúvida, à Presidência da República: quem deixaria de votar numa mulher capaz de prever o resultado de qualquer guerra?&lt;br /&gt;Os argumentos do marido deixavam-na apreensiva. Por ela, nunca mais chegaria sequer perto de uma lotérica. Mas sabe que ele ainda dá as cartas. Não escapará, portanto: um dia terá de apostar de novo. Se isso for realmente inevitável, sabe o que fazer: usará seus 2 milhões de dólares para comprar bilhetes de loteria. Um deles forçosamente terá de ser premiado. O Destino não pode ser tão ruim assim.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 20/06/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-6785252654440702354?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/6785252654440702354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=6785252654440702354' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/6785252654440702354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/6785252654440702354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/os-dilemas-da-fortuna.html' title='Os dilemas da Fortuna'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-5532236418642143537</id><published>2007-09-24T05:58:00.003-07:00</published><updated>2007-09-24T05:58:29.852-07:00</updated><title type='text'>Monkey Business</title><content type='html'>Pinturas de macaco alcançam R$ 61 mil. Três quadros feitos pelo chimpanzé Congo foram arrematados em leilão pelo norte- americano Howard Hong. Mundo, 22.06.2005 &lt;br /&gt;Ao saber da compra feita por Hong (Hong! Só Hong! Nem era o King Kong!), ele teve um ataque de fúria. Há anos pintava, há anos dedicava-se integralmente à arte -e não conseguia vender quadro algum, ainda que seus quadros fossem (como os de Congo, aliás) fortemente abstratos. É o fim da arte, disse à mulher:&lt;br /&gt;- Até um chimpanzé vende quadros. Os verdadeiros artistas não contam, não têm vez. Para os macacos, dinheiro. Para os pintores como eu, uma banana. Banana podre, ainda por cima.&lt;br /&gt;Mas aquilo acabou dando-lhe uma idéia. Porque também tinha um macaco em casa. Não um chimpanzé, para o qual não haveria espaço; seu macaco era um mico chamado Cafuá, um macaquinho pequeno e muito esperto, que chamava a atenção dos raros visitantes do ateliê. Na verdade, era muito mais conhecido como o dono do Cafuá do que como artista. Por que não tirar proveito disso? Por que não repetir o caso Congo?&lt;br /&gt;Procurou um jornalista conhecido e contou uma história. Disse que, no dia anterior, ao chegar em casa, encontrara o mico macaqueando o dono: pincel e paleta nas mãos, pintava um quadro. Um quadro abstrato, naturalmente, mas que nada ficava a dever às obras do Congo. O jornalista, sem assunto, resolveu fazer uma matéria a respeito, com fotos de Cafuá e do quadro.&lt;br /&gt;No dia seguinte choveram telefonemas no ateliê. Muitas pessoas, que sabiam da história do chimpanzé Congo, e acreditando num bom investimento, queriam comprar o quadro. Que foi vendido por uma boa quantia.&lt;br /&gt;A partir daí ele não teve mãos a medir. Qualquer quadro que Cafuá supostamente pintasse tinha comprador. Mais que isso, uma galeria especializada organizou, em parceria com uma cadeia de pet shops, uma grande exposição chamada "Arte Macaca", que até foi levada a Miami, onde recebeu o título, mais conveniente, segundo o empresário americano que se encarregou da operação, de "Monkey Business", negócio de macaco.&lt;br /&gt;O artista poderia ter mantido esta situação durante muito tempo, não fosse uma infeliz idéia que, numa tarde, lhe ocorreu. Resolveu dar pincel e tinta a Cafuá para ver se o macaco sabia mesmo pintar. Sem vacilar, o mico correu para uma tela e ali, em questão de horas, retratou seu dono ao estilo renascentista, com uma perícia e uma sensibilidade que deixariam Leonardo da Vinci boquiaberto.&lt;br /&gt;O artista agora vive um grande dilema. Se mostrar o quadro, ninguém acreditará que a obra é de Cafuá. E se não o mostrar privará o mundo de um grande talento.&lt;br /&gt;Poderia, claro, assumir ele próprio a autoria das obras; mas isso não seria justo para com o talentoso mico. E, de qualquer jeito, ninguém lhe daria importância -como importância alguma lhe haviam dado no passado. Só lhe resta alimentar Cafuá com as melhores bananas que encontra no super. E pedir-lhe desculpas diariamente.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 27/06/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-5532236418642143537?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/5532236418642143537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=5532236418642143537' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/5532236418642143537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/5532236418642143537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/monkey-business.html' title='Monkey Business'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-9147400637390087319</id><published>2007-09-24T05:58:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T05:58:14.414-07:00</updated><title type='text'>Falso. Verdadeiro. Falso. Verdadeiro</title><content type='html'>Uma mulher pode até conseguir enganar seu parceiro fingindo um orgasmo, mas pesquisadores holandeses afirmam ter conseguido flagrar o falso clímax com a ajuda da tomografia computadorizada. Áreas ligadas a emoções ficam "desligadas" no orgasmo verdadeiro, mas ativas no falso. Folha Ciência, 21.06.2005 &lt;br /&gt;Estavam casados há mais de 20 anos, e nesses anos jamais -jamais!- ela tivera um orgasmo.Isso não queria dizer que o casamento fosse infeliz. Não era. Ela amava o marido, homem bom, compreensivo, carinhoso, que satisfazia suas vontades e lhe dera três filhos lindos. O único problema era aquele, do orgasmo. Problema de que ele, aliás, não se dava conta porque, na cama, a mulher era uma verdadeira artista. Fingia chegar ao clímax com uma perfeição de dar inveja a qualquer atriz de filme pornográfico. A verdade é que ela conhecia o orgasmo verdadeiro; experimentava-o com o amante, o dono de uma loja próxima à sua casa, com quem se encontrava uma vez por semana. Não eram encontros agradáveis; tratava-se de um homem grosseiro, brutal mesmo, dado a piadinhas de mau gosto e que, além disso, bebia. Mas continuavam juntos porque ela fazia questão do orgasmo.&lt;br /&gt;Foi aí que leu no jornal a nota pedindo voluntários para a pesquisa. Um detalhe chamou-lhe a atenção: teriam preferência as mulheres capazes de fingir um orgasmo.&lt;br /&gt;Decidiu ir até lá. Porque o fez, não saberia dizer. Talvez quisesse viver uma aventura diferente, diferente daquela que vivia com o amante, diferente daquela que vivia com o marido. Foi. Introduziram-na em um laboratório cheio de aparelhos e pediram-lhe que fingisse um orgasmo. Foi o que ela fez, impressionando os cientistas que nunca haviam visto um clímax tão realista. Depois, mostraram-lhe as tomografias de seu cérebro. Ela ficou impressionada com as áreas brilhantemente iluminadas que via ali. A que se devia tal fenômeno?&lt;br /&gt;- O orgasmo pode ser falso - disse um dos pesquisadores, sorrindo. - Mas a emoção é verdadeira.&lt;br /&gt;Ela saiu dali pensando naquelas palavras. Com que então, havia emoções verdadeiras, profundas no sexo que fazia com o marido. Era uma possibilidade que nunca lhe ocorrera.&lt;br /&gt;Naquela noite o casal fez sexo. E, pela primeira vez em 20 anos, ela teve um orgasmo verdadeiro. Tão verdadeiro que, para espanto do marido, ela pôs-se a chorar convulsivamente.&lt;br /&gt;É o ápice do amor. Mas há um problema: não sabe o que fazer com o amante. Se pudesse, ela o abandonaria. Mas ele já a ameaçou de morte se ela fizer isso.&lt;br /&gt;Continuam se encontrando. Ela já não tem prazer algum, não tem orgasmo algum. Mas não perdeu a antiga habilidade: finge como ninguém. Em seu cérebro acendem-se luzes. Tristes, brilhantes luzes.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 04/07/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-9147400637390087319?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/9147400637390087319/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=9147400637390087319' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/9147400637390087319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/9147400637390087319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/falso-verdadeiro-falso-verdadeiro.html' title='Falso. Verdadeiro. Falso. Verdadeiro'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-1899650421825224007</id><published>2007-09-24T05:57:00.005-07:00</published><updated>2007-09-24T05:57:58.717-07:00</updated><title type='text'>Emoções na balança</title><content type='html'>Acampamentos para jovens obesos se propagam nos EUA: por US$ 7.500, instituições prometem amparo emocional e reeducação alimentar. Folha Mundo, 3.07.2005 &lt;br /&gt;A princípio ela não queria ir para o acampamento de obesos. Sim, estava bem gordinha e sofria com isso, mas não tinha a menor esperança de melhorar. Além disso, achava que iriam rir dela. A mãe, contudo, insistiu:&lt;br /&gt;- Você vai, sim. E eu tenho a certeza de que esse acampamento mudará sua vida.&lt;br /&gt;Palavras que se revelaram proféticas. Porque o acampamento mudou mesmo a vida dela. Não no sentido que a mãe esperava, mas mudou. Algo inesperado aconteceu quando ela chegou ao local, um belo vale perto de um lago e próximo a altas montanhas.&lt;br /&gt;Ela se apaixonou.&lt;br /&gt;Apaixonou-se perdidamente por um rapaz chamado Peter. Peter, alto, forte e bonito, era o coordenador do acampamento. Muitas outras garotas estavam apaixonadas por ele, claro. Mas ela tinha certeza de que conquistaria o seu coração. Afinal de contas, podia ser obesa, mas não era feia. E era simpática, era inteligente, era culta...&lt;br /&gt;Na primeira vez que ficaram a sós, declarou o seu amor. Ele, de maneira delicada mas firme, recusou a proposta amorosa. Explicou que aquilo poderia prejudicá-lo:&lt;br /&gt;- Você vê, faz parte da propaganda de nosso acampamento prometer que as garotas ficarão esbeltas, com uma bela silhueta. Pela minha experiência, esse não será o seu caso: você dificilmente perderá peso. E namorar uma garota obesa comprometerá seriamente minha imagem.&lt;br /&gt;Ela ficou tão chateada que abandonou o acampamento. Voltou para casa e, para consternação da mãe, passava os dias chorando. Perdeu o apetite, não comia mais nada. Resultado: emagreceu. Emagreceu espantosamente. Tornou-se esbelta, com uma bela silhueta.&lt;br /&gt;Não tardou a arranjar um namorado, um rapaz alto, forte e bonito. Mas não está feliz. O que ela queria era vingar-se de Peter, humilhá-lo como fora humilhada. Chegou a traçar um plano para isso. Novamente se inscreveria no acampamento, novamente apareceria diante dele, agora com sua nova e elegante figura. E quando ele, arrependido, declarasse sua paixão, ela o rejeitaria.&lt;br /&gt;Mas essa vingança não é possível. Por uma simples razão: as regras do acampamento excluem terminantemente as magras. Ela não foi sequer aceita na seleção prévia. Claro, sempre resta a possibilidade de engordar de novo. O atual namorado, que é fã de gordinhas, gostaria disso. Mas aí, mais uma vez, ela seria esnobada por um tal de Peter. Coisa que, na sua balança emocional, representaria um peso insuportável.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 11/07/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-1899650421825224007?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/1899650421825224007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=1899650421825224007' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1899650421825224007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1899650421825224007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/emoes-na-balana.html' title='Emoções na balança'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-7945028739034065904</id><published>2007-09-24T05:57:00.003-07:00</published><updated>2007-09-24T05:57:41.941-07:00</updated><title type='text'>Divisão de tarefa</title><content type='html'>São mesmo os maridos que mais atrapalham a inserção da mulher no mercado de trabalho. Mesmo em tempos de igualdade entre os sexos, a divisão das tarefas ainda sobrecarrega as mulheres. Folha Cotidiano, 11.07.2005 &lt;br /&gt;Quando ela disse para o marido que seu sonho era ser empresária, ele caiu na gargalhada. Riu, riu até engasgar. Ora, faça-me o favor, disse, quando, ofegante, finalmente conseguiu conter o riso:&lt;br /&gt;- Você, empresária? Você não dá para essas coisas, mulher. Você é humilde demais para isso. Seu lugar é em casa. Você cozinha muito bem, você é ótima na limpeza. Além disso, não esqueça: já estamos casados há três anos, está na hora de ter filhos. Eu sou antigo, sou metido a patriarca, quero família grande.&lt;br /&gt;Ela não disse nada. O que poderia dizer? O marido era um autoritário, era do tipo falou-tá-falado. De modo que optou por ficar calada. Mas não desistiria da idéia.&lt;br /&gt;Que era, basicamente, abrir uma pequena loja de roupa feminina num bairro próximo. Capital inicial não lhe faltaria; recebera de herança uma pequena soma que, ignorada pelo marido, continuava depositada no banco. Ajudada por uma amiga, foi em frente com seu plano. Abriu a loja. A amiga, na qualidade de gerente, tocava o negócio, mas quem supervisionava tudo era ela. Fazia-o sob os pretextos mais variados: médico, dentista, chá com amigas... O marido, felizmente, não desconfiava de nada.&lt;br /&gt;Outros suspeitariam de um amante; não ele. Confio em minha mulher, dizia a quem quisesse ouvir, e com isso ela podia prosseguir em seu empreendimento. Que ia de vento em popa. Porque ela tinha um verdadeiro faro para moda, sabia detectar tendências. A loja cresceu extraordinariamente. Logo abriu uma filial, e depois uma segunda, e depois uma terceira, e em seguida começou a vender franchisings. Sempre anônima, sempre mantendo o seu modesto estilo de vida. Uma notícia de jornal até falava na "misteriosa senhora" que, nos bastidores, dirigia com fantástica eficiência uma cadeia de lojas. Notícia que o marido até comentou, verdade com certo despeito: de vez em quando as mulheres até funcionam como empresárias.&lt;br /&gt;Já ele não ia tão bem de negócios. A sua loja, uma ferragem, começou a afundar. Atolado em dívidas, não teve outra solução senão pedir falência. Humilhado, contou para a mulher que agora teria de procurar um emprego.&lt;br /&gt;Chegara o momento. No dia seguinte ela mostrou ao marido um anúncio: a cadeia de lojas procurava alguém experiente para o cargo de supervisor de vendas. Conseguiu convencê-lo de que aquela era a sua chance.&lt;br /&gt;Ele foi lá. Entrevistaram-no, contrataram-no. E aí levaram-no para ser apresentado à chefe. Quando ele viu a mulher sentada no amplo escritório, teve uma dupla reação: de incrédula surpresa, naturalmente, e de fúria: então era você, você me enganou.&lt;br /&gt;Ali mesmo pediu demissão. Que ela não aceitou. Contratou-o como diretor-presidente, com um polpudo salário. É verdade que ele não faz muita coisa. Mas dá ordens. E como, de vez em quando, a esposa ainda arruma a casa e passa o aspirador, sente que sua auto-estima está preservada. Afinal, a divisão de tarefas continua a ser feita da maneira como ele sempre quis.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 18/07/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-7945028739034065904?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/7945028739034065904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=7945028739034065904' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/7945028739034065904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/7945028739034065904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/diviso-de-tarefa.html' title='Divisão de tarefa'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-3650818620985443138</id><published>2007-09-24T05:57:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T05:57:26.834-07:00</updated><title type='text'>A ponte</title><content type='html'>Pontes são símbolo de desperdício no país.Folha Cotidiano, 18.07.2005 &lt;br /&gt;A administração queria se consagrar com uma obra monumental, uma obra que fosse vista de longe, que passasse para a história do país como uma maravilha arquitetônica. Muitos projetos foram examinados, mas optou-se por uma ponte, uma grande e moderna ponte. Custou quase o orçamento inteiro, mas ao fim de dois anos estava pronta, aquela coisa gigantesca, com vários vãos e uma altura superior a 30 metros.&lt;br /&gt;Só que não passava rio algum sob a ponte e isso de imediato começou a ser criticado pela oposição. "Não pode se dizer que muita água passará sob esta ponte", escreveu o líder oposicionista em artigo de jornal, "pela simples razão de que a ponte foi construída no seco". Reconhecendo o erro, a administração tratou de saná-lo. Um rio próximo teve seu curso desviado, de modo a passar sob a ponte. Os pescadores locais gostaram muito, porque podiam pescar da amurada, mas logo outro problema apareceu: rio já havia, mas nenhuma estrada chegava à ponte, nenhuma estrada saía dela. O líder oposicionista voltou à carga: "É como aquelas famosas pontes que unem o nada a coisa nenhuma". De novo, o erro foi reconhecido, e começou imediatamente a construção de uma estrada, que não era muita longa, mas tinha duas pistas, canteiro no meio e, claro, um pedágio. A estrada foi inaugurada com muita festa, mas já no dia seguinte um terceiro problema era trazido à baila: tanto ao norte como ao sul a estrada terminava abruptamente, no meio do deserto descampado. O líder oposicionista disse que não usaria a expressão "unindo o nada a coisa nenhuma", para não se repetir, mas não deixou de assinalar o absurdo. Diante disso, dois conjuntos habitacionais foram construídos, um em cada ponta da estrada, para serem entregues à população.&lt;br /&gt;Só que ninguém foi morar ali. Afinal, não havia qualquer local de trabalho na região, nenhuma fábrica, nada. As casas acabaram sendo demolidas. A estrada, esburacada, desapareceu, engolida pelo mato. O rio, para desgosto dos pescadores, secou.&lt;br /&gt;Mas a ponte, muito bem construída, continua no lugar. E agora, sim, tem uma função. Debaixo dela moram pelo menos umas dez famílias. Acham o lugar um pouco apertado, mas pelo menos não pegam chuva. E morar sob a ponte não deixa de ser romântico. Não tão romântico quanto certos sonhos grandiosos, mas romântico mesmo assim.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 25/07/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-3650818620985443138?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/3650818620985443138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=3650818620985443138' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3650818620985443138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3650818620985443138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/ponte.html' title='A ponte'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-3405629872096525607</id><published>2007-09-24T05:56:00.006-07:00</published><updated>2007-09-24T05:57:07.576-07:00</updated><title type='text'>As estranhas vozes da fama</title><content type='html'>Cantor vende suas ações "antes da fama". Um jovem de origem indiana que mora em Londres conseguiu arrecadar dinheiro suficiente para dar o pontapé inicial em sua carreira ao vender ações de suas futuras royalties no site de leilões e vendas eBay. Shayan, de 27 anos, insiste que o esquema serviu para evitar a tradicional rota de envio de fitas de demonstração às gravadoras. "A coisa mais difícil é chamar a atenção das pessoas", disse. Em entrevista à BBC, o cantor contou que precisava de dinheiro para comercializar as suas músicas, que são "ótimas". Folha Online, 19.07.2005 &lt;br /&gt;Quando ouviu a história do cantor Shayan, ele achou que ali estava um exemplo a ser seguido. Também ele se considerava um bom cantor; também ele estava começando, e achava que não tinha tido chances suficentes. Falou com um amigo, promotor cultural, que se comprometeu a ajudá-lo. Traçaram o plano. Convidariam investidores para um espetáculo em que ele se apresentaria, interpretando canções de sua própria autoria e outras. Ao final, abririam uma subscrição para ações de seu próximo CD.&lt;br /&gt;O amigo, que conhecia gente na mídia, conseguiu uma boa cobertura para o evento. E aí começaram a prepará-lo, em meio a uma ansiosa expectativa. O jovem cantor confessou a amigos que estava com um mau pressentimento. Não deu outra: na véspera do espetáculo acordou completamente afônico.&lt;br /&gt;E agora? O que fazer? Suspender a apresentação seria um desastre; numa segunda vez não conseguiriam o apoio da mídia, e muito menos o de investidores. Mas então o promotor lembrou-se de um amigo que poderia quebrar o galho.&lt;br /&gt;Esse homem tinha duas habilidades: em primeiro lugar era ventríloquo, ou seja, conseguia falar por outros (em geral um boneco, mas nada impediria que o fizesse também com um ser humano). Depois, era um razoável cantor. Já tinha até se apresentado em alguns shows.&lt;br /&gt;Não havia alternativa: era aquilo ou nada, de modo que foram em frente. E a verdade é que a coisa funcionou. O rapaz apareceu frente ao público, disse algumas palavras (ou melhor, o ventríloquo disse algumas palavras por ele) e depois cantou (ou melhor, o cantor cantou por ele). Foi um sucesso. Os investidores aplaudiram, entusiasmados, subscreveram as ações e assim levantou-se a quantia necessária para o lançamento do CD, que está programado para breve.&lt;br /&gt;Quanto ao ventríloquo, recebeu seu pagamento e continua fazendo seus espetáculos num pequeno teatro. Mas já está decidido: breve iniciará uma carreira como cantor. Um amigo, promotor cultural, comprometeu-se a ajudá-lo. Já traçaram o plano. Convidarão investidores para um espetáculo em que ele se apresentará, interpretando canções de sua própria autoria e outras. Ao final, abrirão uma subscrição para ações de um CD.&lt;br /&gt;O único problema que pode ocorrer é uma rouquidão inesperada antes do show. Mas sempre existem ventríloquos para quebrar esse galho.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 01/08/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-3405629872096525607?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/3405629872096525607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=3405629872096525607' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3405629872096525607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3405629872096525607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/as-estranhas-vozes-da-fama.html' title='As estranhas vozes da fama'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-2195218257243394833</id><published>2007-09-24T05:56:00.005-07:00</published><updated>2007-09-24T05:56:54.608-07:00</updated><title type='text'>Casa de boneca</title><content type='html'>"Casa de boneca" abriga morador de rua. Os abrigos, de cerca de um metro e meio de altura, foram construídos por entidade assistencial de São Paulo. FOLHA Cotidiano, 02.08.2005 &lt;br /&gt;O luxuoso automóvel passou pelo local em regular velocidade, mas isso não impediu que a menina, sentada no banco traseiro, avistasse as duas pequenas casas azuis, com pouco mais de um metro e meio de altura. Curiosa, ordenou ao motorista que parasse, mas este não obedeceu:&lt;br /&gt;- Seu pai mandou que eu levasse a senhorita para casa -disse, respeitoso, mas firme e é isso que vou fazer.&lt;br /&gt;Ela entrou furiosa na luxuosa mansão e imediatamente foi dizendo aos pais: quero aquela casinha de boneca que vi lá perto do shopping.&lt;br /&gt;O pai tentou dizer a ela que aquilo não era casinha de boneca, que casinha de boneca a gente compra em lojas de brinquedos e que, ademais, ela já tinha duas casinhas de boneca; mas foi inútil. A menina, mimada como sempre, insistia: queria aquela de boneca e nenhuma outra. O pai, suspirando, tomou o carro e foi até lá. No caminho, comprou uma pequena casa pré-fabricada, desmontável; com uma boa argumentação, conseguiu convencer o morador da casinha, um homem de seus cinqüenta anos, a fazer a troca, que aliás seria vantajosa.&lt;br /&gt;Voltou para casa, trazendo a casinha azul. Mas aquilo não deixou a menina satisfeita. Ela queria o boneco.&lt;br /&gt;- Que boneco? -perguntou o pai, surpreso.&lt;br /&gt;- O boneco grande que estava dentro da casinha -replicou ela. - Pensa que não vi? Tinha, sim, um boneco aí dentro. Quero a casinha com o boneco.&lt;br /&gt;O pai disse que não era um boneco, que era um homem de verdade. O que não serviu de argumento:&lt;br /&gt;- Então quero o homem. Quero que ele fique morando aqui.&lt;br /&gt;O pai ia dizer que aquilo era um absurdo, mas a filha simplesmente não admitia ser contrariada. Atirou-se no chão, chorando e gritando. Chorou e gritou tanto que ele não teve outra alternativa: tomou o carro e voltou para o local. Felizmente o homem ainda estava ali, terminando de montar a pequena casa pré-fabricada. Não foi muito difícil convencê-lo a fazer a mudança: ganharia um salário para não fazer nada, só ficar à vista da menina quando esta o quisesse.&lt;br /&gt;A casinha azul foi instalada junto à piscina. O homem passa ali os dias, sentado à porta. De vez em quando varre o jardim e recolhe as folhas que caem na piscina. Não é obrigação dele. Mas precisa fazer alguma coisa, para se convencer que não virou um simples habitante de casa de boneca.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 08/08/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-2195218257243394833?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/2195218257243394833/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=2195218257243394833' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/2195218257243394833'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/2195218257243394833'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/casa-de-boneca.html' title='Casa de boneca'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-2012984067287413430</id><published>2007-09-24T05:56:00.003-07:00</published><updated>2007-09-24T05:56:35.120-07:00</updated><title type='text'>A Maior Mulher do Mundo</title><content type='html'>Maior calcinha do mundo ajuda a divulgar feira de lingerie. A Fevest (Feira de Lingerie de Nova Friburgo) decidiu chamar a atenção dos consumidores com uma lingerie nada discreta: uma calcinha gigante de 12 metros de largura por 9,5 metros de altura. Ela foi pendurada no centro de Nova Friburgo para divulgar o trabalho do pólo de moda íntima da região. Folha Online, 10.08.2005&lt;br /&gt;Na rodinha de bar, a foto da calcinha gigante fez o maior sucesso. Isso é o sonho de qualquer fetichista, dizia um dos amigos, e outro perguntava:&lt;br /&gt;- Vocês já pensaram quantos dólares dá para levar numa calcinha dessas? Esta vai ser a calcinha do "mensalão"!&lt;br /&gt;Só Márcio mantinha-se em silêncio. Porque a calcinha mobilizava nele uma fantasia que o acompanhava desde a infância.&lt;br /&gt;A Maior Mulher do Mundo.&lt;br /&gt;Só a Maior Mulher do Mundo poderia usar uma calcinha daquelas. E que mulherão seria a Maior Mulher do Mundo! Suas dimensões explodiriam todos os padrões convencionais de beleza feminina. Para começar, seu corpo não seria apenas um corpo, seria um território que ele exploraria vagarosamente, com o deslumbramento de um astronauta chegando a um planeta desconhecido (e belíssimo). Percorreria o vale entre as coxas, caminharia pela enorme planície do ventre, chegaria aos seios suaves -colinas que ele escalaria até chegar ao ápice tão desejado, os delicados mamilos.&lt;br /&gt;A Maior Mulher do Mundo seria uma grande amante, uma fêmea estuante de desejo. Com esta fêmea ele faria amor, entregando-se por completo ao ato, transformando-se, graças à sua pequena estatura (sim, Márcio era baixinho), no equivalente humano de um "dildo", de um objeto fálico, de um vibrador animado, não por pilhas comuns, mas por seu incontido desejo. Muito aplicado, faria com que ela chegasse ao orgasmo repetidamente, cada orgasmo equivalendo a um tremor de terra de sete e meio graus na escala Richter. A Maior Mulher do Mundo retribuiria sua paixão; não apenas o amaria, como o protegeria, brincaria com ele como se fosse um bonequinho. Aninhado em sua basta cabeleira, ele parafrasearia Napoleão chegando ao cume da pirâmide do Egito: "Do alto desta Mulher, séculos de paixão vos contemplam".&lt;br /&gt;Os amigos notaram o arrebatamento dele, debocharam: bem que você gostaria de estar dentro daquela calcinha, Márcio. Ele respondeu com um sorriso amarelo, levantou-se, e foi para casa.&lt;br /&gt;Onde encontrou sua mulher. Que não era a Maior Mulher do Mundo: tinha um metro e sessenta de altura. Mas era gordinha, comia bastante, e naquele momento estava fazendo exatamente isso, traçando um enorme prato de arroz, feijão e carne gordurosa.&lt;br /&gt;- Isso mesmo -ele disse-, continue comendo desse jeito. Sabe o que você vai virar daqui a alguns tempos? Sabe? Você vai virar a maior mulher do mundo. Isso mesmo: a maior mulher do mundo.&lt;br /&gt;E, tendo-se vingado da vida que não realizava seus sonhos, foi para o quarto dormir.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 15/08/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-2012984067287413430?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/2012984067287413430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=2012984067287413430' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/2012984067287413430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/2012984067287413430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/maior-mulher-do-mundo.html' title='A Maior Mulher do Mundo'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-2205882523707947044</id><published>2007-09-24T05:56:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T05:56:12.921-07:00</updated><title type='text'>Personal</title><content type='html'>Terceirizar a vida privada. A lógica do mercado atinge a vida íntima: há um "personal" para praticamente qualquer atividade cotidiana. Folha Equilíbrio, 18.08. 2005&lt;br /&gt;Ela já ouvira falar de "personal trainer", o professor de ginástica que atende individualmente. Também já ouvira falar de "personal dancer", "personal dieter", "personal shopper" (este, alguém que se encarrega de fazer compras). Mas ficou absolutamente fascinada quando uma amiga lhe falou do "personal husband", o marido personalizado. Era uma coisa da qual, a propósito, estava precisando: o marido, alto executivo de uma grande corporação, viajava muito; e, mesmo quando estava em casa, as relações entre ambos -depois de tantos anos de matrimônio- eram no máximo formais. Ela se entediava, passava longos períodos de tempo sozinha: os filhos, já adultos, moravam em outra cidade.&lt;br /&gt;Cautelosamente, falou do assunto ao esposo; disse que gostaria de ter companhia, mas a companhia de uma pessoa que fizesse isso em caráter estritamente profissional. O homem, naquele momento absorto na leitura do jornal, não deu muita importância à solicitação. Vá em frente, disse. Ela foi em frente. Entrou em contato com a empresa que fornecia os profissionais e assim recebeu seu marido personalizado.&lt;br /&gt;Era um homem de meia-idade, alto, elegante, bonito. E muito culto; no passado, tinha sido professor universitário, trabalho que deixara por causa dos baixos salários. Agora dedicava-se por completo a exercer a condição marital. A primeira coisa que fez, logo depois de se apresentar, foi entregar o contrato de prestação de serviços, minuciosamente descritos. Serviços que, entre parênteses, ele fazia questão de prestar com a maior competência e boa vontade, como ela constatou nas semanas que se seguiram. O "personal husband" vinha todos os dias; saíam para passear, para almoçar, iam ao teatro. Conversavam muito. Era um grande papo, ele, um homem versado numa imensa variedade de assuntos.&lt;br /&gt;E ah, sim, sexo. Isso não estava previsto no contrato; como dissera a amiga, "personal husband" não era a mesma coisa que amante, mesmo porque amantes fazem exigências emocionais, amantes têm ciúmes -coisas absolutamente incompatíveis com uma relação essencialmente profissional. Se ela quisesse, claro, ele poderia prover isso também, mediante um acréscimo no pagamento. Mas ela não queria; pretendia apenas a companhia que o marido verdadeiro não lhe dava, e isso o homem provia muito bem.&lt;br /&gt;A verdade, porém, é que ela se sentia curiosa: quem seria, afinal, aquele estranho personagem? Teria família, mulher, filhos? Ele nunca falava sobre si próprio (não estava no contrato), de modo que, para descobrir alguma coisa a respeito, ela resolveu segui-lo. Uma noite, quando ele saiu da casa em seu modesto carro, ela tomou um táxi e foi atrás. Andaram muito tempo, chegaram até um bairro distante. Diante de uma casa pequena, modesta, ele estacionou e entrou.&lt;br /&gt;Do táxi, ela podia vê-lo, no living, ao lado da esposa, os dois diante da tevê. Não falavam. A mulher, um tipo comum, parecia resignada com sua condição - como ela própria estivera durante muito tempo.&lt;br /&gt;Lá pelas tantas ele se levantou, saiu da sala; estava na hora de dormir, decerto, o dia seguinte seria de trabalho. A esposa ficou sentada, diante da tevê agora desligada, o olhar perdido.&lt;br /&gt;Sem dúvida estava pensando num "personal husband".&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 22/08/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-2205882523707947044?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/2205882523707947044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=2205882523707947044' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/2205882523707947044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/2205882523707947044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/personal.html' title='Personal'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-6493941018259789664</id><published>2007-09-24T05:55:00.005-07:00</published><updated>2007-09-24T05:55:54.528-07:00</updated><title type='text'>Biocombustível</title><content type='html'>Cientistas de Cingapura criaram uma bateria que gera eletricidade a partir da urina. Folha Online, 17 de agosto de 2005. &lt;br /&gt;Quando leram sobre a bateria inventada pelos cientistas de Cingapura, os quatro ficaram alvoroçados. Cientistas amadores, eles se reuniam há anos para discutir projetos e inventos que em geral nunca saíam do papel. Mas a idéia da bateria de urina parecia sensacional. Como disse um deles, o mais entusiasta do grupo, tal invento revolucionaria o nosso mundo: uma fonte de energia completamente alternativa que poderia figurar com destaque ao lado do biodiesel e do álcool. Seria também uma colaboração para o saneamento básico. Por último, e não menos importante do ponto de vista simbólico, recuperaria um produto do organismo sempre desprezado. "Sai na urina" era uma frase que ninguém mais diria. Lançaram-se, pois, ao trabalho.&lt;br /&gt;A bateria de Cingapura na verdade era um microchip, para uso em equipamento médico miniaturizado. A bateria que eles pretendiam era outra, uma fonte de energia capaz de mover um carro elétrico, por exemplo, assim ajudando a acabar com a crise do petróleo. Depois de muita pesquisa e depois de muitos esforços conseguiram fabricar a tal bateria. Com uns 50 centímetros de altura e outros tantos de largura não era pequena; além disso, tinha acoplado um tanque onde seria depositada a urina que, através de uma reação química, produziria a eletricidade.&lt;br /&gt;Os primeiros testes se revelaram satisfatórios e eles estavam muito contentes, mas aí se depararam com um problema. Como era de esperar, a bateria consumia urina. Mas não era pouca urina. Para mantê-la funcionando, os quatro tinham de fazer generosas contribuições, e mesmo assim não era suficiente. De modo que se viram diante de uma questão - como aumentar a produção de sua própria urina? Foi aí que um deles se lembrou da cerveja, da qual todos gostavam. Cerveja, como se sabe, faz urinar; e graças às enormes quantidades que tomavam, urinavam muito. Ficaram alegrinhos, também, mas isso só fazia aumentar o otimismo deles.&lt;br /&gt;Logo se deram conta de que cerveja não era suficiente. Precisavam de mais urina. Há substâncias que fazem urinar, os diuréticos, mas aí eles teriam de correr a toda a hora para o banheiro e corriam o risco da desidratação. Isso sem falar na relação custo-benefício: com o que já tinham gasto em cerveja e com o que gastariam em diuréticos, provavelmente a bateria deixaria de ser rentável.&lt;br /&gt;Acabaram abandonando o projeto. A bateria ainda está lá, no banheiro do escritório que eles partilham. Cada vez que um deles entra para fazer xixi, a geringonça solta umas faíscas. É, por assim dizer, uma manifestação de esperança, de confiança na imaginação criativa dos cientistas amadores.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 29/08/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-6493941018259789664?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/6493941018259789664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=6493941018259789664' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/6493941018259789664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/6493941018259789664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/biocombustvel.html' title='Biocombustível'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-353739492998401721</id><published>2007-09-24T05:55:00.003-07:00</published><updated>2007-09-24T05:55:38.678-07:00</updated><title type='text'>Quero meu peso de volta</title><content type='html'>Justiça manda empresa indenizar funcionária chamada de "gordinha". O nome do trabalhador está incorporado ao seu patrimônio moral e, por isso, ele não pode ser chamado pelo chefe por um apelido pejorativo, segundo o entendimento dos juízes da 2ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (São Paulo). Os juízes condenaram a empresa Control Tower Assessoria Empresarial Ltda. a pagar indenização de R$ 8.000 a uma ex-empregada chamada de "gordinha" pelo diretor da empresa. Folha Online, 29 de agosto de 2005. &lt;br /&gt;"Senhor juiz: estou entrando na Justiça porque li a notícia sobre a funcionária que foi indenizada porque o diretor da empresa chamou-a de "gordinha". É que comigo aconteceu a mesma coisa, senhor juiz. Há cerca de dois anos fui contratada para trabalhar numa empresa aqui na capital. Parecia um bom emprego e eu estava muito animada. Entreguei-me às minhas tarefas, que não eram poucas, com a melhor das boas vontades. Devo dizer que sempre fui uma funcionária dedicada e nessa empresa pretendia ser mais dedicada ainda.&lt;br /&gt;Infelizmente, senhor juiz, meu propósito foi frustrado. E foi frustrado por ninguém menos que o diretor da empresa, a pessoa que supostamente deveria me dar apoio. Lá pelas tantas ele começou a me chamar de "gordinha". Sei, este é um termo comum, e pode ser até carinhoso; eu tinha um namorado que só me chamava assim. Mas no caso desse diretor era diferente. Ele queria me ofender. Fazia comparações: dizia que eu era gorda como uma baleia, gorda como um elefante. Que no ônibus eu deveria ser um transtorno para a pessoa sentada a meu lado. E que se eu continuasse engordando acabaria pesando uma tonelada.&lt;br /&gt;Senhor juiz, devo lhe dizer que reconheço: sou gordinha, mesmo. Tenho um 1,60 m e peso 75 quilos. Mas sempre fui gordinha. Desde criança. Na minha família -pai, mãe, cinco irmãos- todos eram magros. A única rechonchuda era eu. E eles me adoravam por causa disso. Todos me chamavam de "minha fofinha". Eu me sentia orgulhosa, eu me sentia amada. Por isso nunca dei importância quando outras pessoas chamavam a atenção para meu peso.&lt;br /&gt;Mas diretor é diretor, senhor juiz. Diretor tem autoridade. Tanto aquele homem falou que acabou me incomodando. Já não podia me concentrar no trabalho, saía-me mal nas tarefas que ele me delegava. As brigas entre nós aumentaram e acabei pedindo demissão. Agora vejo que fui precipitada, senhor juiz. Deveria ter feito como a moça da notícia. Deveria ter entrado na Justiça e pedido uma indenização.&lt;br /&gt;Porque aquele homem me prejudicou, senhor juiz. Aquele homem me prejudicou muito.&lt;br /&gt;Desde que saí da empresa simplesmente perdi o apetite. Eu, que antes devorava um generoso prato de macarronada com a maior facilidade, agora tenho de fazer força para engolir um simples chá com torradas. Estou perdendo peso rapidamente e já sou considerada magra pelas minhas amigas. Uma delas até acha que eu estou sofrendo de anorexia nervosa. Se continuar assim, vou virar um palito.&lt;br /&gt;E isso não é justo, senhor juiz. Eu sofri uma perda tanto na minha auto-estima quando na minha auto-imagem. Por isso estou acionando a empresa, senhor juiz, porque quero meu peso de volta. Ou então quero uma indenização. E que deve ser, se o senhor me permite a sugestão, proporcional à perda que tive: tantos quilos, tantos reais. Espero que meus argumentos pesem na balança da Justiça."&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 05/09/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-353739492998401721?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/353739492998401721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=353739492998401721' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/353739492998401721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/353739492998401721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/quero-meu-peso-de-volta.html' title='Quero meu peso de volta'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-7246057916247773936</id><published>2007-09-24T05:55:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T05:55:24.240-07:00</updated><title type='text'>A mão no metrô</title><content type='html'>Metrô: Pesquisa aponta que 66% dos passageiros acham muito ruim ou ruim a prevenção contra as investidas nos vagões. As queixas femininas mais comuns envolvem as "encoxadas" e a "mão-boba". Folha Cotidiano, 05.09.2005 &lt;br /&gt;Assim que o metrô chegou ela preparou-se para incomodação. Porque o vagão estava cheio, completamente lotado, e ela já sabia o que a esperava tão logo embarcasse: sem demora, algum homem, ou vários homens, encostariam nela, tentando tirar proveito da situação. Mulher ainda jovem, bonita, estava sujeita a essas situações, que a deixavam indignada. Mas, como outras usuárias na mesma situação, resignava-se. Era, achava, o preço que tinha de pagar por ser pobre, por não ter carro, como outras colegas de escritório.&lt;br /&gt;Pensou em não entrar, em esperar outro metrô mais vazio. Mas já era tarde, e ela precisava ir para casa. Num impulso, entrou, e imediatamente viu-se na clássica posição de sardinha em lata, imprensada entre corpos, vários deles masculinos. Só faltava a mão.&lt;br /&gt;Que não tardou a se fazer presente. Aos poucos, suavemente, ela sentiu a pressão de dedos sobre seu corpo.&lt;br /&gt;Mas, surpreendentemente, aquilo não a enojou, não a alarmou. Porque era diferente, o contato daquela mão. Não se tratava de uma "mão-boba"; não havia malícia naqueles dedos, não havia safadeza. Para começar, eles estavam em lugar neutro, não nas nádegas, não nas coxas, mas nas costas, as costas que ela tinha doloridas depois de um dia de árduo trabalho. E a mão não estava em busca de prazer, de sacanagem; estava simplesmente pousada, quieta. Como se dissesse estou em busca de contato humano, é só isso que eu quero.&lt;br /&gt;Ela poderia olhar ao redor, tentar descobrir quem, daqueles homens e mulheres à sua volta, estava a tocá-la. Mas não queria fazer isso. A verdade é que a gentil mão não a incomodava. Pelo contrário, fazia com que lembrasse uma passagem na infância, o dia em que o pai a levara à escola pela primeira vez. Tinham também ido de metrô; ela estava assustada, chorosa. O pai então colocara-lhe a mão nas costas, como a ampará-la, dizendo qualquer coisa do tipo "não chore, a escola é boa, você vai gostar". E ela se acalmara, não tanto por causa das palavras, mas pelo contato da mão paterna. E era a mesma sensação que tinha agora: a sensação de amparo, de conforto.&lt;br /&gt;Estava chegando, precisava descer. Como se houvesse percebido, a mão, discretamente, retirou-se de seu dorso. A porta se abriu e ela saiu do vagão. Ainda teve a tentação de olhar para trás, mas resistiu. Não queria associar nenhum dos rostos que ali estavam com a mão que a tocara. Queria, isto sim, guardar a lembrança dessa mão como uma entidade misteriosa que, de algum modo, a fizera viver uma estranha e perturbadora aventura.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 12/09/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-7246057916247773936?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/7246057916247773936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=7246057916247773936' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/7246057916247773936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/7246057916247773936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/mo-no-metr.html' title='A mão no metrô'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-6538042108490544021</id><published>2007-09-24T05:54:00.006-07:00</published><updated>2007-09-24T05:55:04.631-07:00</updated><title type='text'>Como vencer o jogo da corrupção</title><content type='html'>Corrupção na política vira jogo. Empresário lança "Escândalo!", que traz parlamentares como personagens. É um jogo recheado de fraudes e chantagens. Brasil, 15.09.2005 &lt;br /&gt;Um novo jogo está sendo lançado no país e, ao que tudo indica, logo terá muitos aficcionados. Não é fácil de disputar, mas está na ordem do dia. Aqui vão algumas dicas para aqueles que estão interessados. Veja como vencer o jogo da corrupção:&lt;br /&gt;1. Posicione-se adequadamente na estrutura política. Para dirigir o tráfico de influências, é imprescindível estar por cima. Quanto maior a altura, maior o tombo? Talvez. Mas também quanto maior a altura, maiores as oportunidades.&lt;br /&gt;2. Descoberto, negue. Negue com veemência, com convicção, com indignação, se possível. Fale em armação, fale em provas forjadas, fale até em conspiração. Descreva-se como vítima, como perseguido, como mártir.&lt;br /&gt;3. Aperfeiçoe sua cara-de-pau. Você deve ter completo e absoluto domínio sobre seus músculos faciais. É preciso, por exemplo, olhar fixamente para a câmera de TV. Não pisque. Qualquer bater de pálpebras pode ser uma evidência contra você.&lt;br /&gt;4. Crie suspense. Anuncie que você tem um documento secreto, sensacional -mas que só vai exibi-lo no momento adequado. Enquanto todos ficam aguardando o momento adequado, você aproveita o tempo para ganhar fôlego e pensar em algum outro truque.&lt;br /&gt;5. Não confie em ninguém. A corrupção não gera amigos, gera sócios -e é uma sociedade transitória, pronta para ser desmanchada quando as tramóias vêm à luz.&lt;br /&gt;6. Se nada mais der certo, parta para a solução extrema: defenda a corrupção. Isto mesmo: defenda a corrupção. Você dirá que para tanto é preciso uma boa dose de cinismo, mas às vezes o cinismo é a única alternativa que resta a quem está contra a parede. Sustente que a corrupção não passa da continuação dos negócios por outros meios, que é o único recurso contra a pesada burocracia estatal, que tantos problemas tem causado à economia. Descreva a corrupção como uma espécie de lubrificante social, criado exatamente para facilitar as coisas àqueles que têm o senso de oportunidade. Retorne ao argumento do "rouba mas faz", evocando políticos que enriqueceram ilicitamente mas que não deixavam de ser grandes empreendedores. Descreva a propina e a comissão como retribuição informal de serviços prestados, muitas vezes por pessoas cujos salários não estão à altura de seu talento e de sua esperteza. Pondere que no orçamento de uma obra que custa, digamos, R$ 100 milhões, 1 milhão a mais ou a menos não fará muita diferença; o importante é que a obra seja realizada (e inaugurada). Enfim, tenha convicção. E confie no inesperado. É um elemento sempre presente no jogo da corrupção.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 19/09/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-6538042108490544021?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/6538042108490544021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=6538042108490544021' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/6538042108490544021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/6538042108490544021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/como-vencer-o-jogo-da-corrupo.html' title='Como vencer o jogo da corrupção'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-2186866741997218436</id><published>2007-09-24T05:54:00.005-07:00</published><updated>2007-09-24T05:54:50.635-07:00</updated><title type='text'>O amor supera o calendário</title><content type='html'>Vovós tiram a roupa por hospital infantil. Doze senhoras decidem posar nuas em calendário para levantar recursos destinados a um hospital de câncer infantil. O grupo de voluntárias inspirou-se no filme "Garotas do Calendário", do diretor Nigel Cole, e decidiu tirar a roupa para levantar fundos para a instituição. Nuas e segurando flores, fizeram fotos para o calendário. Folha Cotidiano, 25.09.2005 &lt;br /&gt;Convidada por amigas para posar sem roupa para um calendário beneficente, dona Isadora hesitou muito. Educada numa tradição de severo moralismo, desaprovava fotos desse tipo, que considerava "baixaria". Além disso, aos 70 anos, não era exatamente um modelo desses que desfilam em passarela, embora conservasse ainda muitos traços de sua passada beleza e tivesse, graças à ginástica diária e a uma dieta controlada, um corpo até razoável para a idade.De outro lado, a causa era boa; tratava-se de ajudar um hospital especializado em câncer infantil, que precisava muito do dinheiro. Ao longo dos anos dona Isadora sempre participara com entusiasmo em campanhas desse tipo, mesmo que algumas, como a do calendário, fossem um tanto inusitadas, por assim dizer. O certo é que ninguém a recriminaria por sua atitude. O marido, que poderia fazê-lo - era um homem de rígida moral-, falecera há muitos anos, e os dois filhos moravam no exterior; dificilmente tomariam conhecimento do tal calendário. Mesmo que isso acontecesse, talvez até a apoiassem; eram jovens modernos, ousados mesmo. De modo que resolveu ir em frente, e no dia lá estava ela, sem roupa mas atrás de flores, posando para o fotógrafo. A princípio sentiu-se constrangida, mas lá pelas tantas estava até gostando, e foi muito sorridente que apareceu na foto.&lt;br /&gt;O calendário foi um sucesso; muita gente o adquiriu. Então, um dia, dona Isadora recebeu um telefonema. Do outro lado, uma voz masculina cumprimentava-a pela foto:&lt;br /&gt;- Vejo que você continua bela como sempre. Parabéns.&lt;br /&gt;Era o Belmiro, o seu primeiro namorado. Haviam se conhecido no bairro em que moravam; tinham ambos 18 anos e por uns meses viveram uma tórrida paixão. Mas então o pai dele, militar, levara a família para o Norte, o que acabara por interromper o namoro. Por décadas não se tinham visto; agora, no entanto, Belmiro, de volta à cidade, por acaso comprara o calendário e, pressionado pela saudade, resolvera telefonar. Como Isadora, estava viúvo; e, como ela, recordava com saudades os tempos de namoro.&lt;br /&gt;Estão morando juntos e vivendo muito felizes. Belmiro só fez uma exigência: Isadora jamais posará para um calendário de novo.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 03/10/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-2186866741997218436?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/2186866741997218436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=2186866741997218436' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/2186866741997218436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/2186866741997218436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/o-amor-supera-o-calendrio.html' title='O amor supera o calendário'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-8174587066465957499</id><published>2007-09-24T05:54:00.003-07:00</published><updated>2007-09-24T05:54:35.172-07:00</updated><title type='text'>Em defesa da barba</title><content type='html'>Alemanha realiza encontro internacional de barbudos. Barbudos com visual exótico se reuniram em Berlim, na Alemanha, para participar do Campeonato Mundial de Barbas e Bigodes. Os pêlos faciais são bastante apreciados por alemães, tanto que o país tem a Federação Nacional dos Clubes de Barba, que reúne diversos grupos deste tipo. Em 1996, por exemplo, foi criado o Clube da Barba de Berlim, que tem como lema a frase "deixe a barba crescer". Este grupo tem 22 membros que se encontram uma vez por mês para discutir as melhores formas de cuidar de suas barbas e de organizar eventos. Folha Online, 1º de outubro de 2005. &lt;br /&gt;Eles eram considerados por todos o casal ideal. Nunca brigavam, viviam na maior harmonia, estavam sempre rindo um para o outro e trocando carícias. Mas aí tudo mudou.De repente, ele resolveu deixar crescer a barba. Por que tomou essa decisão não estava bem claro. Parece que tinha encontrado o retrato de um bisavô, muito parecido com ele, e que usava uma bela barba negra. O exemplo o encorajou, e lá pelas tantas ele estava virando barbudo também. Não se tratava de um discreto cavanhaque, ou de uma bem cultivada barba. Não, era uma barba de patriarca, de eremita, uma barba longuíssima, que lhe chegava ao peito.&lt;br /&gt;Muita gente estranhou. Os amigos, naturalmente, e também o diretor da loja de departamentos onde era chefe de seção: aquilo espantava os fregueses. Mas ninguém reclamou mais do que a esposa. Para começar, ela não gostava de homens barbudos; depois, queixava-se, era uma coisa desagradável, que lhe irritava a pele do rosto. Chegou a ameaçá-lo com uma greve de sexo se o marido não fosse ao barbeiro raspar a face.&lt;br /&gt;Escusado dizer que nem as críticas nem as ameaças o convenceram. Estava simplesmente encantado com a barba, cuidava dela, penteava-a cuidadosamente; porque, segundo dizia, agora sim, tinha descoberto a sua verdadeira personalidade. E foi então que leu no jornal sobre o Campeonato Mundial de Barbas e Bigodes, a se realizar na Alemanha. De imediato, decidiu participar. Não tinha dúvidas de que sua barba seria a vencedora e que ele traria para o Brasil um grande título. Já sabia até que tipo de penteado faria, dando aos pêlos o formato de lanças guerreiras. Coisa para entusiasmar o júri.&lt;br /&gt;Quando a esposa soube desse plano, ficou por conta. Já não bastava o vexame que ele dava na cidade, precisava ir para o exterior? Discutiram longamente, mas ele não quis nem saber: iria e pronto; já estava até com a passagem comprada.&lt;br /&gt;Vendo que não conseguiria convencê-lo, ela partiu para a ação. Na noite antes da partida colocou um comprimido para dormir na comida dele, e enquanto o marido estava ferrado no sono, cortou-lhe a barba.&lt;br /&gt;Mas ele foi assim mesmo. Com uma barba postiça, que era uma cópia exata de sua barba verdadeira. Não ganhou prêmio algum, mas voltou contente: pelo menos tinha reafirmado, perante o mundo e a mulher, o direito à barba.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 10/10/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-8174587066465957499?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/8174587066465957499/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=8174587066465957499' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/8174587066465957499'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/8174587066465957499'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/em-defesa-da-barba.html' title='Em defesa da barba'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-4263275323743454580</id><published>2007-09-24T05:54:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T05:54:20.374-07:00</updated><title type='text'>Contra a pirataria</title><content type='html'>Dupla assalta joalheria e escolhe marcas de relógio para levar. Um dos ladrões abordou uma vendedora de uma joalheria que inspecionava a vitrine; o assaltante levantou sua blusa, mostrando uma arma à vendedora. Dentro da loja, outras vendedoras foram rendidas e obrigadas a recolher relógios das marcas Breitling, Omega e Mont Blanc da vitrine.Folha Online, 18 de outubro de 2005 &lt;br /&gt;Os dois assaltantes, um alto e robusto, outro baixo e magrinho, eram experientes e organizados. Sabiam exatamente as marcas de relógio que queriam; coisa fina, nada de despertadores baratos. Examinavam cada relógio que era trazido da vitrine pelas vendedoras, antes de colocá-los numa valise. Lá pelas tantas surgiu um problema. Olhando um caríssimo relógio Breitling, o alto e robusto, que aparentemente era o chefe, teve uma súbita suspeição:&lt;br /&gt;- Acho que este aqui é falso.&lt;br /&gt;Mostrou ao colega, que ficou em dúvida: podia ser falso ou não. Na dúvida chamaram a vendedora-chefe. Que ficou indignada:&lt;br /&gt;- Falso, em nossa relojoaria? A loja mais famosa da cidade? Uma loja que está há 30 anos no ramo, que tem clientes famosos? Ora, façam-me o favor, amigos. Assalto, sim; ofensa, não. Levem tudo, mas nos respeitem.&lt;br /&gt;Os assaltantes não se deixaram impressionar pela retórica. Afinal, como disse o baixinho, a pirataria campeava. Se CDs eram pirateados, por que não relógios, mercadoria mais valiosa e cobiçada? Queriam provas de que o Breitling era verdadeiro. A vendedora-chefe pediu licença, foi até o escritório e voltou com um documento escrito em inglês. - O que é isto, perguntou o alto.&lt;br /&gt;- É um certificado de autenticidade. Acompanha o relógio.&lt;br /&gt;Os dois miraram o papel com desconfiança. Não sabiam inglês; além disso, quem lhes garantia que o certificado de autenticidade era autêntico, e não uma falsificação? Resolveram convocar o dono da relojoaria para esclarecer a questão. A vendedora-chefe resistiu o quanto pôde, mas, com um revólver encostado no crânio, não teve outro jeito: ligou para o dono, que aliás morava ali perto, pediu que viesse para atender "dois clientes muito importantes". Vinte minutos depois o homem chegava, esbaforido. Apesar da visível perturbação das vendedoras, não desconfiou de nada, mesmo porque os assaltantes, bem vestidos, e com as armas agora ocultas, pareciam mesmo clientes, e clientes muito cordiais.&lt;br /&gt;- Eu tenho este relógio Breitling -disse o alto- que estou pretendendo trocar. Queria sua valiosa opinião: é falso ou verdadeiro?&lt;br /&gt;Para o dono da loja, um veterano no ramo, bastou um olhar: é falso, proclamou. E aí mostrou o relógio que tinha no pulso:&lt;br /&gt;- Este, sim, é verdadeiro.&lt;br /&gt;Escusado dizer que os assaltantes levaram o Breitling verdadeiro. E o fizeram com absoluta tranqüilidade. Deve-se confiar na palavra de quem entende do assunto.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 24/10/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-4263275323743454580?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/4263275323743454580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=4263275323743454580' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4263275323743454580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4263275323743454580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/contra-pirataria.html' title='Contra a pirataria'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-8812322109936843940</id><published>2007-09-24T05:53:00.004-07:00</published><updated>2007-09-24T05:54:03.295-07:00</updated><title type='text'>Para mais ou para menos</title><content type='html'>Hoje, 45% dos brasileiros votariam em Serra no segundo turno e 41% em Lula, no limite do empate técnico -a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.Folha Brasil, 23 de outubro de 2005 &lt;br /&gt;O estatístico acordou e, como sempre o fazia, espiou pela a janela. Céu nublado. Deveria levar o guarda-chuva? Com base em sua experiência pregressa, avaliou a possibilidade de chuva em 38%, com uma margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Decidiu não levar o guarda-chuva, mesmo porque já havia esquecido três ou quatro no escritório.&lt;br /&gt;A mulher dormia ainda e ele decidiu não acordá-la; professora universitária, ela tinha ficado até a meia-noite corrigindo trabalhos. Merecia o descanso. E de repente uma pergunta lhe ocorreu: será que ainda se amavam? Qual era a possibilidade de que isso acontecesse depois de 15 anos, três meses e oito dias de casamento, depois de dois filhos, um com 13 anos, seis meses e sete dias, outro com dez anos, dois meses e 20 dias? Poderia arriscar uma cifra, mas decidiu não fazê-lo, mesmo porque estava atrasado. Engoliu rapidamente o café (frio: cerca de 32 graus, concluiu, e não costumava errar: sua chance de acertar a temperatura dos líquidos era de cerca de 91%, com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos). Desceu para a garagem do prédio e entrou no carro, um velho Gol. O motor não quis pegar e por um momento ele temeu que o automóvel o deixasse na mão. Mas as chances de que isso acontecesse eram de apenas 12%, com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, e logo ele estava no trânsito, congestionado como sempre. Estimou a sua chance de chegar no horário em 72%, com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. De fato, às nove em ponto estava sentando na sua mesa.&lt;br /&gt;Tinha várias pesquisas para examinar naquele dia. As chances de uma marca de sabão ser preferida em relação a outra, as chances de um candidato a presidência de empresa ser eleito em relação a outro. Um trabalho a que estava habituado e que em geral transcorria com facilidade; as chances de concluir a análise de uma pesquisa em duas horas e 38 minutos eram de 83%, com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O fato, porém, é que uma pergunta o atormentava: será que ainda amava a esposa? Na semana anterior a empresa havia admitido uma nova estatística, moça simpática e linda que fizera balançar o seu coração.&lt;br /&gt;Naquele momento o telefone tocou. Era a mulher: só queria dizer que o amava. E ele, jubiloso, concluiu que também a amava. As chances eram de 100%. Com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais, só para mais.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 31/10/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-8812322109936843940?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/8812322109936843940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=8812322109936843940' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/8812322109936843940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/8812322109936843940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/para-mais-ou-para-menos.html' title='Para mais ou para menos'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-4446728987621846787</id><published>2007-09-24T05:53:00.003-07:00</published><updated>2007-09-24T05:53:43.673-07:00</updated><title type='text'>A ópera dos camundongos</title><content type='html'>Camundongo pode cantar, afirma estudo. Os camundongos machos se põem a vocalizar quando as fêmeas estão presentes. Emitem melodias relativamente complexas, que parecem variar de indivíduo para indivíduo. Folha Ciência, 1º de novembro de 2005 &lt;br /&gt;Tão logo constatou-se a surpreendente habilidade dos roedores, foi organizada - mediante a colaboração de cientistas e músicos - uma espécie de companhia lírica, formada só de ratos de laboratório. E o espetáculo que apresentam tem feito sucesso no mundo inteiro. O mesmo sucesso que faziam Mickey e Minnie nos velhos tempos.&lt;br /&gt;Trata-se de uma ópera em três atos. Depois da abertura, surge no pequeno palco o personagem principal, o jovem Pancrácio, vivido por um elegante camundongo branco. Pancrácio entoa a bela ária "Por um Pedaço de Queijo". O título, aliás, é um pouco enganador; pensamos que o jovem está atrás do alimento classicamente preferido pela rataria, mas o que em verdade ele nos diz é que "...Não há queijo, por maior que seja seu calórico valor/ que possa ser comparado/ às delícias do amor". Pancrácio está apaixonado por Lucinda, uma linda e meiga ratinha. Que corresponde por inteiro à sua paixão: do balcão do palácio, ela responde com a canção "O Focinho do Meu Amado É a Imagem da Beleza".&lt;br /&gt;Este romance, porém, encontra um obstáculo. Dom Ratone, o tirânico pai de Lucinda, não gosta de Pancrácio, que é de origem humilde. Quer que a filha case com alguém da mais alta estirpe murina; para isto, contudo, é preciso acabar com a paixão dos jovens. Dom Ratone chama seus asseclas e determina-lhes que espalhem ratoeiras ao redor do palácio, para assim capturar aquele que considera como intruso. O feitiço vira contra o feiticeiro. Inadvertidamente o próprio Dom Ratone cai em uma das armadilhas. Ali corre risco de vida, porque os camponeses da região estão determinados a exterminá-lo: Dom Ratone é um conhecido assaltante de celeiros. Um homem o avista e corre em direção à ratoeira para liquidar o bicho -mas no último momento Pancrácio aparece e consegue salvar o pai de sua amada. Arrependido, Dom Ratone concede-lhe a mão (ou a pata, melhor dizendo) de sua filha e a ópera termina com o belo coral "Como É Belo o Amor dos Camundongos".&lt;br /&gt;Como foi dito, o espetáculo tem atraído enorme público. Mas há um problema: cada vez que aparece um gato na platéia a companhia lírica inteira desaparece do palco. E aí o jeito é devolver os ingressos para o público.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 07/11/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-4446728987621846787?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/4446728987621846787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=4446728987621846787' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4446728987621846787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4446728987621846787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/pera-dos-camundongos.html' title='A ópera dos camundongos'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-5357433748872032080</id><published>2007-09-24T05:53:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T05:53:21.254-07:00</updated><title type='text'>O carro com paixão</title><content type='html'>Garagem na sala. Pode até parecer loucura, mas alguns motoristas cobiçam tanto um veículo que, quando conseguem comprá-lo, colocam-no dentro de casa. Classificados/Veículos, 6 de novembro de 2005 &lt;br /&gt;A paixonado por carros ele era, e desde criança. Sabia tudo sobre automóveis antigos. O Ford modelo A? Dizia em que ano havia sido projetado, quantos automóveis haviam sido vendidos na primeira leva. O Oldsmobile Ninety-Eigth 1957? Descrevia a grade do motor, o painel, o estofamento. O Chevrolet 1937? Sabia até a potência do motor e onde, exatamente, ficava o botão do arranque.&lt;br /&gt;Se pudesse, ele se tornaria colecionador. Compraria lendários modelos, levaria para sua casa, montaria uma exposição permanente. Mas isso não podia fazer. Em primeiro lugar, porque não tinha dinheiro. Auxiliar de escritório, mal ganhava para sustentar a si próprio e à mulher. Em segundo lugar, não tinha espaço para tais carrões: morava numa casinha de subúrbio, sem garagem, sem quintal.&lt;br /&gt;Mas aí o destino interveio. Através de um amigo ficou sabendo do falecimento de um famoso colecionador - cuja esposa, que detestava a paixão do marido, estava se desembaraçando dos carros por preços relativamente acessíveis. Esperançoso, foi até lá. Mas chegou tarde: todos os antigos modelos haviam sido comprados. Com exceção de uma enorme limusine, daquelas usadas em Nova York para transportar celebridades e que ninguém comprara, exatamente por causa do tamanho.&lt;br /&gt;- Sabe de uma coisa? - disse a senhora. - Se você quiser, pode levar esse trambolho de graça. Já estou farta dessa coisa.&lt;br /&gt;Quase sem acreditar no que ouvia, ele entrou na limusine e deu a partida. A mulher abanou para ele e entrou na casa, aliás um palacete. Tripulando o carrão (e chamando a atenção de todo mundo) foi para casa.&lt;br /&gt;A mulher se desesperou. Onde colocariam aquilo? Dentro de casa, disse ele. Naquele fim de semana demoliu a parede da frente, introduziu a limusine no recesso do lar e tornou a edificar a parede. Mas o veículo era tão grande que tiveram de retirar todos os móveis da sala-quarto, inclusive a cama. O que não seria um problema: ele deu o jeito de transformar a limusine em quarto e em sala. A esposa, que nunca reclamava de nada, aceitou o arranjo. E, assim, realizaram um sonho dele: moravam num automóvel, aliás com bastante conforto.&lt;br /&gt;Poderiam ter sido felizes para todo o sempre, se não fosse o mecânico que ele chamou para consertar um pequeno defeito no carro. A mulher se apaixonou pelo homem, aliás muito bonito, e fugiu com ele.&lt;br /&gt;O colecionador viu os dois saindo, ela de mala na mão. Pensou em ir atrás deles, na limusine. Mas para isso teria de usar o carrão para demolir a parede da frente. E ele jamais arranharia uma pintura tão bem conservada.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 14/11/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-5357433748872032080?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/5357433748872032080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=5357433748872032080' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/5357433748872032080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/5357433748872032080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/o-carro-com-paixo.html' title='O carro com paixão'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-1843246808135275292</id><published>2007-09-24T05:52:00.006-07:00</published><updated>2007-09-24T05:53:05.928-07:00</updated><title type='text'>Prato raro</title><content type='html'>Uma trufa branca foi vendida por 95 mil euros (R$ 240 mil) em um leilão na Itália. A trufa branca é um tipo de cogumelo raro que cresce abaixo da superfície e é muito valorizada por gourmets do mundo inteiro. Foi adquirida pelo telefone por um comprador em Hong Kong. Folha Online, 14 de novembro de 2005 &lt;br /&gt;Depois de insistentes pedidos, o comprador da trufa finalmente concordou em saborear a iguaria em público. O salão de um refinado restaurante foi locado especialmente para isso; no dia, diante de convidados especiais e de jornalistas, o homem tomou assento, sozinho, à mesa onde faria a tão esperada refeição.&lt;br /&gt;Antes que esta fosse servida, colocou-se à disposição da mídia para perguntas. Estas vieram em rápida sucessão, e a todas o anfitrião respondia gentilmente; finalmente, um repórter mais contestador perguntou-lhe como se sentia depois de ter gasto na trufa uma quantia que poderia sustentar várias famílias por um longo período, na África ou na América do Sul.&lt;br /&gt;Outro talvez se irritasse com a questão, mas o homem, um conhecido milionário, apenas sorriu. Disse que um prato famoso equivale a uma obra de arte. Se outros podem pagar fortunas por quadros ou esculturas, argumentou, eu também posso gastar o dinheiro, que afinal é meu, numa lendária trufa branca. O repórter quis prosseguir no debate, mas o mestre-de-cerimônias anunciou que a bandeja estava sendo trazida e que a histórica refeição teria início. Outras perguntas ficariam para o final.&lt;br /&gt;Um garçom de luvas brancas trouxe uma travessa de prata. Ali estava a famosa trufa, uma espécie de massa branca, informe. Antes de começar a refeição, o milionário fez um pequeno discurso. Contou que era filho de gente muito pobre e que, com muito trabalho e persistência, tinha conseguido subir na vida. A trufa que estava diante dele era o símbolo de seu triunfo. Nunca tinha comido aquilo, mas sempre ouvira dizer que as trufas estavam para a culinária como os diamantes para as pedras preciosas. Aquele prato era, portanto, o ápice de seu triunfo, que agora seria presenciado por todos. Educadamente, perguntou se alguém estava servido. Todos agradeceram e ele, diante das lentes dos fotógrafos e dos cinegrafistas, empunhou o garfo e a faca, ambos de prata. Cortou um pequeno pedaço da trufa, levou-o à boca e por uns segundos mastigou-o concentradamente, todos ao redor observando-o com ansiedade.&lt;br /&gt;E aí o inesperado: o homem fez uma careta e cuspiu no prato os restos de trufa.&lt;br /&gt;- Que coisa ruim! -gemeu. - Nunca provei comida pior em toda minha vida!&lt;br /&gt;Voltou-se para o garçom:&lt;br /&gt;- Faz favor, traz um cachorro-quente e um refrigerante diet.&lt;br /&gt;E antes que o homem se afastasse para atender ao pedido, completou:&lt;br /&gt;- O cachorro com bastante mostarda.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 21/11/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-1843246808135275292?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/1843246808135275292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=1843246808135275292' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1843246808135275292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1843246808135275292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/prato-raro.html' title='Prato raro'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-4852413826858306806</id><published>2007-09-24T05:52:00.005-07:00</published><updated>2007-09-24T05:52:50.966-07:00</updated><title type='text'>Namoro e vestibular</title><content type='html'>Namorados disputam vaga na USP. Fuvest leva casais a testarem não só o conhecimento mas também sua relação afetiva. Fovest, 22 de novembro de 2005. &lt;br /&gt;Esta história aconteceu há muito tempo, numa época em que a fiscalização da prova não era muito rigorosa. E só porque não era rigorosa que a história pôde acontecer.&lt;br /&gt;Júlio e Francesca foram fazer vestibular para medicina. Eles eram namorados, amavam-se muito e, porque se amavam, tinham decidido seguir a mesma profissão, que ambos, aliás, admiravam muito. Naturalmente, estudaram juntos para o exame; mas aí havia uma diferença. Francesca, que era inteligente, aprendia as coisas com facilidade. Júlio, que tinha um raciocínio mais lento, não conseguia acompanhá-la. Mas, afinal, eram namorados e Francesca tratava de ajudá-lo como podia, garantindo que no fim tudo correria bem e que seriam ambos aprovados.&lt;br /&gt;Veio o dia da prova, realizada no salão nobre da faculdade de medicina local, que funcionava num antigo e majestoso prédio. O local não era grande e as mesas não ficavam muito separadas. Júlio e Francesca sentaram-se juntos para realizar a primeira prova, que era então a de química. Foram distribuídas as questões. Todos puseram-se a trabalhar.&lt;br /&gt;Júlio estava apavorado. Ele não sabia nada do que fora perguntado. Era como se o conhecimento tivesse sumido de repente de sua cabeça. Notou então que o único fiscal da prova olhava distraidamente pela janela. Aproveitou e, em voz baixa, perguntou a Francesca qual era a resposta da primeira questão. Sem nem sequer olhá-lo, ela respondeu, em tom baixo, mas firme, que colar no vestibular era proibido.&lt;br /&gt;Júlio não podia acreditar no que estava ouvindo. Francesca, a sua Francesca, negava-se a ajudá-lo naquele instante de angústia? Aquilo representava um duplo choque e ele ficou ali, imóvel, atarantado, sem saber o que fazer ou o que pensar.&lt;br /&gt;Ao lado dele estava sentada Luciana. Amiga de ambos, ela nutria por Júlio uma paixão secreta. Percebendo o que acontecia, e num impulso, sussurrou ao rapaz a resposta da primeira questão. E depois a resposta da segunda, e a resposta da terceira.&lt;br /&gt;Júlio e Francesca foram aprovados, Luciana não -muito boa em química, ela era fraca em física, e este exame acabou por excluí-la. Seu único consolo era ter ajudado o amado.&lt;br /&gt;Júlio e Francesca formaram-se há vários anos. Ambos são cirurgiões. Ah, sim, e estão casados. O trabalho no campo operatório acabou por reaproximá-los. São muito felizes. E nunca mencionam o dia em que fizeram o exame de química no vestibular.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 28/11/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-4852413826858306806?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/4852413826858306806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=4852413826858306806' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4852413826858306806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4852413826858306806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/namoro-e-vestibular.html' title='Namoro e vestibular'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-4663027349074989085</id><published>2007-09-24T05:52:00.003-07:00</published><updated>2007-09-24T05:52:35.358-07:00</updated><title type='text'>Anjos fumantes</title><content type='html'>Mulher tenta abrir porta de avião durante vôo para fumar. Uma francesa admitiu em um tribunal da Austrália ter tentado abrir a porta de um avião em pleno vôo para fumar um cigarro do lado de fora. A mulher de 34 anos, que tem medo de voar de avião, havia bebido álcool e tomado remédio para dormir antes do vôo entre Hong Kong e Brisbane, na Austrália. Foi vista andando em direção à porta do avião da Cathay Pacific com um cigarro e um isqueiro na mão. Começou a tentar abrir a saída de emergência quando foi impedida por uma aeromoça. Folha Online, 21 de novembro de 2005&lt;br /&gt;Ao juiz ela contou que era fumante há muito tempo, desde criança. E fumante contumaz, dessas que não podem ficar sem cigarro mais de uma hora ou duas, sob pena de se sentirem mal. Principalmente num vôo -se havia coisa da qual tinha medo, era viajar de avião. Mas fumar em aeronaves não é permitido. Como resolver o problema?&lt;br /&gt;Optou por dormir, com a esperança de que, ao acordar, já tivesse chegado ao destino -e aí a primeira coisa que faria era acender o seu cigarro. De fato, chegou a conciliar o sono, mas duas horas depois acordou, trêmula, com uma vontade irresistível de fumar. Olhou ao redor: todo mundo dormindo. E se acendesse disfarçadamente um cigarro? Movida por um impulso incontrolável, sacou o maço do bolso. Nesse momento, e sem querer, espiou pela janela. E aí viu aquela cena incrível.&lt;br /&gt;A noite estava belíssima. Céu claro, com poucas e redondas nuvens. Numa delas, iluminada pela lua esplêndida, estavam sentados quatro anjos. Ela arregalou os olhos. Anjos? Sim, eram anjos. Não anjinhos rechonchudos, querubins; não, anjos adultos, dois deles com barba. Vestiam alvas túnicas, calçavam sandálias. E os quatro estavam fumando.&lt;br /&gt;Ah, que inveja ela sentiu. Os quatro fumando, sem nenhum problema. Mais: os quatro abanando-lhe amistosamente. Num impulso, ela mostrou-lhes o maço de cigarros e o isqueiro, como que a dizer: eu aqui também posso fumar. Mas então um dos anjos ergueu um cartaz que dizia: "De acordo com a disposição das autoridades, o fumo é proibido em aeronaves". Com o que ela se deu conta: eles só podiam fumar porque estavam ao ar livre, porque não estavam transformando pessoa alguma em fumante passivo. Que inveja dos quatro anjos. Que inveja. Foi tamanha a inveja que ela, num impulso, levantou-se e dirigiu-se à saída de emergência situada ali perto. Era uma coisa complicada de abrir, aquela porta, mas ela já estava quase conseguindo quando foi impedida pela aeromoça. Que, nervosa, lhe perguntou o que estava fazendo.&lt;br /&gt;Vou dar uma saidinha para fumar com os anjos, ela ia dizer, mas, nesse momento, espiando pela janela, viu que não havia anjo algum sobre a nuvem. Deu-se conta de que ninguém acreditaria em sua história. Anjos aparecendo para uma passageira? Na classe econômica? Ninguém acreditaria.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 05/12/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-4663027349074989085?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/4663027349074989085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=4663027349074989085' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4663027349074989085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4663027349074989085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/anjos-fumantes.html' title='Anjos fumantes'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-6492060161424046401</id><published>2007-09-24T05:52:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T05:52:21.315-07:00</updated><title type='text'>Homem não chora</title><content type='html'>Peruana finge ser homem e fica em prisão masculina na Argentina. Carla Aguilar, imigrante ilegal, foi presa por agentes argentinos. Ela disse que era homem e as autoridades acreditaram. O mais curioso é que Carla passou por vários exames e nenhum funcionário descobriu seu sexo verdadeiro, até que, um mês depois, uma ligação anônima alertou a Procuradoria Penitenciária. Folha Online, 5 de dezembro de 2005 &lt;br /&gt;A verdade é que não lhe foi difícil passar por homem. Tinha cabelo curto, feições enérgicas, uma voz grave, seios pequenos. Além disso, tinha o cuidado de colocar dentro da calça justa um pano, de modo a formar uma saliência que passava por respeitável genitália. Todas as manhãs fazia a barba, ou fingia fazer a barba. Os poucos detentos que se aproximavam, movidos pela curiosidade ou por outra intenção qualquer, eram prontamente repelidos: exímia lutadora de caratê, sabia aplicar golpes demolidores. Passou a ser temida e respeitada.&lt;br /&gt;Mas não queria só ser temida e respeitada. Queria fazer amizades. Queria namorar. Namorar, sim. Apesar da aparência, era uma fêmea insaciável. E agora ali estava, no meio de tantos homens, vários dos quais bonitos -mas a eles não se poderia entregar.&lt;br /&gt;Havia um rapaz que a atraía particularmente. Chamava-se Celso, era esbelto, elegante, com feições delicadas. Um tipo feminino, quase. O que, para ele, era um problema. Outros assediavam-no constantemente e a eles o pobre Celso, tipo franzino, não poderia resistir.&lt;br /&gt;Quem o salvava era ela, a mulher que passava por homem. Depois de surrar sem piedade três ou quatro atrevidos, espalhou-se na prisão a notícia de que Celso lhe pertencia. E, de fato, desenvolveu-se entre os dois uma forte amizade, tão forte que, a certa altura, ela resolveu contar-lhe o segredo que tinha guardado tão cuidadosamente. Fez isso num dia em que ambos arrumavam o almoxarifado da prisão. Ali estavam, sozinhos, e certamente não seriam importunados. Não era o melhor cenário para uma declaração de amor, mas era o cenário possível. Sou mulher, ela disse, amo você, quero ser sua.&lt;br /&gt;A reação dele foi extraordinária. Arregalou os olhos, apavorado, e antes que ela pudesse fazer alguma coisa, antes que tirasse a roupa, como pretendia, ele fugiu dali. Obviamente não acreditara na confissão. Obviamente acha que seria violentado, como o fora mais de uma vez.&lt;br /&gt;No dia seguinte Celso foi, graças a uma ordem judicial, libertado. Da janelinha de sua cela ela o viu sair, feliz, abraçado à sua namorada de muitos anos. Quase derramou sentidas lágrimas. Só não o fez porque homem não chora. Sobretudo na prisão.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 12/12/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-6492060161424046401?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/6492060161424046401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=6492060161424046401' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/6492060161424046401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/6492060161424046401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/homem-no-chora.html' title='Homem não chora'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-9128353294241330659</id><published>2007-09-24T05:51:00.006-07:00</published><updated>2007-09-24T05:52:07.589-07:00</updated><title type='text'>Desistindo de Natal</title><content type='html'>Segundo pesquisa do instituto Ipsos, encomendada pela Associação Comercial de São Paulo, 32% dos consumidores não pretendem fazer compras neste Natal. Folha Dinheiro, 9 de dezembro de 2005 &lt;br /&gt;"Prezado Papai Noel: há uma semana eu lhe mandei uma carta com a lista dos meus pedidos para o Natal. Agora estou mandando esta outra carta para dizer que mudei de idéia. Não vou querer nada. Ontem o papai nos avisou que não tem dinheiro para as compras do fim de ano. Papai está desempregado há mais de um ano. A gente mora numa cidade pequena do interior, muito pobre. No Natal passado, o prefeito anunciou que tinha um presente para a população: uma grande fábrica viria se instalar aqui, dando emprego para muitas pessoas. Meu pai ficou animado. Ele é um homem trabalhador, sabe fazer muitas coisas e achou que com isso o nosso problema estaria resolvido. Agora, porém, o prefeito teve de dizer que a fábrica não vem mais. Não entendo dessas coisas, mas parece que a situação está difícil.&lt;br /&gt;Portanto, Papai Noel, peço-lhe desculpas se o senhor já encomendou as coisas, mas infelizmente vou ter de desistir. Para começar, não quero aquela bonita árvore de Natal de que lhe falei -até mandei um desenho, lembra? Nada de pinheirinho, nada de luzinhas, nada de bolinhas coloridas. A verdade, Papai Noel, é que essas coisas só gastam espaço e, como disse a mamãe, gastam muita luz.&lt;br /&gt;E nada de ceia de Natal, Papai Noel. Nada de peru. Como eu lhe disse, nunca comi peru na minha vida, mas acho que não vai me fazer falta. Se tivesse peru, eu comeria tanto que decerto passaria mal. Portanto, nada de peru. Aliás, se a gente tiver comida na mesa, já será uma grande coisa.&lt;br /&gt;Nada de presentes, Papai Noel. Não quero mais aquela bicicleta com a qual sonho há tanto tempo. Bicicletas custam caro. E além disso é uma coisa perigosa. O cara pode cair, pode ser atropelado por um carro... Nada de bicicleta.&lt;br /&gt;Nada de DVD, Papai Noel. Afinal, a gente já tem uma TV (verdade que de momento ela está estragada e não temos dinheiro para mandar consertar), mas DVD não é coisa tão urgente assim.&lt;br /&gt;Também quero desistir da roupa nova que lhe pedi e dos sapatos. A minha roupa velha ainda está muito boa, e a mamãe vai fazer os remendos nos rasgões. E sapato sempre pode dar problema: às vezes ficam apertados, às vezes caem do pé... Prefiro continuar com meus tênis e o meu chinelo de dedo.&lt;br /&gt;Ou seja: nada de Natal, Papai Noel. Para mim, nada de Natal. Agora, se o senhor for mesmo bonzinho e quiser nos dar algum presente, arranje um emprego para o meu pai. Ele ficará muito grato e nós também. Desejo ao senhor um Feliz Natal e um próspero Ano Novo."&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 19/12/2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-9128353294241330659?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/9128353294241330659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=9128353294241330659' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/9128353294241330659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/9128353294241330659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/desistindo-de-natal.html' title='Desistindo de Natal'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-1890645757605422999</id><published>2007-09-24T05:51:00.005-07:00</published><updated>2007-09-24T05:51:48.800-07:00</updated><title type='text'>Sorrir para a vida</title><content type='html'>"A Organização Mundial da Saúde define saúde como 'o estado do mais completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de enfermidade'. Os veteranos da área costumam dizer que essa é, na realidade, a definição de felicidade.&lt;br /&gt;Pode ser. Mas a verdade é que os estudos científicos apontam, cada vez mais, para uma estreita relação entre saúde e a condição de ser feliz. O que não é de surpreender. No mundo em que vivemos, as doenças dependem muito de nosso estilo de vida.&lt;br /&gt;Estilo de vida que, por sua vez, é resultado de uma cultura que nos pressiona a consumir mais, a comer mais, a ficar sentados diante da tela da TV, a fumar, a consumir álcool e drogas. Tudo isso, paradoxalmente, traduz-se em insatisfação, porque esse tipo de apelo não tem limites. A insatisfação leva à tristeza, à depressão, associada com várias doenças, como diabetes ou acidente vascular cerebral.&lt;br /&gt;Um estudo realizado na Universidade do Texas, em Galveston, com cerca de 4 mil pacientes, mostrou que pessoas idosas que se consideram felizes têm menor probabilidade de ser vítimas de acidente vascular cerebral. Outro estudo, desta vez na Universidade de Pittsburgh, mostrou que mulheres deprimidas estão mais propensas a ter o endurecimento das artérias, conhecido como aterosclerose.&lt;br /&gt;Pergunta: por que isso acontece? É a felicidade uma poção mágica, uma panacéia contra doenças? Claro que não.&lt;br /&gt;O que acontece é que as pessoas infelizes tendem a adotar, como compensação, o estilo de vida acima citado, que, este sim, causa doença.&lt;br /&gt;O inverso também é verdadeiro: se felicidade traz saúde, saúde também traz felicidade. Um estudo realizado na Holanda, em 2004, com pessoas de 18 anos de idade ou mais, procurou correlacionar felicidade com vários fatores: renda, situação social e outros. A saúde ganha longe.&lt;br /&gt;Um quarto das pessoas que não se consideram sadias também não se considera feliz; mas, das pessoas sadias, apenas 8% declaram-se infelizes.&lt;br /&gt;Quanto ao dinheiro, faz diferença nos países muito pobres, porque aí pode ser condição de sobrevivência. Mas, quanto mais afluente é o país, menos pesa a renda em termos de felicidade. Um levantamento feito com os cem americanos mais ricos mostrou que eles são apenas um pouco mais felizes que a média da população.&lt;br /&gt;'Sorria' pode ser, portanto, um bom conselho, na medida em que o sorriso, atributo caracteristicamente humano, possa ser um indicador do sentimento de felicidade.&lt;br /&gt;A propósito, recentemente pesquisadores da Universidade de Amsterdã examinaram o famoso sorriso da Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, com a ajuda de um programa de computador capaz de correlacionar expressões faciais com emoções e sentimentos. Resultado: 83% do sorriso resulta de felicidade (e 9% de desdém - afinal, Mona Lisa também tem direito a desdenhar).&lt;br /&gt;Mas a conquista da felicidade não depende só da pessoa. Se a angústia é demasiada, a ajuda profissional pode ser necessária. E todos têm direito a ela.&lt;br /&gt;Razão tem a Constituição americana de 1776, quando inclui, entre os direitos fundamentais, o pursuit of happiness, a busca da felicidade.&lt;br /&gt;Se temos direito à saúde - e a Constituição brasileira de 1988 isso nos garante -, por que não teríamos direito à felicidade - ao sorriso?"&lt;br /&gt;Revista Época (Rio de Janeiro) 2/1/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-1890645757605422999?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/1890645757605422999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=1890645757605422999' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1890645757605422999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1890645757605422999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/sorrir-para-vida.html' title='Sorrir para a vida'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-8762533584487986603</id><published>2007-09-24T05:51:00.003-07:00</published><updated>2007-09-24T05:51:34.256-07:00</updated><title type='text'>O segundo dia do novo ano</title><content type='html'>2 de janeiro de 2006 (data que figura na Folha e em vários outros jornais no dia de hoje). &lt;br /&gt;Até o Juízo Final, os dias continuarão se sucedendo, o amanhecer seguindo-se à noite. Portanto, se hoje não for dia 2 de janeiro de 2006, desconsidere a epígrafe aí em cima e prepare-se para colocar nos braços da Grande Balança os seus pecados e suas virtudes. Mas, se como quase todos esperam, o calendário seguiu seu curso, chegamos ao segundo dia do ano.&lt;br /&gt;Que é, como se sabe, muito diferente do primeiro dia do ano, tão diferente como é a segunda-feira do domingo. Esta coincidência, aliás, torna 2006 particularmente interessante. E, como dizem os chineses, Deus nos livre dos anos interessantes. Os chineses devem saber das coisas; afinal, não é por nada que crescem 9% ao ano.&lt;br /&gt;O primeiro dia do ano é um clímax. Aquela festança, as taças de champanhe se elevando no ar, a alegria esfuziante, os beijos apaixonados. O segundo dia é um anticlímax: dia de voltar ao trabalho, dia de enfrentar a realidade: salários baixos, juros altos, ameaça de desemprego, CPIs. O primeiro dia do ano é ficção, e ficção hollywoodiana: tudo dá certo, o amor é belo, o final é feliz. O segundo dia é a realidade: as manchetes de jornais anunciando os acidentes, as violências. O primeiro dia do ano nos dá presentes; o segundo, cobra a conta.&lt;br /&gt;O segundo dia do ano lembra uma clássica historinha. Trata-se de um rapaz solteiro que voltou de uma festa completamente bêbado. Quando acorda, deitado numa cama que não é a sua, num apartamento que não é o seu, leva um tremendo susto: deitada a seu lado está uma moça, profundamente adormecida. Uma moça bonita, até - só que ele não sabe de quem se trata. Durante alguns minutos ele hesita: será que deve se mandar, sair disfarçadamente? Mas isso não seria delicado, nem justo. Além disso, ele é dos que acreditam nos desígnios do Destino. De modo que desperta a jovem e pergunta-lhe o que aconteceu. Surpresa, ela diz que se conheceram numa festa, na noite anterior, que se apaixonaram instantaneamente e que vão casar justamente neste dia que começa. E aí está a questão: será que foi este o melhor desfecho para a festa? Ou teria sido melhor para ele acordar na sua estreita cama de solitário?&lt;br /&gt;Dúvida semelhante apossa-se de muitos de nós no dia 2 de janeiro. Ainda bem que existe um dia 3, não é mesmo? Ainda bem.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 2/1/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-8762533584487986603?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/8762533584487986603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=8762533584487986603' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/8762533584487986603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/8762533584487986603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/o-segundo-dia-do-novo-ano.html' title='O segundo dia do novo ano'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-8080127457092774375</id><published>2007-09-24T05:51:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T05:51:15.511-07:00</updated><title type='text'>Memórias póstumas de um cadáver em Ipanema</title><content type='html'>m cadáver vindo do mar ficou ontem por cerca de seis horas na praia de Ipanema, a principal da zona sul do Rio. O cabo Renatti, do Corpo de Bombeiros, que trabalhou na retirada do homem do mar, diz que o cadáver deve ter sido lançado da favela do Vidigal, próxima de Ipanema. "A cabeça dele estava com marcas de violência. Pelo visto, ele pode ser sido morto e lançado ao mar por traficantes do Vidigal", disse Renatti. Apesar da cena inusitada e do mau cheiro causado pelo cadáver em decomposição, a rotina da praia praticamente não mudou. O trecho é freqüentado por jovens da zona sul.&lt;br /&gt;Folha Cotidiano, 14 de janeiro de 2006&lt;br /&gt;"Realmente , não posso me queixar do Destino: acabei realizando meu sonho. É verdade que isto só aconteceu depois da morte, mas a maioria das pessoas nem isto consegue.O meu sonho? A praia de Ipanema. Nasci e cresci na favela do Vidigal, ali perto. Muitas vezes passei pela praia, cheia de gente bonita, elegante, famosa. Nesses momentos eu entendia por que Ipanema é famosa em todo o mundo. O que só fazia aumentar minha admiração. Desde criança eu sabia cantar "Garota de Ipanema". Cantava tanto que meus pais me mandavam parar.&lt;br /&gt;Minha mãe sabia de meu sonho e me aconselhava: desista, meu filho, aquilo lá não é para seu bico, quem nasceu no Vidigal nunca chega a Ipanema. Contente-se com o que você tem, estude e trabalhe bastante e, quem sabe um dia, Deus ajudando, você vai melhorar de vida.&lt;br /&gt;Mas eu não desistia. Ao contrário, sempre que podia, corria para Ipanema. O Brasil pelo menos tem disso: as praias são públicas, qualquer um pode freqüentá-las. Claro que eu ali destoava, mas dava um jeito de ficar vendendo sanduíche natural ou refrigerantes, ou mesmo pedindo esmola.&lt;br /&gt;Só que com isso não dava para ganhar a vida. E eu precisava ajudar minha gente: meu pai paralítico, minha mãe diabética... Acabei no tráfico. O que é que eu ia fazer? Era a maneira mais fácil de arranjar dinheiro. Mas até nisso tive azar: a gangue da qual eu fazia parte se desentendeu com uma outra. Na briga que se seguiu fui morto a pauladas. Quando jogaram meu corpo no mar, eu ainda estava agonizando e me lembro que pensei: ah, se pelo menos eu terminasse em Ipanema.&lt;br /&gt;Minha prece foi ouvida e agora estou aqui, estendido na areia. É verdade que cobriram meu corpo com um plástico, mas, considerando que estou sem protetor solar, até que não foi má idéia. E, por outro lado, sinto-me feliz pelo fato de que minha presença não incomoda ninguém. As pessoas continuam ao sol, jogando bola, conversando, tomando banho de mar. Ainda há pouco disse um rapaz, perto de mim: "Fazer o quê? As férias são curtas e temos de nos divertir de qualquer jeito". Você está certo, meu jovem amigo. Não só as férias são curtas, a vida também. Agora, Ipanema sempre é um consolo. E um bom assunto para memórias póstumas."&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 16/1/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-8080127457092774375?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/8080127457092774375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=8080127457092774375' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/8080127457092774375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/8080127457092774375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/memrias-pstumas-de-um-cadver-em-ipanema.html' title='Memórias póstumas de um cadáver em Ipanema'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-3078412151179258627</id><published>2007-09-24T05:50:00.005-07:00</published><updated>2007-09-24T05:50:56.440-07:00</updated><title type='text'>A última do papagaio</title><content type='html'>Um britânico descobriu que sua namorada tinha um amante graças às indiscrições de seu papagaio. Chris Taylor, de 30 anos, um programador de computadores de Leeds, contou que, a cada vez que o telefone celular de sua namorada, Suzy Collins, tocava, Ziggy, o papagaio, dizia: "Oi, Gary". A princípio, ele pensou que Ziggy, emérito imitador, havia aprendido a frase pela TV. Suzy negava conhecer algum Gary, e Taylor não suspeitou de nada nem mesmo quando o pássaro começou a imitar o barulho de beijos ao escutar a palavra "Gary" no rádio ou na TV. Uma noite em que Taylor e Suzy beijavam-se no sofá, o pássaro disse, numa voz idêntica à da moça: "Eu te amo, Gary". Suzy confessou então que estava tendo um caso com um ex-colega chamado Gary. À mídia, ela declarou que a relação com Taylor não ia bem: "Ele passava mais tempo falando com o papagaio do que comigo". Taylor acabou vendendo Ziggy para uma loja de animais de estimação. Isso porque o programador de computadores não conseguiu desprogramar o papagaio do hábito de dizer, imitando sua ex-namorada, o nome do sujeito que foi o pivô do fim do romance.&lt;br /&gt;Folha Online, 17 de janeiro de 2006 &lt;br /&gt;Ah, Ziggy, Ziggy. Viu o que você foi fazer? Como muitas pessoas, Ziggy, você repete bem aquilo que ouve, mas você não pensa no que diz. Ali estava você, com o Taylor, um dono exemplar, um dono que lhe adorava, tanto que preferia falar com você a falar com a namorada, Suzy. Ela, aliás, se queixava disso, e lá pelas tantas começou a ter um caso com um ex-colega. Sim, tratava-se de infidelidade, coisa condenável, mas de alguma maneira o arranjo funcionava; em termos de bigamia, a Suzy saía-se bem. Só que ela não contava com a sua indiscrição, Ziggy.&lt;br /&gt;Você logo aprendeu o nome do namorado secreto dela. Coisa que aliás não deve ter sido difícil: "Gary", isto é fácil de pronunciar. E é também um nome comum, tanto que o Taylor pensou que você estava repetindo o que ouvia na televisão. Mas aí você foi mais longe, Ziggy. Você aprendeu também a imitar o som de beijos, e, beijando, você dizia, imitando a voz da Suzy: "Eu te amo, Gary". Mesmo um cara desligado como o Taylor acabaria se dando conta de que algo estava acontecendo. Lá pelas tantas ele rompeu com a moça.&lt;br /&gt;Apesar disso, você continuava falando no Gary e na Suzy. Você praticamente obrigou o pobre Taylor a vender você para uma loja de bichos de estimação (duvido que a esta altura você ainda se enquadrasse, ao menos para ele, na categoria de bichos de estimação). Quer dizer: o Taylor acabou sozinho. Foi a sua última bobagem, Ziggy. A última do papagaio.&lt;br /&gt;Uma pergunta se impõe, Ziggy: por que é que você fez isso? Você queria alertar o Taylor? Você queria debochar dele? Ou será que você estava apaixonado pela Suzy e queria se exibir para ela?&lt;br /&gt;Mistério, Ziggy. Mistério. Temos de confessar: a alma dos papagaios continua sendo, para nós, humanos, território desconhecido. Se houvesse um psicanalista de aves, talvez o enigma fosse decifrado. Difícil, porém: você ficaria repetindo todas as interpretações do terapeuta.&lt;br /&gt;Mas a gente pode dar um conselho a você, Ziggy. Se você puder fugir da gaiola, atravesse o Atlântico voando e venha para o Brasil. Aqui você se transformará num personagem de anedota. Ninguém levará você a sério. O que será melhor para você e para todo mundo.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 23/1/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-3078412151179258627?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/3078412151179258627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=3078412151179258627' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3078412151179258627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3078412151179258627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/ltima-do-papagaio.html' title='A última do papagaio'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-3201594249572114305</id><published>2007-09-24T05:50:00.003-07:00</published><updated>2007-09-24T05:50:41.682-07:00</updated><title type='text'>A guerra dos narizes</title><content type='html'>Um "nariz eletrônico" desenvolvido por cientistas da Universidade de Manchester (Reino Unido) pode controlar remotamente o mau cheiro em depósitos de lixo. "Atualmente, não há nenhum outro acessório sensível o bastante para monitorar a concentração de cheiros e gases nestes locais. Geralmente, eles são analisados por voluntários que inalam amostras de ar", afirma o comunicado da universidade.&lt;br /&gt;Folha Online, 10 de janeiro de 2005 &lt;br /&gt;Ele ficou simplesmente mortificado quando soube que a prefeitura da cidade ia adquirir o nariz eletrônico desenvolvido na Universidade de Manchester. Não que fosse contra a inovação tecnológica; mas é que, em matéria de nariz, ele desempenhava uma função importante. Tinha, desde criança, um olfato notável; onde outros não sentiam cheiro algum, ele era capaz de identificar o tipo de odor e, mais tarde, depois que se graduou na universidade, até a substância, ou substâncias, responsáveis pelo referido odor. A partir daí começou a ser chamado como perito; sempre que alguém se queixava de mau cheiro nas vizinhanças, era ele quem dava o veredicto final. Agora, porém, derrotava-o o progresso científico; com o nariz eletrônico, a sua atuação tornava-se desnecessária.&lt;br /&gt;Uma decisão que não aceitaria passivamente, sem lutar. Conseguiu uma audiência com o próprio prefeito. Lembrou que sua fama já tinha ultrapassado as fronteiras do município, do Estado e do próprio país, e que era candidato até a figurar no "Livro dos Recordes" como a pessoa de olfato mais sensível na face da Terra. O prefeito reconhecia tudo isso, mas, dizia, a avaliação que ele fazia sempre seria de caráter subjetivo, sujeita a contestação judicial. Com o nariz eletrônico, imperaria a neutralidade científica. Ele então se dispôs a fazer um teste: se o nariz eletrônico detectasse melhor uma substância escolhida em segredo no laboratório da prefeitura, renunciaria à reivindicação de manter o cargo, aliás honorífico, mas do qual tinha muito orgulho.&lt;br /&gt;O teste foi marcado para daí a três dias. Quando ele acordou, na manhã decisiva, teve um choque; sem saber como, sem nenhum sintoma prévio, tinha contraído um resfriado que o deixava de nariz entupido, com o olfato reduzido a praticamente zero. E agora? O que fazer? Se pedisse um adiamento, achariam que estava com medo de competir. Resolveu, pois, enfrentar o desafio.&lt;br /&gt;A prova foi realizada no auditório da prefeitura, cheio de gente: a mídia estava toda ali. Um químico trouxe o frasco com a substância de teste. Que foi submetida primeiro ao nariz eletrônico.&lt;br /&gt;Nada. O aparelho não acusou nada. O técnico responsável disse que um chip importante tinha queimado e que a troca tardaria umas duas semanas. Aí colocaram o frasco diante do nariz do desafiante. Gás metano, disse ele, sem hesitar, e, em meio a aplausos de todos, o prefeito proclamou-o vencedor.&lt;br /&gt;É claro que ele não tinha sentido cheiro algum. Mas há algum tempo vinha namorando a química-chefe do laboratório. Que naturalmente lhe passou o segredo. O cheiro do amor chega a qualquer lugar.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 30/1/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-3201594249572114305?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/3201594249572114305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=3201594249572114305' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3201594249572114305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3201594249572114305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/guerra-dos-narizes.html' title='A guerra dos narizes'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-2302263148167884497</id><published>2007-09-24T05:50:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T05:50:25.350-07:00</updated><title type='text'>Roda dos expostos</title><content type='html'>"Roda dos expostos" recebia bebês rejeitados até o final dos anos 40. Feitas de madeira, eram geralmente um cilindro oco que girava em torno de seu próprio eixo e tinha uma portinha voltada para a rua. Sem ser identificada, a mãe deixava seu bebê e rodava o cilindro 180 graus, o que fazia a porta ficar voltada para o interior do prédio, onde alguém recolhia a criança rejeitada. Em São Paulo, bastava a campainha soar no meio da noite para as freiras da Santa Casa terem a certeza de que mais uma criança acabava de ser rejeitada.&lt;br /&gt;Folha Cotidiano, 2 de fevereiro de 2006 &lt;br /&gt;Ele foi provavelmente um dos últimos bebês colocados na roda dos expostos, o que aconteceu há exatamente 65 anos. Mas a vida compensou-o devidamente. Entregue a uma família de classe média alta, gente sensível e carinhosa, teve uma infância feliz, com os irmãos, com brinquedos, com livros. Estudou, entrou na universidade, formou-se em medicina, tornou-se um neurocirurgião famoso, respeitado no país e no exterior. Os pais adotivos faleceram quando ele tinha 40 anos. Pouco antes de morrer, a mãe revelou-lhe a história da roda dos expostos. Chorou muito, mas não por ter sido abandonado; chorou pelos pais, a quem amava profundamente.&lt;br /&gt;A verdade, porém, é que a revelação abalou-o. Fez psicoterapia por algum tempo, acabou deixando, e por fim achou sua própria maneira de lidar com esse trauma da infância: mandou construir uma roda dos expostos. Não é uma roda pequena, para bebês; é algo grande, onde ele, homem robusto, cabe facilmente. E a partir daí imaginou uma espécie de ritual.&lt;br /&gt;Todos os anos, no dia de seu aniversário, a porta da luxuosa mansão em que mora é aberta, e, no vão, os empregados colocam a grande roda dos expostos. Ele entra ali. A roda gira, uma campainha soa, e logo ele se vê dentro de sua casa, onde a família, uma grande família, esposa, filhos, filhas, netos, recebe-o entre abraços e exclamações de júbilo. Cantam o "parabéns a você", a roda é retirada e a festa tem início, agora com a presença de amigos e familiares.&lt;br /&gt;Nos primeiros anos as pessoas achavam estranho este costume. Depois, deram-se conta de que aquilo correspondia a uma necessidade emocional e aceitaram-no. Até o cumprimentam pela idéia, simbólica e generosa.&lt;br /&gt;O que não lhe perguntam, e nem ele fala a respeito, é em que pensa no momento que a roda está girando, transportando-o do exterior para o interior, do abandono para o acolhimento. Dura poucos segundos, este intervalo, e nem há tempo para refletir muito. Mas é então, certamente, que ele descobre os segredos de sua vida.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 6/2/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-2302263148167884497?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/2302263148167884497/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=2302263148167884497' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/2302263148167884497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/2302263148167884497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/roda-dos-expostos.html' title='Roda dos expostos'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-5242316870741729420</id><published>2007-09-24T05:49:00.004-07:00</published><updated>2007-09-24T05:50:06.516-07:00</updated><title type='text'>O seqüestro das galinhas</title><content type='html'>Grupo armado rouba galinhas em Ituverava. Seis homens encapuzados, armados com um revólver, roubaram todas as 50 galinhas do sítio Serra Azul.&lt;br /&gt;Folha Cotidiano, 4 de fevereiro de 2006 &lt;br /&gt;No passado, a expressão "ladrão de galinhas" designava um transgressor humilde, freqüentemente esfaimado, que invadia galinheiros roubando aves para comer. Não mais. O progresso chegou também a esta área, e hoje o roubo de galinhas é uma operação em larga escala, levada a cabo por grupos organizados e armados, que não temem sequer a gripe aviária.A pergunta que cabe é: por que tanto esforço para roubar galinhas, mesmo em número elevado? A galinha não é exatamente uma raridade culinária, como o caviar ou as trufas. É verdade que pobre só come galinha quando está doente, segundo o antigo ditado, mas à exceção daqueles que estão colocados muito em baixo na pirâmide social, a maioria da população consegue saborear uma coxinha de vez em quando.&lt;br /&gt;Talvez se trate de outra coisa. Talvez se trate de seqüestros. Galinhas muito prezadas por seus donos, por serem de estimação ou de rara qualidade, seriam alvo tentador para seqüestradores. E aí começariam os bilhetes. Um deles, viria acompanhado de um ovo: "Por enquanto suas galinhas ainda estão vivas e botando ovos. Mas se vocês querem evitar que elas se transformem em fricassê, mandem de imediato a quantia pedida, etc.etc."&lt;br /&gt;Como evitar os seqüestros de galinhas? A medida mais óbvia é reforçar a segurança nos galinheiros. Mas isto talvez não seja suficiente. No sítio em questão, o caseiro foi até feito refém pelos assaltantes. Não, a solução melhor, mais eficaz, será treinar as galinhas para a auto-defesas. Tão logo o galinheiro seja invadido, elas correrão para suas posições, e ao comando do galo de plantão, precipitar-se-ão sobre os invasores, agredindo-os a bicadas. Talvez os seqüestradores reajam; talvez uma ou outra heróica ave, mártir da resistência, seja baleada; mas por fim os fora-da-lei terão de bater em retirada. E o galinheiro será o que sempre foi, o reduto em que aves há milênios domesticadas, esperam a hora para, felizes, nutrirem a humanidade.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 13/2/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-5242316870741729420?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/5242316870741729420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=5242316870741729420' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/5242316870741729420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/5242316870741729420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/o-seqestro-das-galinhas.html' title='O seqüestro das galinhas'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-4517190320418411466</id><published>2007-09-24T05:49:00.003-07:00</published><updated>2007-09-24T05:49:41.131-07:00</updated><title type='text'>Torpedos</title><content type='html'>1. O torpedo no vestibular&lt;br /&gt;A polícia do Rio de Janeiro prendeu quatro estudantes que tentavam fraudar o vestibular de medicina da Universidade Gama Filho. Uma quadrilha teria cobrado entre R$ 10 mil e R$ 15 mil pela transmissão do gabarito do exame por meio de mensagens de texto.&lt;br /&gt;Folha Cotidiano, 31 de janeiro de 2006&lt;br /&gt;Apesar do fracasso dos quatro vestibulandos que haviam tentado fraudar a prova mediante mensagens pelo celular, ela decidiu fazer a mesma coisa. Em primeiro lugar, porque morava numa cidade muito menor que o Rio, na qual as medidas de segurança não eram tão rigorosas. Depois, não recorreria a quadrilha nenhuma, coisa que, segundo imaginava, tornava a operação vulnerável. Em terceiro lugar, não tinha outra opção: não sabia quase nada, e era certo que seria reprovada. Por último, havia uma coincidência favorável: estava com o antebraço esquerdo engessado. Nada preocupante, e na verdade ela até poderia ter tirado o gesso, mas não o fizera e agora contava com um ótimo esconderijo para o celular. Quem mandaria o gabarito? O namorado, claro. Rapaz inteligente (já estava cursando a faculdade), ele só teria de perguntar as questões para alguém que tivesse terminado a prova e enviar o gabarito por torpedo. Quando ela fez a proposta ao rapaz, ele pareceu-lhe um tanto relutante, incomodado mesmo. E no dia do vestibular ela descobriu por quê. Quarenta minutos depois de iniciada a prova, ela recebeu o tão esperado torpedo. Para sua surpresa, não continha o gabarito, e sim uma mensagem: "Sinto muito, mas não posso continuar namorando uma pessoa tão desonesta. Considere terminada a nossa relação. PS: boa sorte no vestibular". Com o que ela foi obrigada a concluir: tão importante quanto o torpedo é aquele que dispara o torpedo.&lt;br /&gt;2. O torpedo na literatura&lt;br /&gt;Escritor transforma torpedos em gênero literário. Depois de tentar em vão moderar a paixão de seus compatriotas pelos celulares, o escritor francês Phil Marso, 43, se rendeu a essa onda e decidiu propor que as mensagens enviadas por esses aparelhos virem um gênero literário.&lt;br /&gt;Folha Online, 30 de janeiro de 2006&lt;br /&gt;Durante anos ele tentou, em vão, divulgar seus trabalhos literários. Procurou editoras, ofereceu-os a jornais e revistas. Nada. Ninguém queria saber de seus contos, e até aconselhavam-no a tentar outra coisa. Mas ele teimava. Tinha certeza de que um dia seria reconhecido como escritor, e baseava-se no exemplo de autores cujo talento não fora reconhecido em vida. Se pudesse, publicaria um livro por conta própria, vendendo-o depois em entradas de museus, de teatros. Mas, simples empregado de uma pequena loja, não tinha dinheiro para isso.&lt;br /&gt;Foi então que leu sobre Phil Marso, o escritor francês que havia lançado a ficção como mensagem de celular. Aquilo deixou-o entusiasmado: era exatamente a solução que procurava. Seus contos - na verdade minicontos, alguns não passavam de uma frase - tinham o tamanho ideal para se transformarem em torpedos. E nada impedia que os leitores, entusiasmados, repassassem as mensagens literárias, que acabariam chegando a um grande crítico ou a um grande editor. Quando então o caminho do sucesso estaria aberto para ele.&lt;br /&gt;Preparou cinco textos, que lhe pareciam os melhores. E aí chegou o grande dia, o dia em que o mundo tomaria conhecimento de seu talento. Apanhou o celular, respirou fundo...&lt;br /&gt;Infelizmente, o aparelho estava sem bateria. Os torpedos não foram disparados. Foi dormir, convencido de que o Destino, e os celulares, não queriam que ele se transformasse em escritor.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 20/2/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-4517190320418411466?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/4517190320418411466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=4517190320418411466' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4517190320418411466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4517190320418411466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/torpedos.html' title='Torpedos'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-1693635887936863917</id><published>2007-09-24T05:49:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T05:49:21.132-07:00</updated><title type='text'>A traição dos confetes</title><content type='html'>Nem só de confete e serpentina é feito o Carnaval. Para quem quer aproveitar o primeiro feriado prolongado do ano, mas não está nem um pouco interessado em enfrentar multidões, calor, barulho e ambientes geralmente embalados a muita bebida alcoólica e pouca moderação, o melhor mesmo é se manter bem longe da folia.&lt;br /&gt;Folha Equilíbrio, 9 de fevereiro de 2006&lt;br /&gt;Longe da folia: este era o lema de dona Francelina. Ela era dessas pessoas que detestam Carnaval, por causa da zoeira, da confusão e, claro, da imoralidade. Muito religiosa, dona Francelina desaprovava o relaxamento de costumes que acompanha o chamado tríduo momesco, uma época de vício e de pecado. Se pudesse, sairia da cidade, iria para a serra, para um spa, ou mesmo para a pacata cidadezinha do interior em que nascera. Mas não podia, por uma simples razão: ela e o marido, Ernesto, eram muito pobres. Ele, auxiliar de escritório, ela, costureira, mal ganhavam para se sustentar, e isso que não tinham filhos. O jeito, portanto, era ficar na capital e agüentar o barulho, que não era pouco.&lt;br /&gt;Diferente da esposa, seu Ernesto era um carnavalesco nato. Desde criança participara em bailes infantis, sempre fantasiado; adorava desfiles, gostava de sambar. Mas não podia fazê-lo, claro, por causa da mulher. Ela jamais o admitiria. De modo que seu Ernesto carregou esta frustração por muitos anos. Até que a própria Francelina, por assim dizer, resolveu o problema.&lt;br /&gt;Ela se queixava de que não podia dormir nas noites de Carnaval, por causa do barulho, e assim começou a tomar soporíferos. Caía num sono profundo, tão profundo que o marido tinha de sacudi-la por muito tempo até que acordasse. E isso lhe deu uma idéia: começou a aproveitar a oportunidade para sair de mansinho e ir a um salão não muito distante, onde caía no samba. Quando voltava para casa, tomava todas as precauções para que a esposa de nada desconfiasse: banhava-se, botava o pijama, deitava-se, fingia-se profundamente adormecido.&lt;br /&gt;Isso poderia ter durado muito tempo, não fosse o fato de Ernesto enxergar mal. E como enxergava mal, não viu dois confetes em sua camisa. Mas dona Francelina, que tinha boa visão, viu os tais confetes e perguntou a respeito. O marido explicou que aquilo nada tinha a ver com bailes, que uns garotos lhe tinham jogado confetes na rua quando voltava para casa.&lt;br /&gt;Não se sabe se dona Francelina acreditou ou não. O fato é que Ernesto está disposto a ir a um baile de Carnaval -mas realizado em um salão onde não se use confetes. Que, como se sabe, têm uma natural vocação para a traição.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 27/2/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-1693635887936863917?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/1693635887936863917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=1693635887936863917' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1693635887936863917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1693635887936863917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/traio-dos-confetes.html' title='A traição dos confetes'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-3081093704203987739</id><published>2007-09-24T05:48:00.004-07:00</published><updated>2007-09-24T05:49:01.908-07:00</updated><title type='text'>As provas da conspiração</title><content type='html'>Rato Jerry é pró-judeu, conclui especialista do Ministério da Educação do Irã. Para Hassan Bolkhari, especialista em comunicação de massa, o desenho animado Tom e Jerry é uma conspiração para favorecer a imagem dos ratos - apelido pejorativo associado aos judeus. Folha Mundo, 25 de fevereiro de 2006.&lt;br /&gt;Confrontado com a esmagadora evidência de sua culpa, Jerry, o rato, não teve outro remédio senão admitir a verdade: sim, disse ele, eu não passo de um agente secreto a serviço de uma conspiração criada para melhorar a imagem judaica no mundo. Soluçando, disse que relutara muito antes de aceitar a proposta, mas que esta se tornara irrecusável quando lhe foi feita uma inesperada oferta: pelo resto de sua vida teria queijo na quantidade que quisesse.Ah, sim, e poderia escolher a variedade: brie, camembert, cream cheese, feta, gorgonzola, gruyère, mussarela, pecorino, provolone, roquefort, qualquer uma destas variedades estaria à sua disposição (acompanhada ou não de bolachinhas e torradas), bastando apenas que ele telefonasse e dissesse sua senha. Encontraria o queijo em certa secreta despensa, que aliás serviria de base de operações para outros ratos famosos envolvidos na conspiração. E que eram muitos: por exemplo, o camundongo Mickey e sua namorada, Minnie: como Jerry, figuras simpáticas, amáveis. Mas devidamente cooptadas.&lt;br /&gt;Mas as revelações não ficaram por aí. Descobriu-se que Tom, o próprio Tom, o gato valoroso que perseguira Jerry em tantos desenhos animados, também estava sob o controle dos mentores da conspiração, coisa que demandara várias providências. Capturado, Tom fora submetido a uma lavagem cerebral, da qual saíra com característicos de autômato. Nos desenhos animados, ele poderia continuar correndo atrás de Jerry, mas sem jamais alcançá-lo. Com isso, estaria confirmando a superioridade dos ratos (e do grupo que eles metaforicamente representam). Tom seria vigiado de perto pelo enorme cão que existia na casa e que também era parte da conspiração.&lt;br /&gt;Enfim, a revelação chocou muita gente. Mas ela deve servir de alerta. Será que outras figuras dos desenhos animados não estão envolvidas na conspiração? Será que o Pato Donald não está nessa? Ou a Branca de Neve? Ou o Bob Esponja? O inimigo é insidioso e está por toda a parte. É melhor, portanto, não ir ao cinema, não assistir à TV, não ler livros, revistas ou jornais. Ah, sim, e não esqueçam de olhar debaixo da cama: será que o Jerry não está ali, escondido, à espera do momento propício para atacar?&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 06/03/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-3081093704203987739?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/3081093704203987739/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=3081093704203987739' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3081093704203987739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/3081093704203987739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/as-provas-da-conspirao.html' title='As provas da conspiração'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-9087587818640191377</id><published>2007-09-24T05:48:00.003-07:00</published><updated>2007-09-24T05:48:47.744-07:00</updated><title type='text'>O juiz no divã</title><content type='html'>A maioria dos juízes precisa de tratamento psicológico. A Federação Paulista de Futebol encomendou ao Incor estudo inédito e de resultado revelador: 58% dos árbitros de São Paulo apresentam algum problema, sobretudo por estresse. Folha Esporte, 5 de março de 2006.Tudo começou quando ele notou que, ao entrar em campo, ele ficava trêmulo, suava abundantemente, tinha a impressão de que ia desmaiar. Isto é dos nervos, disse a mulher, que entendia dessas coisas. E era verdade. Juiz de futebol há mais de 20 anos, ele enfrentara numerosos conflitos e até agressões. Sempre se saíra bem.&lt;br /&gt;Agora, porém, a situação mudara e comprometia até o seu trabalho. Tinha, portanto, de tomar alguma providência. Recomendaram-lhe psicanálise. Lembrou-se de um vizinho que, depois de exercer o magistério, tornara-se analista, meio que por conta própria. Foi procurá-lo e começou o tratamento. Melhorou, mas mesmo assim, cada vez que entrava em campo era aquele pavor. Acabou por decidir: só apitaria uma partida acompanhado por seu terapeuta. Que, embora relutante, concordou em aceitar a proposta. Convencer a federação foi igualmente difícil, mas, considerando que se tratava de um juiz veterano e dedicado, resolveram abrir uma exceção. Mais confortado, ele se sentiu preparado para enfrentar o desafio. Que ocorreria no domingo seguinte e não seria pequeno: tratava-se de uma partida entre dois times importantes, clássicos rivais.&lt;br /&gt;Tudo correu bem, até que, aos 40 minutos do segundo tempo, ele apitou um pênalti. Duvidoso, na verdade, até para ele: achava que tinha visto o zagueiro fazer falta no centroavante adversário, mas o time inteiro protestava em altos brados contra o que consideravam uma injustiça. Sentindo o estresse crescer de maneira perigosa, interrompeu o jogo e mandou chamar o analista. Um divã foi colocado na pequena área e de imediato teve início a sessão: ele queixando-se do zagueiro, um homem brutal. Sim, disse o analista, mas há um detalhe que você não está levando em consideração. Qual, perguntou o juiz intrigado.&lt;br /&gt;Ele tem o mesmo nome de seu pai.&lt;br /&gt;Era verdade, como o juiz constatou, surpreso. O analista prosseguiu: eu acho que no fundo você está agredindo o homem com quem você sempre teve um conflito.&lt;br /&gt;O juiz quis saber a causa de tal conflito. O analista respondeu que isso demandaria uma longa investigação, de anos, talvez.&lt;br /&gt;Anos? Dificilmente a partida poderia ser suspensa por tanto tempo. O juiz manteve o pênalti. Ouviu as ofensas habituais, mas resignou-se. Um dia ele entenderia e aceitaria, aquelas coisas. E aí poderia trilar o apito final, dando por encerrado o tratamento.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 13/03/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-9087587818640191377?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/9087587818640191377/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=9087587818640191377' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/9087587818640191377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/9087587818640191377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/o-juiz-no-div.html' title='O juiz no divã'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-1452345390230526845</id><published>2007-09-24T05:48:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T05:48:34.552-07:00</updated><title type='text'>Guerrilha capilar</title><content type='html'>A Polícia Federal (PF) apreendeu 250 kg de cabelos que entraram no Brasil ilegalmente em um hotel em Curitiba, na manhã deste domingo. O material havia sido trazido da Índia. Três pessoas foram presas. O contrabando foi descoberto por acaso: agentes da Polícia Federal estavam hospedados no mesmo hotel e suspeitaram quando a carga era descarregada de uma caminhonete. De acordo com a PF, todas as mechas de cabelo eram pretas e tinham entre 40 e 70 centímetros de comprimento. A carga seria revendida para salões de beleza.&lt;br /&gt;Folha Online, 13 de março de 2006.&lt;br /&gt;A Polícia Federal recolheu os 250 kg de cabelo a um depósito com o que o caso poderia ser encerrado. A não ser, como disse o vigia do lugar, que piolhos tentassem roubar a exótica mercadoria. O comentário se revelou profético: naquela mesma noite o lugar foi assaltado, e não por piolhos, mas por um bando de homens armados. Imobilizaram o vigia, transportaram os cabelos para uma van e se foram, não sem deixar um bilhete: "Esta é mais uma ação da Frente de Libertação dos Calvos. Lutamos contra a má distribuição de cabelos no mundo. Lutamos contra a propaganda enganosa dos xampus. Lutamos contra a excessiva valorização das bastas cabeleiras. Basta! De agora em diante o mundo sentirá a força de nossa justa ira".&lt;br /&gt;A intenção da misteriosa Frente de Libertação dos Calvos (FLC) era usar os cabelos confiscados para confeccionar perucas, que seriam distribuídas, gratuitamente, a milhares de carecas. Mas, tão logo se reuniram, sob a presidência de um líder mascarado que se identificava apenas como Sansão, os problemas começaram a emergir. Constatou-se que, em primeiro lugar, os cabelos não eram nacionais - procediam da Índia. Além disto, eram todos escuros.&lt;br /&gt;Isto provocou revolta na área mais radical do movimento. Os extremistas protestavam contra o fato de os cabelos serem procedentes da Índia e serem todos de cor preta, o que significaria a marginalização dos loiros, dos ruivos e dos grisalhos - um duro golpe na diversidade cultural que é a base mesmo da emancipação dos oprimidos. De sua parte, o setor mais moderado ponderava que, afinal, a Índia era, como o Brasil, um país emergente e que, portanto, os cabelos não traduziriam nenhum tipo de dominação imperialista. E o uso de perucas pretas por todos os membros da Frente poderia ser um símbolo de coerência ideológica e de disciplina revolucionária.&lt;br /&gt;A discussão evoluiu rapidamente para a briga, e lá pelas tantas os adversários estavam atirando mechas de cabelos uns nos outros. Quando terminou a pancadaria, não dava para aproveitar mais nada da preciosa carga de cabelos. O cartaz com a divisa criada por Sansão, "Calvos unidos jamais serão vencidos", jazia rasgado no chão. Antes que as forças da lei e da ordem aparecessem, foram todos embora. Desiludidos, mas com uma esperança: a de que, no futuro, a Polícia Federal apreenda uma carga de tônicos capilares, desses que fazem crescer cabelo quase que por milagre.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 20/03/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-1452345390230526845?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/1452345390230526845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=1452345390230526845' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1452345390230526845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/1452345390230526845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/guerrilha-capilar.html' title='Guerrilha capilar'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-953818775584775622</id><published>2007-09-24T05:47:00.004-07:00</published><updated>2007-09-24T05:48:08.353-07:00</updated><title type='text'>Os genes de Romeu e Julieta</title><content type='html'>A trajetória do evolucionismo mostra como é difícil rotular, do ponto de vista político ou ideológico, idéias que nascem da ciência, da cultura ou da arte. Certamente não era em rótulos que Charles Darwin pensava quando escreveu "A Origem das Espécies". Mas uma teoria tão revolucionária inevitavelmente teria seu papel no choque de conceitos que emergia com toda sua força no século 19, o século que marcou a ascensão do capitalismo e também dos movimentos sociais que a ele se opunham. Esquerda e direita eram então categorias estanques, como o eram progressista e reacionário.E o evolucionismo? Era de esquerda ou era de direita? Era progressista ou era reacionário?Aparentemente a teoria de Darwin colocava-o como um pensador progressista, um esquerdista até. Afinal de contas, ele se opunha às concepções religiosas, e a religião era então o ópio do povo, segundo a expressão de Marx, aliás seu contemporâneo e admirador. "É notável como Darwin reconhece, nos seres naturais, as características da sociedade inglesa, com a divisão de trabalho, a competição, a luta pela sobrevivência", escreveu um entusiasmado Marx, que quis até dedicar o segundo tomo de "O Capital" ao naturalista. Este recusou a oferta, provavelmente porque já tinha dores de cabeça demais com a religião estabelecida.&lt;br /&gt;Darwinismo socialA verdade, porém, é que as idéias darwinianas não se ajustavam exatamente à causa do socialismo; afinal, incluíam a sobrevivência do mais apto, concepção compatível com a economia de mercado e com o capitalismo. Surgiu daí o darwinismo social, que, apoiado nos trabalhos do filósofo inglês Herbert Spencer e de seus seguidores, procurava justificar a desigualdade social como resultado da evolução natural.Daí para o racismo, para a exclusão dos "inferiores", era apenas um passo, e este foi dado por meio da eugenia, corrente de filosofia social criada por sir Francis Galton (primo de Darwin, a propósito) que visava o "aperfeiçoamento da espécie", mediante aconselhamento genético e controle da natalidade, mas que acabou chegando, no caso do nazismo, à esterilização forçada e, por fim, ao genocídio.&lt;br /&gt;A revelação dos crimes cometidos nos campos de concentração tornou a eugenia politicamente incorreta e, de alguma forma, afetou também o darwinismo.&lt;br /&gt;Além disso, na primeira metade do século 20, o comunismo estava em plena ascensão. Ao stalinismo, as idéias de Darwin interessavam sobretudo por seu caráter "materialista", anticriacionista. Mas os teóricos comunistas queriam provar que havia um aperfeiçoamento contínuo da espécie humana (culminando com o socialismo) resultante, não da seleção natural e da sobrevivência do mais apto, e sim das condições sociais favoráveis: "nurture" seria mais importante que "nature", o social prevaleceria sobre o biológico.&lt;br /&gt;Essas mudanças se transmitiriam de geração em geração, por meio da transmissão hereditária dos caracteres adquiridos, defendida pelo naturalista francês Jean-Baptiste Lamarck, um precursor de Darwin, em 1809. O regime comunista via a genética como coisa burguesa, reacionária, e criou o seu próprio guru científico, Trofim Lysenko, graças a quem a agricultura soviética simplesmente afundou.&lt;br /&gt;Propagação dos genes&lt;br /&gt;O darwinismo continua enfrentando a resistência de correntes religiosas, sobretudo nos EUA, onde o criacionismo ressurgiu com a teoria do "design inteligente", segundo a qual as características dos seres vivos são complexas demais para serem explicadas pela seleção natural e devem ser atribuídas a uma inteligência superior: Deus.&lt;br /&gt;Mas ganhou prestígio crescente em meios intelectuais alheios à discussão esquerda-direita. Surgiu assim o evolucionismo sociocultural, que reconhece o peso dos fatores biológicos no comportamento social. A relação entre homens e mulheres já não é só vista como algo romântico ou, como querem algumas feministas, algo opressivo; não, machos e fêmeas, ansiosos pela reprodução, continuam presentes mesmo sob aparências refinadas. Exemplo: por que homens gostam de mulheres com cadeiras largas? Porque uma bacia ampla facilita o parto e, portanto, a preservação da progênie.Propagar genes é, do ponto de vista da espécie, a grande prioridade. Daí a paixão de Romeu por Julieta, daí o ciúme de Otelo, daí o adultério de Madame Bovary: nos personagens literários refletem-se as pulsões evolutivas, garantem David P.Barash e Nanelle R.Barash em "Os Ovários de Madame Bovary" (ed. Relume-Dumará).Não só a ficção mas até a mentira propriamente dita pode estar a serviço de injunções biológicas, sustenta David Livingston Smith em "Por Que Mentimos" (ed. Campus). São apenas dois exemplos da enorme literatura que surgiu, nos últimos anos, partindo da teoria evolucionista. Um sucesso com o qual Darwin provavelmente nunca sonhou.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 26/03/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-953818775584775622?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/953818775584775622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=953818775584775622' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/953818775584775622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/953818775584775622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/os-genes-de-romeu-e-julieta.html' title='Os genes de Romeu e Julieta'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-2191409175718731737</id><published>2007-09-24T05:47:00.003-07:00</published><updated>2007-09-24T05:47:49.251-07:00</updated><title type='text'>A dança das cadeiras</title><content type='html'>A presidência da Câmara Municipal de Serra, no Espírito Santo, fez uma compra de material inusitado para os vereadores da Casa. São 17 poltronas de couro, anatômicas, reclináveis, dotadas de controle remoto que ativa um sistema eletrônico de massagem nas costas e na nuca. Foram gastos R$ 62.900. Folha Cotidiano, 21 de março de 2006.&lt;br /&gt;A aquisição das 17 confortáveis poltronas provocou, como era de esperar, muita controvérsia no país. Por causa disso um grupo de cientistas resolveu testar a possível correlação entre as referidas poltronas e o desempenho dos parlamentares que nelas eventualmente tomassem assento. Cinco ex-vereadores dispuseram-se voluntariamente para servir como cobaias para a experiência. Como disse um deles: "Sempre tive costas largas, agora está na hora de massageá-las um pouco".&lt;br /&gt;O objetivo dos cientistas era avaliar a produtividade dos ex-edis quando sentados nas cadeiras. Esta produtividade, por sua vez, seria expressa pelo número de projetos de leis formulados durante as várias fases do teste.&lt;br /&gt;Os resultados foram surpreendentes. Verificou-se que o número de projetos de lei crescia na proporção direta da velocidade da vibração massageadora; ou, como observou espirituosamente um dos cientistas, quanto mais vibração, mais os ex-vereadores vibravam. Vibravam e tinham idéias. Um deles chegou a formular nada menos que oito projetos de lei em apenas 15 minutos de massagem com alta freqüência.&lt;br /&gt;Surgia então um efeito paradoxal. A certa altura, indivíduos testados caíam no sono, dois ou três roncando sonoramente. Não chegava a ser um efeito inesperado; afinal, uma das coisas que acontecem para quem senta em poltrona confortável é exatamente isso, um sono profundo e reparador. Mas havia um detalhe curioso. Ao despertar, os voluntários relatavam que haviam sonhado. E o sonho era notavelmente igual: todos eles viam-se de volta à Câmara de Vereadores, ganhando polpudos salários e contando com a entusiástica aprovação dos eleitores.&lt;br /&gt;Mas havia uma exceção. Um dos vereadores, o mais velho deles, chegou à conclusão de que a poltrona, embora perfeita, não era compatível com a função parlamentar. Afinal, disse, vereadores são pagos não para receber massagens ou para sonhar, mas para trabalhar. E para isto, argumentava, talvez seja melhor uma cadeira dura do que uma poltrona macia.&lt;br /&gt;Os outros não estavam de acordo com tal idéia. E lembraram que o ex-vereador estava, na verdade, falando de barriga cheia: recentemente tinha casado de novo, com uma mulher muito mais jovem do que ele, uma conhecida massagista. Ou seja: o homem tinha massagem a domicílio. Não precisava de poltronas especiais para isto, podia contar com mãos suaves e macias.&lt;br /&gt;Enfim, os ex-vereadores apoiaram totalmente a compra das poltronas. Um deles disse que, se fosse eleito, seu primeiro projeto de lei teria por objeto exatamente isso, a aquisição de poltronas similares. A democracia precisa de bases confortáveis.&lt;br /&gt;Folha de São Paulo (São Paulo) 27/03/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-2191409175718731737?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/2191409175718731737/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=2191409175718731737' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/2191409175718731737'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/2191409175718731737'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/dana-das-cadeiras.html' title='A dança das cadeiras'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-5201390585574002588</id><published>2007-09-24T05:47:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T05:47:29.117-07:00</updated><title type='text'>Nus ao telefone</title><content type='html'>*Um terço dos usuários de telefonia na Grã-Bretanha faz chamadas completamente nus, sendo os homens mais propensos a essa prática do que as mulheres, revelou um estudo divulgado pela agência de notícias Reuters. A pesquisa, de responsabilidade dos Correios da Grã-Bretanha, revelou que cerca de 40% dos homens admitiram conversar sem roupas, contra 27% das mulheres.&lt;br /&gt;Folha Online, 28 de março de 2006&lt;br /&gt;"Fale, John. Pode falar. Fale bastante, se quiser. Aproveite, diga tudo o que você tem a dizer. Esta, quero lhe avisar, é a última vez que você me liga: a nossa relação termina aqui, John. Por quê? Por que, você pergunta? Deus, John, como você é cínico. Mas tudo bem, vou lhe dizer. Você, John, está me desrespeitando. Como sempre me desrespeitou, aliás, mas agora você acrescentou ao desrespeito um requinte de perversidade. Você decidiu me ligar e, antes disso, você tomou uma providência muito típica de seu caráter. Você tirou toda a roupa, John. Você está pelado.&lt;br /&gt;Como é que eu sei? Calma, eu não tenho videofone. Aliás, nem precisaria disso. Conhecendo você como conheço, sei de tudo o que você faz, mesmo à distância. Mas, no caso, fui ajudada por um amigo, um bom amigo. Você não o conhece, mas ele ontem estava no pub que você freqüenta, a seu lado inclusive. Você comentava esta pesquisa que foi feita pelos Correios, mostrando que cerca de 40% dos homens conversam ao telefone sem roupa. Você disse, muito orgulhoso, que jamais telefona para qualquer mulher - sua namorada, inclusive, você fez questão de ressaltar isso - sem antes tirar a roupa. Você disse que tal coisa, para você, funciona como um verdadeiro afrodisíaco. E você lamentou não ter videofone; se tivesse, você concluiu, às gargalhadas, elas saberiam o que estão perdendo.&lt;br /&gt;De modo que você está me ligando pelado. Mas isso não é o pior, John. O pior é o lugar de onde você está me ligando. Você está sentado no vaso sanitário, John. Você, pelado, está sentado no vaso sanitário. Como é que eu sei? Não, eu não tenho videofone, John. Mas tenho ouvidos muito bons. Estou ouvindo o ruído da água enchendo a caixa, John. Você acabou de dar a descarga. Você fez o que tinha de fazer, você se limpou, você deu a descarga.&lt;br /&gt;O que devo concluir disso? É muito simples, John. Com as outras, você fala nu ao telefone porque assim se excita; para mim, você telefona pelado para não perder tempo: fala e faz as necessidades ao mesmo tempo. Eu até ouvi você gemer, John. E sei que não era de paixão. Era a sua tenaz prisão de ventre.&lt;br /&gt;Mas não tem importância, John. Eu também estou nua. E também estou no banheiro. Só que não estou sozinha. Estou acompanhada. Por aquele amigo que você não conhece, mas que ontem, no bar, estava na mesa ao lado da sua. Ele ouviu a conversa e logo em seguida me ligou. Ligou de roupa, bem entendido, porque não tem dessas fantasias. Eu pedi que viesse aqui e descobri que não apenas é leal, é também fora de série na cama.&lt;br /&gt;Este barulho que você está ouvindo? É a água do chuveiro, correndo. Nós agora vamos tomar banho juntos. Fique aí pelado, fazendo suas ligações. Nós vamos nos divertir muito mais. E sem telefone."&lt;br /&gt;Folha de S. Paulo (São Paulo) 03/04/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-5201390585574002588?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/5201390585574002588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=5201390585574002588' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/5201390585574002588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/5201390585574002588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/nus-ao-telefone.html' title='Nus ao telefone'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-5768938966522676199</id><published>2007-09-24T05:46:00.002-07:00</published><updated>2007-09-24T05:47:03.860-07:00</updated><title type='text'>Vivendo nas alturas</title><content type='html'>Passar dias em cima de uma árvore. Comer, dormir, realizar todas as atividades, e necessidades, da vida cotidiana, sem colocar os pés no chão.&lt;br /&gt;Ilustrada, 2 de abril de 2006&lt;br /&gt;Contestadora era ela, e desde criança. Brigava por qualquer coisa, o que não era de admirar: menina mimada, filha de pais ricos, não estava acostumada a ver seus desejos contrariados. E assim chegou aos 20 anos, uma garota irritadiça, ainda que muito bonita e inteligente. Àquela altura, todos os professores, amigos, parentes estavam de acordo que ela estava precisando de limites. A gota d'água foi o caso que começou a ter com um conhecido traficante de drogas. O pai, próspero e culto empresário, deu-se conta de que aquele era o momento de dar o basta. Mesmo assim, procurou fazê-lo com habilidade. Na conversa que teve com a jovem, recorreu a uma frase lapidar e cuidadosamente ensaiada: "Você sempre viveu no ar. Agora está na hora de colocar os pés no chão".&lt;br /&gt;Assim que ela ouviu essas palavras, decidiu que faria exatamente o contrário. Nunca mais poria os pés no chão. Romperia com o traficante, sim, mesmo porque o cara era muito chato, mas não faria qualquer concessão aos pais. Assim, anunciou que estava indo embora de casa.&lt;br /&gt;E foi. Tomou o rumo da região amazônica. O seu plano era viver na floresta, mas não no solo: construiria uma casa numa árvore e ali viveria para sempre. Alimentos? Os frutos das árvores ao redor, ovos de pássaro, pequenos répteis. Água, a da chuva. Os pais, naturalmente, ficaram desesperados. Mas, com a ajuda de investigadores particulares, conseguiram refazer a trajetória dela. E acabaram por descobrir o lugar em que vivia, na mata amazônica.&lt;br /&gt;A conselho dos próprios investigadores, foram sozinhos até lá. Caminhando pela selva, chegaram à árvore. E ali estava, entre os galhos, a pequena cabana. Chamaram pela jovem. Ela apareceu e não se mostrou surpresa; aparentemente, até esperava aquela visita. Do chão, pai e mãe lhe dirigiam apelos angustiados: desce daí, minha filha, volta com a gente para casa.&lt;br /&gt;Para isso, ela tinha uma resposta preparada: Só desço - disse - se vocês subirem.&lt;br /&gt;O que era absolutamente impossível. Não havia qualquer escada, nem mesmo cordas, nada que os ajudasse. Eles imploraram e imploraram. Por fim desistiram e foram para o precário hotel da cidadezinha próxima. No dia seguinte voltaram, e esta rotina tem se repetido: pedem que a filha desça, ela insiste para que eles subam. O impasse está criado, mas isso não é o pior. O pior é o grande macaco que eles acreditam ter visto diante da cabana. Pode, claro, ser um bicho de estimação. Mas e se ele é o substituto do namorado traficante?&lt;br /&gt;Folha de S. Paulo (São Paulo) 10/04/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-5768938966522676199?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/5768938966522676199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=5768938966522676199' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/5768938966522676199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/5768938966522676199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/vivendo-nas-alturas.html' title='Vivendo nas alturas'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-7518505559444570208</id><published>2007-09-24T05:46:00.001-07:00</published><updated>2007-09-24T05:46:30.412-07:00</updated><title type='text'>Parada obrigatória</title><content type='html'>"1.000 Lugares para Conhecer Antes de Morrer", best-seller mundial da americana Patricia Schulz lançado no Brasil pela Sextante, traz cerca de 20 paradas obrigatórias no país. Mônica Bergamo, 23 de abril de 2006&lt;br /&gt;Tão logo ele tomou conhecimento dos mil lugares imperdíveis no mundo, decidiu: seria o primeiro brasileiro a conhecê-los todos. Homem muito rico, recursos para isso não lhe faltariam. Pretendia, inclusive, realizar este périplo em tempo recorde, em primeiro lugar para dar à façanha ainda maior destaque e depois porque, pela idade, já não podia fazer planos a longo prazo. Assim, tudo o que faria era entrar nos lugares mencionados na obra, tirar uma foto e seguir adiante. Consultou um amigo, dono de uma grande agência de turismo. Sim, era possível fazer aquilo em um ano, desde que ele alugasse um jatinho particular. O que sem demora foi feito, e assim ele partiu, disposto a visitar pelo menos três lugares por dia. Era difícil, mas ele o conseguiu e assim pouco a pouco foi riscando os lugares de sua lista.&lt;br /&gt;Deixou o Brasil para o fim. Em nosso país eram cerca de 20 lugares, a maioria deles em São Paulo, cidade onde nascera e onde morava. Os amigos esperavam que ali se encerrasse a gloriosa trajetória, mas seus planos eram diferentes. Queria terminar com o Copacabana Palace, no Rio.&lt;br /&gt;Havia uma razão para isso, uma razão muito especial. Anos antes ele se apaixonara por uma mulher, uma jovem e linda carioca. Paixão tão fulminante, tão avassaladora, que ele decidira largar tudo, esposa, filhos, empresas e viver com a moça no Rio. Para tanto, haviam marcado um encontro no Copacabana Palace.&lt;br /&gt;Encontro ao qual ele não compareceu. Chegou a viajar para o Rio e, no aeroporto, tomou um táxi para ir ao famoso hotel, mas no meio do caminho desistiu: não, não abandonaria tudo que havia conquistado por causa de uma aventura amorosa. Voltou a São Paulo sem ir ao Copacabana Palace -no qual, aliás, nunca entrara.&lt;br /&gt;Agora, finalmente, adentraria o hotel. Não mais para uma aventura, mas para gozar seus 15 minutos de fama. Seus assessores haviam avisado a imprensa, que lá estaria para registrar o clímax da aventura, a chegada ao último dos mil lugares.&lt;br /&gt;Já era noite quando o jatinho pousou no aeroporto. Ele tomou um táxi. Nervoso: já estava atrasado. E, para cúmulo do azar, havia um congestionamento em Copacabana. Decidiu completar o trajeto a pé, apesar das advertências do motorista.&lt;br /&gt;Já estava a uns 200 metros do famoso prédio da avenida Atlântica, quando o assaltante lhe apontou o revólver. Ele fez um gesto - um gesto que queria dizer leve tudo, mas não me retenha, tenho um encontro com o Destino - mas foi mal interpretado: o homem achou que ele tentava reagir e disparou.&lt;br /&gt;Caído no chão, agonizante, tinha apenas uma mágoa: havia um lugar, um único entre mil outros lugares, que ele não veria antes de morrer. O problema, concluiu antes de expirar, é que a gente não pode ter tudo o que se quer na vida.&lt;br /&gt;Folha de S.Paulo (São Paulo) 01/05/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-7518505559444570208?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/7518505559444570208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=7518505559444570208' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/7518505559444570208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/7518505559444570208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/parada-obrigatria.html' title='Parada obrigatória'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8185899038211951686.post-4242348433953558</id><published>2007-09-24T05:44:00.000-07:00</published><updated>2007-09-24T05:45:55.227-07:00</updated><title type='text'>Falemos de feios famosos</title><content type='html'>Em época de Copa do Mundo, só se fala em futebol, visto inclusive pelos aspectos mais inusitados. Entrem, por exemplo, no site &lt;a href="http://www.uglyfootballers.com/"&gt;www.uglyfootballers.com&lt;/a&gt; e vocês encontrarão uma seleção dos jogadores mais feios do mundo. Ali estão, por exemplo, Carlos Valderrama, da Colômbia, e Diego Maradona, da Argentina. O Brasil está representado por dois craques: Sócrates (que nisto equivale a seu homônimo filósofo; ver mais adiante) e Ronaldo Nazário. Agora, a pergunta: mesmo que Maradona e Ronaldo sejam feios (e muitas mulheres discordarão disso) será que o detalhe tem importância?&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Provavelmente não. "As muito feias que me perdoem/ mas a beleza é fundamental", proclamou Vinicius de Moraes, que, no entanto, não escreveu nenhum poema dedicado aos feios, ou aos muito feios. Homem, aparentemente, não precisa ser bonito, homem, continua este raciocínio que não deixa de ter um componente machista, compensa uma aparência desagradável com inteligência, com energia, com iniciativa. De qualquer modo, porém, a história registra alguns personagens que ficaram conhecidos pela feiúra. O primeiro deles é o filósofo Sócrates. "Conhece-te a ti mesmo", dizia ele, mas isto certamente não incluía olhar-se no espelho, o que, no caso desse homem, certamente não seria uma coisa muito agradável. Um outro filósofo, este contemporâneo, que também ficou conhecido pela feiúra, foi Jean-Paul Sartre. Isto não impediu que ele conquistasse Simone de Beauvoir e várias outras fãs do existencialismo.&lt;br /&gt;Na ficção, e sobretudo na ficção francesa, aparecem alguns personagens que se celebrizaram pela aparência desagradável. O primeiro deles é, naturalmente, o corcunda de Notre Dame. Quando a história de Quasímodo foi transposta para a tela pela primeira vez, vivida pelo grande ator Charles Laughton, foi necessária uma verdadeira façanha de maquiagem para mostrar a estranha figura. Mais fácil foi encenar Cyrano de Bergerac, de Edmond Rostand, vivido por Gerard Depardieu. É que a feiúra de Cyrano estava no descomunal nariz, e nariz postiço, para o cinema, nunca foi problema.&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;A peça de Rostand, escrita em 1897, baseava-se num personagem real, Savinien Cyrano de Bergerac, dramaturgo francês do século 17, que chegou até a ser imitado pelo famoso Molière. Os retratos da época mostram-no como um homem simpático, sorridente. O nariz é grande, mas não resta dúvida de que foi a imaginação de Rostand que o fez crescer até o nível do grotesco. E é exatamente este nariz que condiciona o destino do Cyrano personagem; para compensar a feiúra, ele se torna um poeta famoso pela agressividade dos versos, e, principalmente, um espadachim temível. Ele está convencido de que nenhum mulher o desejará. Isto não impede qus se apaixone por sua bela prima, Roxane, que, no entanto, se sente atraída pelo belo Christian de Neuvillette. Generosamente, Cyrano trata de aproximar os dois, inclusive escrevendo cartas de amor que Christian assina. Ao longo da peça, e do filme, Cyrano cresce como personagem e no fim estamos todos torcendo por ele. Feiúra ou não, pouco importa; ao menos neste caso, e também no caso de Ronaldo, a beleza não é fundamental. O importante é jogar com maestria. O importante é viver intensamente.&lt;br /&gt;Zero Hora (Porto Alegre) 02/07/2006&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8185899038211951686-4242348433953558?l=moacyrscliar.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/feeds/4242348433953558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8185899038211951686&amp;postID=4242348433953558' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4242348433953558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8185899038211951686/posts/default/4242348433953558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://moacyrscliar.blogspot.com/2007/09/falemos-de-feios-famosos.html' title='Falemos de feios famosos'/><author><name>Beto</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
